Extermínio
É preciso impulsionar uma mobilização independente dos golpistas e de todo o aparato repressivo. Fim da PM Já
Policemen take up positions during an operation against drug dealers in the Cidade de Deus slum in Rio de Janeiro, Brazil February 1, 2018. REUTERS/Ricardo Moraes
Quase a totalidade dos mortos pela PM carioca são negros | Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Policemen take up positions during an operation against drug dealers in the Cidade de Deus slum in Rio de Janeiro, Brazil February 1, 2018. REUTERS/Ricardo Moraes
Quase a totalidade dos mortos pela PM carioca são negros | Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Dados divulgados esta semana pela Secretárias de Segurança Pública dos estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo, demonstraram mais uma vez a verdadeira política de extermínio das forças policiais de todo o País contra a população negra.

Em 2019 os negros corresponderam a imensa maioria dos mortos pela PM, uma sequencia dos números registrados nos anos anteriores, nos quais o povo negro sempre configurou entre os maiores índices de mortes pela polícia. Um dado que chamou atenção em 2019 foi que em todos os estados onde fora realizado o levantamento, o número de negros mortos foi sempre superior à quantidade de negros que compõem a população de cada estado.

O recorde de mortes ficou com o estado da Bahia, onde das 650 pessoas mortas pela polícia, 97% eram negras. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, o percentual de negros na Bahia é de 76%.

Em Pernambuco, o número de negros mortos também foi quase a totalidade dos assassinatos praticados por policiais, 93%. No estado de Pernambuco, a taxa de negros na população é 61,9%.

No Rio de Janeiro, 86% dos mortos pela PM foram negros, neste estado os negros correspondem à 51% do total da população.

Já em São Paulo, 62% dos mortos pela PM em 2019 foram negros. O número corresponde a quase o dobro da taxa de negros no estado, 34%.

Este ano, apesar da pandemia, os números de negros mortos pelas forças policiais tendem a ser muito altos, batendo novos recordes. Exemplo deste fato é a polícia de São Paulo que no início do ano, mesmo com o isolamento social, bateu recorde no número de assassinatos.

No início deste mês, a PM carioca assassinou duas garotas negras Emilly Victoria, de 4 anos, e Rebeca Beatriz, de 7 anos, enquanto aguardavam o avô em frente a casa onde moravam na cidade de Duque de Caxias. Somente 2020, 22 crianças foram baleadas no estado e oito morreram.

O aumento exponencial da política genocida da PM contra os negros e a população pobre em todo o Brasil, é consequência direta do aprofundamento do golpe de estado e da ditadura contra o povo.

A política eleitoreira e demagógica da esquerda também contribui para o fortalecimento dos órgãos de repressão contra o povo, vale destacar, por exemplo, que nas eleições deste ano em duas capitais importantes do País, Rio de Janeiro e Salvador, a esquerda lançou nas chapas à prefeitura candidaturas de policiais, o Coronel Íbis Pereira pelo PSOL e a major Denice pelo PT.

A única forma de barrar o genocídio dos negros e a única política antirracista consequente é a mobilização independente de toda a direita golpista e de todo o aparato de repressão. Neste sentido, é necessário defender de maneira intransigente a dissolução da Polícia Militar. É preciso colocar abaixo esta máquina de guerra contra os negros e todo o povo pobre do País.

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