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Da redação – Publicamos abaixo contribuição de docentes de instituição do ensino superior (Educadores em Luta/PCO e setores independentes)  para o caderno de Texto 64º CONAD do ANDES:

Proposta para o Tema I: Movimento Docente e Conjuntura: avaliação da atuação do ANDES-SN frente às ações estabelecidas no 38° CONGRESSO;

Texto

Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

As gigantescas mobilizações do último dia 15, que levaram mais de um milhão de pessoas às ruas em mais de 300 cidades do País, integradas por uma maioria de jovens e trabalhadores da Educação, intensificaram a crise do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro e mostraram, claramente, o único caminho para que os explorados e suas organizações saiam vitoriosos contra o regime golpista e os  pesados ataques às condições de vida e trabalho da imensa maioria do povo brasileiro.

A palavra de ordem “Fora Bolsonaro” resume a tarefa central da esquerda e do movimento popular na etapa atual. Não é um governo legítimo, pois que foi eleito por meio da maior fraude eleitoral da história do País, não tem apoio da maioria da população e chegou ao poder devido a um golpe de Estado. Portanto, deve cair. Da mesma forma que, historicamente, o povo sempre clamou a derrubada de governos opressores, ditatoriais, antipopulares e exploradores, o povo deve (e já está fazendo) exigir o “Fora Bolsonaro”.

O governo golpista encontra-se agora em uma crise. A direita golpista, todavia, procura manipular o descontentamento popular a Bolsonaro a favor de seus interesses, buscando dar uma saída por cima, substituindo Bolsonaro por outros golpistas. Não podemos permitir isso.

Nesse sentido, é preciso que a classe trabalhadora, as organizações e movimentos populares intervenham na crise política do golpe e aponte uma perspectiva à esquerda. É preciso vincular a luta pela queda de Bolsonaro à luta pela liberdade de Lula e à exigência de novas eleições gerais.

A consequência direta e imediata da política de conciliação da “esquerda” acaba por traduzir-se em um “Fica Bolsonaro” que induz a um erro político colossal. Dirigentes políticos e dos movimentos de luta dos trabalhadores, que objetivam desmistificar qualquer possibilidade de conciliar os interesses dos trabalhadores com os do atual governo, precisam deixar claro que não dá para misturar as coisas, ou seja, propôr uma mobilização a cada momento do golpe com reivindicações imediatas e isoladas, sob o pretexto de que isso pode servir para “unificar” e fortalecer a luta. Isso, na verdade, enfraquece o poder de fogo das reivindicações das classes trabalhadoras.

Foi assim que os/as trabalhadores/as foram derrotados/as em todas as lutas parciais e na luta de conjunto contra o golpe de Estado. Perdemos na luta contra o congelamento dos gastos públicos (PEC 95), perdemos na luta contra a reforma trabalhista, perdemos na luta contra a reforma do ensino médio, perdemos na prisão de Lula, perdemos nas eleições e continuaremos perdendo se não fizermos a luta mais ampla e sem conciliações.

A sensação de que a cada minuto uma bomba explode aos nossos pés, não é um acaso e só é compreensível a partir da   análise de que há um programa fascista em andamento no país que colide diretamente com os interesses dos trabalhadores.

A política dos setores da esquerda que busca “ensinar Bolsonaro a governar”, “colocar o governo na linha” ou “fazer pequenas mudanças” no governo, como trocar o ministro fascista da Educação, acaba por reafirmar, mesmo que de forma indireta, um “fica Bolsonaro”.

Só a mobilização pelo “fora Bolsonaro” é consequente com a crescente rejeição de um governo que foi eleito com o voto minoritário do eleitorado (pouco mais de 30%).

Apostar no jogo institucional fazendo “oposição propositiva” na esperança de derrubar o governo através das instituições (como se fosse possível uma versão Bolsonaro 2.0, tipo Mourão), na prática, só ajuda o processo de saqueamento dos trabalhadores organizado por Bolsonaro. Desta forma, mais uma vez, é algo que se coloca contra as aspirações da população.

O dia 15 de maio mostrou o caminho das ruas e da luta política, de conjunto, contra o regime golpista capaz de unificar as lutas parciais com a luta geral em torno de questões claras e decisivas. Só assim pode-se construir um caminho capaz de derrotar, de forma geral, os golpistas e abrir caminho para vitórias reais e duradouras dos explorados. Isto fica claro, principalmente, em torno das reivindicações centrais das manifestações apresentadas nas suas palavras-de-ordem mais apoiadas: “fora Bolsonaro” e “Lula livre”.

Devido à grande polarização política a radicalização popular  está aumentando. Existe uma tendência cada vez maior pela derrubada de Bolsonaro e dos golpistas. É preciso que os movimentos de luta contra o golpe, como os partidos de esquerda, as organizações sindicais como a CUT, o ANDES e de outros setores populares como o MST, organizem essa tendência pelo “fora Bolsonaro”, fazendo uma ampla campanha com essa palavra de ordem nos locais de trabalho, estudo e moradia, para que os atos, como o do dia 15, se radicalizem ainda mais e se transformem em um movimento de enormes proporções que seja capaz de derrubar definitivamente Bolsonaro e o golpe em seu conjunto,  colocando em seu lugar um governo dos trabalhadores e das classes populares.

TR Tema 1.

 1.Por uma política que organize a classe trabalhadora  contra todos os ataques a seus direitos, através da unidade com os movimentos sociais, partidos de esquerda e sindicatos, em manifestações, atos e outras formas de resistência em consonância com a defesa desses direitos.

 2. Adotar a consigna “Fora Bolsonaro, seu vice Mourão e todos os golpistas. Eleições gerais já!

Assinam sindicalizados : Antônio Vicente Seraphim Pietroforte (USP), Maria de Lourdes Rocha Lima Nunes (ADUFPI), Silvina Liliana Carrizo, Giselle Moraes Moreira, Lisleandra Machado (APESJF)Antonio Eduardo Alves de Oliveira ( APUR); Fabio Venturini (ADUNIFESP), Ariuska Karla Barbosa Amorim, Daniela Favaro Garrossini, Maria Auxiliadora Cesar e Patricia Cristina da Silva Pinheiro, Maria Lúcia Pinto Leal, Cristiano Guedes de Souza- ( ADUNB), Adroaldo oliveira dos santos, Anselmo de Lima Chaves (Adufs-Ba), Eunice Léa de Moraes, Ari de Sousa Loureiro (ADUFPA), Junia Claudia Santana de Mattos Zaidan – ADUFES, Eduardo Forneck (APROFURG),

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