James Joyce e a revolução
“É para ler os signos de todas as coisas que eu estou aqui”. James Joyce, um dos maiores monstros da literatura universal.
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O escritor irlandes James Joyce | Foto: Reprodução
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O escritor irlandes James Joyce | Foto: Reprodução

No último dia 13 de janeiro, completou 80 anos da morte de James Augustine Aloysius Joyce, nascido no dia 2 de fevereiro de 1882, em Terenure, Irlanda. Considerado um dos escritores mais importantes do século XX, sendo um dos precursores do modernismo poético em língua inglesa, além de romancista e contista. Também foi um reconhecido poeta da Irlanda que viveu boa parte de sua vida expatriado. Autor de clássicos mundiais como “Dublinenses/Gente de Dublin” de 1914, os romances “Retrato do Artista Quando Jovem” de 1916, “Finnegans Wake” de 1939 e principalmente “Ulisses” de 1922.

Seu vanguardismo está relacionado com a revolução irlandesa e a luta pela independência da Irlanda e embora tenha vivido apenas a juventude em sua terra natal e sido considerado um autêntico cosmopolita, Joyce sempre manteve viva as raízes irlandesas em suas obras. Seu universo literário circunda Dublin e sempre refletem os hábitos e costumes das pessoas de sua região, principalmente em relação à cultura familiar e amizades de infância.

Em homenagem ao escritor irlandês, no dia 16 de junho comemora-se mundialmente o Bloomsday (dia de Bloom em português). O nome é uma referência à Leopold Bloom, protagonista de Ulisses, o livro mais conhecido do autor e um dos marcos da literatura moderna. As comemorações incluem atividades variadas como leituras de trechos de Ulisses ou outras obras de Joyce, mostras de filmes, documentários, debates, palestras, apresentações teatrais. Em Dublin é comum ver participantes das comemorações se vestirem com o estilo da época retratada na obra e refazerem o caminho percorrido por Leopold Bloom. A primeira comemoração do Bloomsday, em Dublim, se deu em 1954, ano do quinquagésimo aniversário da data retratada no livro: 16 de junho de 1904. No Brasil a data também é festejada tendo ficado mais comum a partir de meados de 1980.

Em Ulisses, Joyce recria a Odisseia de Homero e relata a Odisseia de Leopold Bloom, um homem comum do século XX e toda essa Odisseia de Bloom se passa em um único dia: 16 de junho de 1904, em Dublin, Irlanda. Essa data foi escolhida por Joyce por ter sido no dia 16 de junho que ele e a sua futura esposa, Nora Barnacle, tiveram o primeiro contato sexual. Ulisses apresenta uma narrativa revolucionária que vem desafiando leitores e provocando estudiosos de todo mundo através de gerações.

As obras de James Joyce tratam da questão da nação irlandesa, pois contextualiza registros históricos, algumas manifestações artísticas populares e ao Renascimento Literário Irlandês. Embora a produção de Joyce não lide diretamente com o tema das revoluções irlandesas ou com a Primeira Guerra Mundial, seria impossível a um irlandês, tão ligado às questões de seu país, deixar passar ao largo de sua obra as tribulações que ocorriam em sua terra natal nessa época.

Apesar de suas histórias não falarem de guerras e revoluções diretamente, uma leitura mais minuciosa pode enxergar em seus textos, principalmente se se levar em conta a sua ironia, sua preocupação com as questões que sacudiam o país na época.

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