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NBC NEWS: PRESIDENT RICHARD NIXON'S RESIGNATION -- Aired 08/08/1974 -- Pictured: President Richard Nixon gives his resignation speech from the Oval Office at the White House in Washington D.C. on August 8, 1974 -- Photo by: NBC NewsWire
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Há 45 anos, num discurso em cadeia nacional de rádio e televisão, o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon – do Partido Republicano –, renunciava a seu cargo. Ficara comprovado seu envolvimento num escândalo de espionagem de seus adversários políticos do Partido Democrata durante a campanha eleitoral, no célebre caso Watergate.

Como se sabe, vige nos Estados Unidos um falso pluripartidarismo, resultante num bipartidarismo real, artificialmente polarizado entre Partido Democrata – de viés liberal – e Partido Republicano – de viés conservador. São apenas duas faces da mesma moeda: a de um regime ditatorial em que o presidente da república é escolhido por eleição indireta, e onde mesmo partidos de base verdadeiramente popula outrora combativos como o Socialist Workers Party (SWP) [Partido Socialista dos Trabalhadores] encontram-se duramente sufocados.

Aos olhos da imprensa capitalista – e de boa parte da população –, a democracia norte-americana se reduz à escolha entre direita e extrema-direita. No campo das ideias um cenário político próximo ao do Brasil imperial, quando vigia o escravagismo. As convenções desses partidos são tão próximas de movimentos populares reais quanto um Ki-Suco de uma laranja.

Nixon, um dos grandes crápulas conservadores dos Estados Unidos no pós-guerra, era presidente desde 1968. Exercia o comando das forças imperialistas no mundo, e diretamente responsável pelo aumento do extermínio da população do Vietnam em guerra, por golpes militares na América Latina, pelo aumento da repressão na ditadura brasileira, pela ascensão de outros canalhas da mesma cepa que promoveriam guerras, fome e matanças em todo o mundo até os dias de hoje, como Donald Rumsfeld, Dick Cheney. Milagrosamente, Nixon seria reeleito em 1972, vencendo o pleito em 49 dos 50 estados norte-americanos.

Watergate é o nome de um conjunto de edifícios comerciais às margens do rio Potomac em Washington, D.C., capital dos Estados Unidos. Em suas salas estava sediado o Comitê Nacional Democrático – o órgão dirigente do Partido Democrata. Cinco agentes do Partido Republicano foram presos em 17 de junho de 1972 em plena ação de espionagem no local durante a campanha eleitoral presidencial de 1972, fotografando documentos e plantando escutas. O caso veio à tona estampado na primeira página do jornal Washington Post, e seria coberto pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein no que se celebrizaria como um dos grandes casos de jornalismo investigativo dos Estados Unidos.

A reportagem aos poucos identificou vínculos entre os espiões e a Casa Branca, o que não apenas explicaria em parte a acachapante “vitória” eleitoral e Nixon como também colocaria o próprio presidente na posição de co-responsável pela ação criminosa. Finalmente, descobriu-se em julho de 1973 que Nixon teria um sistema de gravação em seu escritório. O acesso às fitas pelos investigadores comprovaria ou afastaria seu envolvimento no caso.

Nixon recusou-se a entregar o material, e após um ano de batalhas políticas e judiciais, em 24 de julho de 1974, a Suprema Corte americana determinou o acesso às fitas. À medida em que o material era liberado e analisado, o Partido Democrata entrava com pedidos de impeachment por abuso de poder e obstrução da justiça contra o presidente. Em 5 de agosto, seria divulgada a fita chamada de “cano fumegante”, comprovando as tentativas de encobrir e abafar o caso após sua divulgação na imprensa. Era o fim do mandato do republicano. Para evitar o impeachment certo, Richard Nixon renunciaria ao vivo pela televisão três dias depois, entregando seu cargo ao vice-presidente Gerald Ford – que o anistiaria.

Note-se que mesmo num regime farsesco como o da suposta democracia norte-americana, a hipocrisia das convenções sociais derrubou um presidente da República. No Brasil de hoje, comandado por um grupo de fascistas empoleirados nos palácios de Brasília a serviço dos norte-americanos, já se ultrapassaram todos os patamares de normalidade: sequer se finge mais a honestidade, a imparcialidade ou o interesse público.

Quando surgiu recentemente um caso de jornalismo investigativo análogo, pela pena de Glenn Greenwald, nas páginas do site The Intercept, Sérgio Moro ordenou diretamente sua investigação pela Polícia Federal. Moro, o Mussolini de Maringá, era o principal alvo das denúncias, que comprovam sua parcialidade e dos procuradores do Ministério Público na Operação Lava-Jato, resultando na prisão de Lula com finalidade abertamente política, cuja paga foi escancarada quando o juiz assumiu a cadeira de ministro do Presidente que ajudara a eleger. O escândalo ficou conhecido com Vaza-Jato. Nenhum pedido de desculpas à população, nenhuma renúncia, nenhuma demissão.

No Brasil do escândalo da Vaza-Jato, não há o que se esperar das disputas intestinas de instituições comprometidas com o golpismo de raiz imperialista, como o Poder Judiciário, comandado por generais, o Congresso Nacional, em que a suposta esquerda validou o roubo da previdência, e menos ainda do Poder Executivo, tomado por bate-paus obscurantistas a serviço do Capital externo e empenhados em destruir nosso Estado. Nenhum “escândalo” mudará o curso dos acontecimentos se não for acompanhado de uma ampla mobilização popular pela derrubada de Bolsonaro, pela liberdade de Lula e por eleições gerais.

 

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