Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
AleksandrPushkin
|

Alexander Sergeievitch Puchkin, um dos maiores poetas da literatura universal, nasceu em Moscou há 220 anos. O escritor pertencia à nobreza russa, tendo estudado no Liceu Imperial do Tsarskoye Selo – palácio de verão do tzar.

Puchkin era mulato, bisneto do etíope Abram Petrovich Gannibal (1696-1781), engenheiro militar formado em Paris, conhecido de Voltaire, Montesquieu e Diderot. Conhecido entre eles como “estrela negra do iluminismo”, viveu na corte russa como protegido do tzar Pedro, o Grande, onde projetou inúmeras fortificações e canais. De fato, Puchkin foi educado em francês – língua que conhecia melhor que a de seu país e não por acaso o pensamento da Ilustração persistiria como uma referência permanente para o poeta, que considerava Voltaire, por exemplo, “o primeiro a seguir a nova estrada, e a trazer a lanterna da filosofia aos arquivos obscuros da história”.

No dizer de Otto Maria Carpeaux, “Puchkin percorreu nos 20 anos de sua carreira literária todos os estilos, e mais ou menos na mesma ordem cronológica na qual a Europa os tinha percorrido: classicismo francês, pré-romantismo anglo-alemão, romantismo byroniano, para chegar a um novo classicismo sui generis”.

Expressão de tal maturidade algo precoce, sua obra Eugênio Onieguin é considerada o primeiro grande romance russo. Publicada em fascículos entre 1825 e 1832, o poema explora – também na visão de Carpeaux – “o tipo do aristocrata russo ocidentalizado, ‘blasé’, o ‘homem inútil’ que será o personagem principal de tantas obras de Turgeniev, de Gontcharov, de Tolstoi e, enfim, de Tchekov, com o qual a grande literatura russa do século XIX terminará. Esse Puchkin nacional, nacionalíssimo, é o criador da Rússia literária”.

Outras obras importantes do poeta seriam Ruslan e Ludmila – primeira publicação de vulto, ainda em 1820 –; O Prisioneiro no Cáucaso (1822); O chafariz de Baktchisarai (1827); Os Ciganos (1827); Poltava (1829); a tragédia histórica Boris Godunov (1831); Mozart e Salieri (1932); O convidado de pedra (1832); O cavaleiro de Bronze (1833); Pique-Dame (1834); A filha do Capitão (1836).

Frequentador da vida cortesã e ácido crítico da aristocracia praticamente feudal russa, Puchkin teria uma vida pessoal conturbada. Embora tivesse se casado com Natália Goncharova em 1830, envolveu-se em diversos casos amorosos e em nada menos que 30 duelos, sendo finalmente morto num desses confrontos em 1837 – ironicamente após desafiar um suposto amante de sua esposa, o diplomata francês Georges-Charles de Heeckeren d’Anthès.

Tal inquietação, como não poderia deixar de ser, se refletiria na postura política liberal e progressista de Puchkin, cujo ativismo levaria ao seu banimento de São Petersburgo em 1820. Tal condição levou-o a uma vida seminômade, entre a corte e outras regiões do império russo como o Cáucaso, a Crimeia, a Ucrânia e a Moldávia – onde se tornaria maçon. Em 1825, se veria implicado na chamada Revolta Dezembrista na capital, em que 3 mil soldados tentaram impedir a coroação do tzar Nicolau I, sendo mais uma vez exilado.

Sua obra seria o fundamento de grande parte da arte russa subsequente, tendo servido não apenas de inspiração direta para toda a literatura russa posterior, como também de base para óperas, balés, peças teatrais e filmes. Eugenio Onieguin, por exemplo, se transformaria em ópera pelo gênio de Tchaikovsky em 1879, e em peça musicada por Taírov e Prokofiev em 1936.

Façamos nossas uma indagação e sua resposta planteadas na década de 1930 pelo grande escritor revolucionário russo Máximo Górki (1868-1936):

O que Puchkin tem a oferecer ao leitor proletário?

Primeiramente, a partir de seu trabalho criativo, nota-se que o escritor, rico em seu conhecimento da vida – carregado de experiência, por assim dizer – irrompe além dos marcos da psicologia de classe em suas concepções artísticas (Eugênio Onieguin, Conde Nulin, Dubrovski) e transcende as tendências de sua própria classe, apresentando tal classe objetivamente, a partir de seus aspectos exteriores, como uma organização malograda e discordante de um recorte da experiência histórica; e internamente como um psicologismo de busca interior, repleta de contradições irreconciliáveis.

Assista também no Youtube a palestra “Literatura Russa dos primórdios até o final do século XIX” por Afonso Teixeira.

 

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas