Economia esfacelada
O fim do programa Auxílio Emergencial significa o desamparo para dezenas de milhões de brasileiros, lançados na mais profunda miséria.
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Revista Veja
Matéria: Aumento da pobreza do Brasil
Personagens: Eduardo Bizerra da Silva(pai, catador de papel), Fabiana(mãe) e filhos Alex, Alessandra e Alana(bebê de oito meses)
Foto: Cristiano Mariz
Data: 29/11/2017
Local: Plano Piloto - Brasília - DF
O fim do auxílio emergencial significa o aprofundamento da miséria | Foto: Cristiano Mariz

Em 29 de dezembro de 2020, o governo federal pagou a última parcela do programa Auxílio Emergencial no valor de R$300,00. Com o fim do programa, dezenas de milhões de brasileiros não terão qualquer renda para se sustentar a si mesmos e suas famílias.

O governo Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) e sua equipe econômica, encabeçada pelo Chicago Boy Paulo Guedes, afirmam que o país não tem condições de estender o pagamento do Auxílio. Durante o período de vigência do programa, foram 68 milhões de beneficiários, o que corresponde à proporção de 4 em cada 10 brasileiros.

As regiões Norte e Nordeste, menos desenvolvidas economicamente, foram muito impactadas pelo programa. Cerca de R$125 bilhões, 43% dos recursos do auxílio, se destinaram às duas regiões. Conforme pesquisas dos economistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPel), houve alta de 6,5% do Produto Interno Bruto com os pagamentos.

Estudos de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indicam que o programa de assistência social deve ser mantido até o fim da pandemia do COVID-19, por questões sociais e econômicas.

O fim do Auxílio significa o desamparo total para amplas parcelas da população. O desemprego oficial se mantém na faixa de 14 milhões de pessoas, isso sem contar os contingentes de desalentados e os subempregados. Pela primeira vez na história do Brasil, mais da metade da população economicamente ativa está desocupada. Os mais atingidos pelo desemprego são os jovens, os negros e as mulheres. Economistas indicam que mesmo se houver uma melhora momentânea na situação econômica, isso não vai se refletir no país como um todo, uma vez que as regiões menos dinâmicas e mais atrasadas permanecerão em condições difíceis.

A política dos golpistas é abandonar o povo à própria sorte, mesmo que a miséria e o desespero se aprofundem. O próprio Auxílio Emergencial foi uma política tímida de assistência social, implementada em virtude do medo de que a catástrofe econômica levasse a uma onde de saques e rebeliões generalizadas. Já no mês de setembro, o governo Bolsonaro diminuiu o valor de R$600,00 para R$300,00. A alegação é sempre a de que o Brasil não tem dinheiro para socorrer a população pobre, que não deve se acostumar a depender do governo. Contudo, o Estado nacional disponibilizou trilhões de reais para salvar os bancos e grandes capitalistas da ameaça de falência generalizada.

Como resultado da política econômica do governo, a inflação disparou, o que acelerou o processo em curso de deterioração das condições de vida das massas trabalhadoras. No ano de 2020, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV) fechou com alta de 6,30% superior a 2019, quando terminou com 4,6%. Os preços dos alimentos, alugueis, combustíveis e bebidas escalou. A imprensa capitalista já faz referência à possibilidade do retorno da hiperinflação. Os valores dos salários e benefícios sociais estão arrochados. A inflação galopante corrói sistematicamente o poder de compra dos salários.

A pandemia do coronavírus torna a situação ainda mais dramática. Desde o início da pandemia, não há uma política de organização do povo para enfrentar a doença. Os governos burgueses não distribuíram os equipamentos de proteção individual, não contrataram o pessoal da saúde necessário e ampliaram leitos de UTIs. Os programas sociais já existentes também não foram ampliados. O Auxílio Emergencial foi a única política, embora parcial e tímida, implementada para dar algum alívio à situação.

A morte de milhares de brasileiros vítimas do coronavírus todos os dias não parece ser motivo de preocupação para os governos burgueses. Em meio à explosão de casos, internações e mortes, procura-se retomar as aulas nas escolas e universidades. Isto é, transformar as escolas em locais de transmissão da doença para estudantes, professores, funcionários e pais de alunos. Como Bolsonaro assinalou, uma parcela da população inevitavelmente deverá morrer.

Os acontecimentos comprovam a essência do golpe de Estado de 2016. Os grandes capitalistas se apoderaram do Estado e os recursos públicos são utilizados em função de seus interesses. A fraude eleitoral que pôs Jair Bolsonaro na Presidência da República tinha por finalidade a implantação da política neoliberal. As medidas aprovadas pelo governo golpista de Michel Temer (MDB) inviabilizam o enfrentamento à doença, uma vez que os aumentos salariais estão proibidos e os investimentos públicos congelados até 2036.

Bolsonaro e os demais partidos golpistas  (PSDB, DEM, MDB, Progressistas, Republicanos, PL, PSD, PTB) insistem na argumentação de que é primordial preservar a política de austeridade fiscal sobre os gastos públicos. Isto deve ocorrer em detrimento dos interesses da população e contra a sua vontade. Os bancos e instituições financeiras não admitem que o governo gaste um centavo com a população, pois o pagamento dos juros da dívida pública devem ser o eixo fundamental da política econômica.

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