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Mercedes_Sosa,_1967
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Mercedes Sosa, a maior cantora popular argentina, completaria hoje 84 anos. Ao longo de quase 60 anos de carreira musical, entre 1950 e 2009, esta notável intérprete e ativista lançaria 36 álbuns de estúdio e 12 ao vivo, participando de dezenas de colaborações com artistas de todo o mundo. Com o Movimiento del Nuevo Cancionero que criou, ajudou a resgatar e modernizar a cultura nativa dos povos nativos da América do Sul como uma forma de resistência aos regimes militares impostos ao continente pelo Imperialismo, consagrando-se como a Voz da América Latina.

Natural de San Miguel de Tucumán, no noroeste da Argentina, Haydée Mercedes Sosa teve uma infância pobre, iniciando sua carreira aos 15 anos, ao vencer um concurso numa rádio local. Em 1957, casou-se com o compositor e violonista Oscar Matus, com quem teria um filho, estabelecendo-se em Mendoza, onde o casal se associaria ainda ao poeta Armando Tejada Gómez. Seu primeiro disco, La voz de la zafra, de natureza folclórica, seria lançado em 1959.

Em 1963, o trio juntamente com o músico Tito Francia e outros artistas, lançaria o manifesto do Movimiento del Nuevo Cancionero, propondo ao mesmo tempo buscar e promover a participação da música típica popular e popular nativa nas demais artes populares, tanto quanto recusar todo regionalismo fechado expressando o país em toda a ampla gama de suas formas musicais. Trata-se de uma depuração da fusão entre as vanguardas modernas internacionais, a cultura popular e a tradição nacional típica dos movimentos modernos que haviam eclodido em toda a América do Sul desde a década de 1920. Esta nova atitude associava-se intimamente a uma guinada à esquerda no seio dos regimes nacionalistas burgueses ocorrida naquele momento – o peronismo na Argentina, a via socialista chilena, o regime de João Goulart no Brasil. Em seu tempo, é um movimento análogo à Nueva Canción chilena, por exemplo, ou aos grupos de Música Popular Brasileira ligados ao Centro Popular de Cultura.

Em 1965, já em Buenos Aires e separada de Matus, gravaria seu segundo disco, Canciones con fundamento – mais tarde reconhecido como o principal disco do Nuevo Cancionero. Ainda naquele ano, participou da quinta edição do Festival Folclórico de Cosquín, onde interpretou a Canción del derrumbe indio, de Fernando Figueredo Iramain, acompanhada somente de seu próprio bumbo, causando um grande impacto. A partir de então, a PolyGram lhe ofereceria o contrato de gravação de seu terceiro disco, que sairia no ano seguinte, Yo no canto por cantar, a que se seguiria uma bem-sucedida turnê pelos Estados Unidos e Europa.

Somente em 1969, realizaria sua primeira apresentação no Chile, gravando Gracias a la vida, de Violeta Parra (falecida dois anos antes) e Te recuerdo Amanda, de Victor Jara. Era o ano do Festival de la Nueva Canción – sobretudo um movimento de apoio à candidatura de Salvador Allende, que se elegeria no ano seguinte e seria assassinado em 1973, durante o golpe militar de Pinochet.

Merecedes Sosa era filiada ao Partido Comunista (PCA) desde a década de 1960, e se somaria a movimentos de esquerda e de luta contra as ditaduras imperialistas que se impunham sobre todo o continente – inclusive no Brasil, onde faria sucessivas turnês em parceria com grandes expoentes locais como Milton Nascimento ou Chico Buarque. Após o golpe militar de Jorge Rafael Videla na Argentina, em 1976, passaria a ser perseguida pela repressão em seu próprio país, chegando a ser detida após um show em La Plata. Finalmente, exilou-se em 1979, de onde regressaria em 1983, participando da luta pelo fim da ditadura em seu país. Por onde estivesse, seus shows eram verdadeiros atos políticos pela autodeterminação dos povos frente ao Imperialismo, somando-se aos artistas locais e impulsionando seu repertório. Desde sua passagem pelo Brasil na década de 1970, por exemplo, sempre incluiria em seus discos canções brasileiras.

Reconhecida mundialmente por sua militância política e por sua inestimável contribuição artística, Mercedes Sosa faleceria precocemente em 4 de outubro de 2009, deixando-nos um inigualável exemplo de atuação artística engajada, generosa e plural.

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