7 motivos para ser a favor do “Fora Bolsonaro”

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Para dar continuidade aos ataques que o governo Temer vinha desferindo contra os trabalhadores, a burguesia decidiu, no fim do primeiro turno, apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro. Depois de prender o maior líder popular do país e cassar sua candidatura, os donos do golpe conseguiram derrotar a esquerda eleitoralmente, fazendo de Bolsonaro o novo presidente do Brasil.

O governo Bolsonaro é produto direto de uma fraude. Afinal, a vitória da direita só foi possível por causa do impedimento da candidatura do ex-presidente Lula. Além disso, uma vez que Bolsonaro recebeu o apoio dos donos do golpe, ele se tornou um representante direto dos interesses dos bancos. Tal panorama coloca o governo Bolsonaro como uma ameaça explícita à toda a população, de modo que a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro” se torna um imperativo.

Bolsonaro já deu várias demonstrações de que seu governo vem para massacrar ainda mais os trabalhadores. Antes mesmo de assumir, Bolsonaro conseguiu expulsar os médicos cubanos, retirando a assistência médica de mais de trinta milhões de brasileiros. Outra declaração de guerra de Bolsonaro contra a população é a escolha das pessoas que vão integrar seu governo. Veja abaixo sete membros do futuro governo Bolsonaro que são, em si, suficientes motivos pelos quais os trabalhadores devem se mobilizar pela derrubada do novo presidente do regime golpista.

1. Latifundiário na agricultura (Tereza Cristina)

A ministra da Agricultura do governo Bolsonaro será Tereza Cristina, que é, atualmente, deputada pelo DEM (partido da ditadura militar de 1964). Eleita pelo estado do Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária – ou seja, é a mulher escolhida pelos latifundiários para representar seus interesses.

Se o Ministério da Agricultura será comandado por uma tradicional representante dos latifundiários, é óbvio que está nos planos do governo Bolsonaro o massacre de toda a população pobre no campo. Sem-terra e indígenas, que já vêm sendo perseguidos intensamente desde o golpe de 2016, estarão em ainda maior desvantagem nos conflitos com os posseiros.

2. Banqueiro na economia (Paulo Guedes)

Diferentemente da grande maioria dos ministros, que só foram anunciados por Bolsonaro depois de eleitos, Paulo Guedes já era anunciado como futuro ministro da Economia do governo Bolsonaro desde a campanha eleitoral. Fundador do Banco Pactual, Paulo Guedes é um defensor da reforma da Previdência. Além disso, Guedes estudou na Universidade de Chicago (conhecida pela formação de Chicago Boys, isto é, defensores dos mais inescrupulosos interesses dos banqueiros) e foi convidado pela ditadura fascista de Augusto Pinochet para trabalhar em uma universidade chilena.

3. Funcionário dos planos de saúde na saúde (Luiz Henrique Mandetta)

O escolhido de Bolsonaro para o Ministério da Saúde também é um deputado do DEM eleito em Mato Grosso do Sul. Luiz Henrique Mandetta já foi presidente da Unimed no Mato Grosso do Sul, além de ter ocupado vários outros cargos administrativos na empresa. É, portanto, um serviçal dos planos de saúde.

Não é à toa que Mandetta foi a favor da PEC dos Gastos, votada em 2016. No que diz respeito à Saúde, os interesses que Mandetta defende não são os da população, mas sim dos banqueiros, que querem destruir a Saúde Publica para sugar mais dinheiro do Estado, e dos planos de saúde, que almejam absorver parte da população que ficará sem assistência médica gratuita.

4. Defensor da censura na educação (Ricardo Velez Rodriguez)

O ministro da Educação no governo Bolsonaro será o colombiano Ricardo Velez Rodriguez. Defensor do projeto Escola sem Partido, que é conhecido como “lei da mordaça” e “Escola com Fasismo”, Velez Rodriguez é, portanto, um defensor da censura. Sua indicação evidencia que o Ministério da Educação no governo Bolsonaro será utilizado fundamentalmente para perseguir professores e impulsionar o fascismo dentro das escolas.

5. Funcionário dos EUA no Banco Central (Roberto Campos Neto – Bob Fields)

Em abril de 1917, nasceu Roberto Campos, que viria a ser um dos economistas brasileiros de maior projeção do século XX. Ministro da ditadura militar e, posteriormente, senador pelo partido da ditadura, Roberto Campos era um representante dos setores mais reacionários da burguesia. Intransigentemente privatista, Roberto Campos era tão serviçal aos Estados Unidos que ficou conhecido como Bob Fields (uma tradução jocosa de seu nome).

Mais de cinquenta anos depois, nasceu Robeto Campos Neto, herdeiro político de Bob Fields – isto é, Bob Fields, the grandson. Atualmente, Roberto Campos Neto é diretor do Banco Santander, que é um banco espanhol com atuação em diversos países. Além disso, Campos Neto é formado pela Universidade da Califórnia e é próximo de Paulo Guedes, o Chicago Boy.

Bob Fields, the grandson foi o escolhido por Bolsonaro para assumir a presidência do Banco Central. Obviamente, será o mesmo que entregar o Banco Central brasileiro nas mãos dos Estados Unidos.

6. Fã dos EUA nas relações exteriores (Ernesto Araújo)

“Com os EUA, o céu é o limite”, disse o futuro ministro das relações exteriores Ernesto Araújo. Indicado pelo guru da extrema-direita Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo é um admirador declarado do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde que foi dado o golpe de Estado contra Dilma Rousseff, a burguesia se preocupou em alinhar o governo brasileiro aos interesses norte-americanos – afinal, o golpe foi um projeto concebido e orquestrado pelos Estados Unidos. Ernesto Araújo é a continuidade desse alinhamento subserviente, sendo que em um momento de maior crise do imperialismo, onde uma intervenção militar na Venezuela é cogitada incessantemente.

7. Carrasco na justiça (Sérgio Moro)

Sérgio Moro já se tornou internacionalmente famoso por ter sido o juiz que prendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o papel de Moro no golpe de Estado não foi o de simplesmente proferir uma sentença contra o maior líder popular do país, mas sim de contribuir para que o Judiciário brasileiro alcançasse um patamar ditatorial muito mais profundo.

Moro, na medida em que chefiava a Operação Lava Jato, legalizou a tortura no Brasil – uma vez que banalizou o uso da delação premiada-, legalizou a prisão perpétua – uma vez que condenou um idoso, como José Dirceu, há dezenas de anos de prisão -, acabou com a presunção de inocência etc. Para Moro, a Justiça foi feita simplesmente para condenar todos os que se opõem à dominação imperialista. E será justamente esse carrasco que vai assumir o Ministério da Justiça de Bolsonaro.