Pressão pelo retorno dos jogos
Enquanto alguns tentam relativizar, o fato é que o retorno do Campeonato Brasileiro num período de alta nas contaminações trará enormes riscos aos profissionais e suas famílias.
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O jogador Felipe Melo, do Palmeiras, realiza teste de Covid-19.
O jogador Felipe Melo, do Palmeiras, realiza teste de Covid-19. | Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Em meio à enorme pressão capitalista pelo retorno das grandes competições esportivas, quase uma centena de jogadores da Serie A do Campeonato Brasileiro já foi diagnosticada com COVID-19. O destaque fica por conta do Corinthians, onde 77% dos jogadores testaram positivo.

Como já apontado neste Diário, o retorno ao futebol é um anseio de alguns setores econômicos como os fornecedores de materiais esportivos, patrocinadores, sites de apostas, entre outros, mas a principal interessada sem dúvidas é a Rede Globo, que lucra alto com seu monopólio nas transmissões do esporte mais popular no Brasil.

Abusando do cinismo, o diretor-médico da Federação Paulista de Futebol, Moisés Cohen, qualificou como positiva a detecção de tantos casos de COVID-19, pois os clubes teriam tempo de tratar os contaminados antes da doença ser transmitida.

Este tipo de abordagem desconsidera, em primeiro lugar, que não existe ainda tratamento estabelecido para a cura da doença, apenas para amenizar seus sintomas mais graves enquanto se aguarda a recuperação natural do organismo. Além disso, desconsidera a possibilidade de transmissão da COVID-19 aos familiares dos atletas que venham a se contaminar e faz vista grossa sobre o crescente aumento nos casos de reinfectados.

Pode ser um pouco desnecessário ressaltar que os capitalistas não estão nem um pouco preocupados com as vidas dos jogadores nem muito menos com a dos seus familiares. No entanto, em meio à enorme confusão que podemos observar na imprensa de esquerda, às vezes é importante lembrar do óbvio.

As grandes competições de futebol estão sendo retomadas gradualmente em todo o mundo, na medida em que os capitalistas encontram condições, como a redução na taxa de infecção ou o desafogamento dos leitos hospitalares. Estas condições, longe de garantirem a segurança dos atletas e demais profissionais do futebol, apenas facilitam o atendimento dos interesses dos grandes investidores.

Enquanto isso, o Brasil vem se tornando um dos mais importantes epicentros da pandemia e claramente apresenta condições muito mais precárias para garantir a segurança de todos os envolvidos na retomada do Campeonato Brasileiro. A enorme pressão econômica para essa retomada justo neste momento crítico de alta nos contágios mostra a confiança do setor mais importante da burguesia em passar por cima das reações contrárias, além do total descaso com as vidas que estarão ameaçadas.

Vale lembrar ainda outro fator significativo que é a questão dos jogos com os portões fechados, que descaracteriza toda a cultura que circunda o futebol. Os apaixonados pelo esporte mais popular do planeta não podem negar a importância das torcidas no futebol. A pressão da torcida interfere no andamento dos jogos pois atua diretamente nos seres humanos que atuam dentro do campo, dos jogadores ao juiz, passando pelos técnicos e bandeirinhas. A torcida é a alma do futebol e jogos sem torcida servem apenas para atender interesses econômicos de alguns setores da burguesia.

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