Movimento estudantil
É preciso criar uma alternativa ao ENEM, algo que só pode ser feito pela mobilização da juventude em torno de uma pauta fundamental: a abertura generalizada das universidades
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Milton Ribeiro é mais um carrasco do povo, impedindo o ingresso da juventude ao ensino público | Foto: Reprodução

Uma das datas mais importantes de todo o calendário letivo se aproxima e, com ela, a ansiedade e as preocupações de milhares de estudantes de todo o Brasil se intensificam. Estamos falando do ENEM, o principal vestibular utilizado por diversas universidades de todo o País para “possibilitar” o ingresso da população às instituições públicas de ensino superior. Entretanto, no ano de 2020, que já contou com mais surpresas do que podíamos esperar, para falar o mínimo, esses receios são direcionados a uma questão muito mais fundamental do que simplesmente tirar uma boa nota: a crise sanitária que se instaurou em decorrência do coronavírus.

Até o momento, a juventude brasileira já vivenciou uma série de polêmicas envolvendo o ENEM de 2020. Em um primeiro momento, surgiu a luta por seu adiamento, pauta que, principalmente agora, se mostrou completamente inútil, ainda mais à luz da mobilização virtual que foi feita ao redor da questão, uma vez que a pandemia se encontra ainda pior e, mesmo assim, a prova será realizada. Fato que desemboca na segunda e mais grave questão, que é o vestibular em meio à pandemia.

Neste momento, quase 6 milhões de pessoas estão inscritas no ENEM, com mais de 90% delas realizando a prova em âmbito presencial. Ou seja, é um tipo de situação que, inevitavelmente, resultará na morte de milhares de pessoas ao redor de todo território nacional. Afinal de contas, a máscara, por si só, não faz mágica, existindo ainda um risco de contaminação, ainda mais quando levamos em conta que a maioria dos locais onde será realizada a prova não possui absolutamente nenhuma infraestrutura adequada para impedir a proliferação do vírus. Ademais, é preciso denunciar a medida absolutamente autoritária de que, caso o aluno não esteja utilizando a máscara, será eliminado do ENEM. Fornecer o equipamento de segurança àqueles que não possuem as condições? Não. Simplesmente excluir ainda mais a classe operária do ambiente universitário.

Além da questão sanitária, é preciso analisar o que a marca de 6 milhões de inscrições no ENEM representa. Primeiramente, este número vem caindo há alguns anos, principalmente desde o golpe de estado de 2016. Em 2014, por exemplo, o número de inscritos se aproximou das 10 milhões de pessoas. Em segundo lugar, a taxa de abstenção nos dias das provas é alarmante, variando entre 25% e 30% do total de inscritos, número que deve aumentar consideravelmente em meio à crise do coronavírus. Por último, o número de aprovados. Por mais que 6 milhões de pessoas estejam inscritas, menos da metade terá a oportunidade de ingressar, efetivamente, em uma universidade pública.

Portanto, fica claro que o ENEM, por mais que tenha, de fato, facilitado o ingresso da população às universidades, é, ainda, uma medida completamente paliativa que, principalmente com o governo Bolsonaro, representa uma verdadeira barreira burocrática à popularização do ensino superior. Afinal, quem acaba passando é, via de regra, a classe média, que estudou em escolas particulares e teve as condições de pagar por um cursinho pré-vestibular, excluindo massivamente a população pobre do espaço universitário.

Nesse sentido, é preciso criar uma alternativa a este processo, algo que só pode ser feito pela mobilização da juventude em torno de uma pauta fundamental: a abertura generalizada das universidades. Afinal de contas, o governo possui fundos de sobra para garantir que todos possam participar do ensino superior sem muitas dificuldades. Os vestibulares são, desta forma, um mecanismo a ser ultrapassado, um mecanismo que tem o único propósito de barrar o livre ingresso às universidades e manter a classe operária em sua posição subjugada e alienada dentro do sistema capitalista.

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