6 de março de 1817, Pernambuco realiza uma revolução contra o domínio colonial português

Bênção_das_bandeiras_da_Revolução_de_1817

Há 202 anos atrás, no dia 6 de março de 1817, eclodia a Revolução Pernambucana, que também ficou conhecida como Revolução dos Padres devido à forte participação do Seminário de Olinda, que era filiado às ideias iluministas.

Dentre as causas desse movimento de emancipação estão o fato que de que Pernambuco era obrigado a enviar para o Rio de Janeiro grandes somas de dinheiro para custear a Família Real, recém-chegados ao Brasil, ou seja, para sustentar os salários, comidas, roupas e festas da Corte. Era grande a insatisfação local ante a obrigatoriedade de se pagarem impostos para a manutenção da iluminação pública do Rio de Janeiro, enquanto em Recife era praticamente inexistente a iluminação. Gastos como esse dificultavam o enfrentamento de problemas locais, como a grande seca que havia atingido a região em 1816, acentuando a fome e a miséria e ocasionando uma queda na produção do açúcar e do algodão, produtos que eram a base da economia de Pernambuco.

Nesse contexto, ganharam espaço e tornaram-se muito influentes as ideias iluministas que vieram a impulsionar o levante revolucionário, que foi além da conspiração e chegou a tomar o poder. Em 6 de março de 1817 foi ocupada a cidade de Recife. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como “Leão Coroado”, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo. Tendo conseguido dominar o Governo de Pernambuco, se apossaram do tesouro, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.

Em 29 de março foi convocada uma assembleia constituinte, que estabeleceu a separação entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; o catolicismo foi mantido como religião oficial, porém com liberdade de culto; foi proclamada a liberdade de imprensa (uma grande novidade no Brasil); e foram abolidos alguns impostos. A escravidão, entretanto, foi mantida.

O governo revolucionário durou três meses. Entretanto, as tentativas de obter apoio das capitanias vizinhas fracassaram e a revolução foi duramente reprimida. Tropas portuguesas chefiadas por Luís do Rego Barreto avançaram pelo sertão de Pernambuco a partir do território baiano, enquanto uma força naval despachada do Rio de Janeiro bloqueou o porto do Recife. Em poucos dias 8 mil homens cercavam a capitania. No interior, a batalha decisiva foi travada na localidade de Ipojuca. Derrotados, os revolucionários tiveram de recuar em direção ao Recife. Em 19 de maio as tropas entraram na cidade e a encontraram abandonada e sem defesa. O governo provisório, isolado, se rendeu no dia seguinte e muitos dos revolucionários foram executados.

Além das execuções outra forma de retaliação foi o desmembramento da comarca de Alagoas, cujos proprietários rurais haviam se mantido fiéis à Coroa e foram recompensados com o direito de formar uma capitania autônoma.

Episódios como esse costumam ser escondidos da população ou tratados de forma discreta justamente por revelarem as tendências revolucionárias existentes no interior do povo brasileiro. Por isso mesmo, é preciso lembrar desses acontecimentos, visto que experiências como essa foram de grande importância e decisivas para os desenvolvimentos posteriores da história do Brasil.