55 anos sem Martin Luther King: a paz fracassou, a revolução é caminho para os negros

martin-luther-king-jr

O povo negro foi oprimido, e ainda é, em quase a totalidade do globo. Os estados nacionais imperialistas dispõe de mecanismos de repressão qualificada para massacrar, torturar e assassinar os negros. Métodos exortados para os demais países, como o Brasil.

O negro nunca se colocou de acordo com essa situação e experimentou, ao longo de sua história e de suas organizações, as mais variadas formas de resistências, da qual a pacifista foi instigada e defendida por Martin Luther King Jr. o pastor negro, adepto da não-violência, e ironicamente assassinado pelas forças de repressão aos dias 04 de abril de 1968.

Ainda nos anos 1950, em parceria com Rosa Parks, King liderava o boicote aos ônibus segregados de Montgomery, tendo sido ameaçado de morte e sua casa atacada pelos racistas, com paus, pedras e fogo.

As marchas organizadas por King foram em defesa do voto, do direito de ir e vir, do negro frequentar locais públicos sem ser discriminado e em defesa de outros direitos democráticos elementares do negro nos Estados Unidos. O método basicamente era marchar, pacificamente, e não reagir aos ataques. A reação, para muitos, inclusive King, poderia desencadear ainda mais violência.

Diria King, em suas frases célebres: “Uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la.” Ainda: “A não-violência é uma arma poderosa e justa, que corta sem ferir e enobrece o homem que a empunha. É uma espada que cura”. Por fim, também em sua autobiografia, diz o líder da Marcha sobre Washington: “Durante toda a minha vida adulta, deplorei a violência e a guerra como instrumentos para alcançar soluções para os problemas da humanidade. Eu estou firmemente comprometido com o poder criativo da não-violência como a força que é capaz de ganhar fraternidade duradoura e significativa, e paz. ”

King teve o mérito de levar adiante, às últimas consequências, sua forma de pensar, a forma que ele havia entendido como correta para lutar contra o regime capitalista, contra o racismo.

O problema é que, como foi visto em milhares de casos, antes e depois de King, o regime se impõe de forma violenta. Até porque é a única maneira de um sistema capitalista se impor, de impor sua tortura diária, sua exploração, fome, morte. Tudo isso só pode ser mantido pela força, não pelo argumento.

Também por isso se explica a existência das forças de repressão dos estados. Estão aí não para combater crime, mas para impor a vontade da burguesia, para impor a tortura como forma de vida.

Contra o negro tudo isso é ainda pior. Muitos, como Malcolm X, compreenderam que era necessário reagir pela força diante do regime. Que era necessário estar armado para impedir que a polícia massacre a juventude e os trabalhadores negros.

Quando volta de sua viagem à África, conforme é observado por Alex Haley, na biografia de Malcolm X, o líder dos Panteras Negras estava disposto a não só libertar os negros, mas todo o povo oprimido do regime capitalista. Foi assassinado em seguida.

Centenas de anos antes, Zumbi organizava o Quilombo dos Palmares, que deitou por terra inúmeros soldados dos exércitos da coroa. João Cândido, em posse de um canhão, durante a Revolta da Chibata (1910), avisou: “ou os castigos da Marinha acabam, ou vamos bombardear a sede do governo”.

King tentou pela via da paz, mas a burguesia se impôs pela força, mataram-no. Ele colocou a questão dos direitos dos negros como uma questão de consciência individual, mas não é isso que ocorre. A escravidão acabou em termos jurídicos, mas os brancos ainda exploram os negros. Ainda usam da Polícia e da política para mantê-los em cativeiro, e não há mudança de opinião que fará os de cima descer ao nível dos de baixo.

Ele também colocou como uma possibilidade o fim da exploração do negro nos marcos capitalistas, mas isso, infelizmente, é inviável. O capitalismo é um sistema que organiza a opressão, que usa-a para manter o domínio da burguesia, o racismo é parte fundamental do sistema, não uma anomalia. Nessa situação cria-se uma avenida para a luta da negro.

A luta do povo negro pela sua libertação é também uma lua pelo fim da exploração da burguesia, tornando assim uma luta pelo socialismo. A luta do povo negro se é socialista é também a luta da classe operária, portanto os negros encontraram um poderoso aliado, o resto do povo trabalhador e oprimido.

As lições todas foram dadas por esses mártires da luta do negro, todos foram assassinados. E está colocado para o negro a experiência definitiva para sua libertação, a luta revolucionária pela tomada do poder, em conjunto com a classe operária. Único meio de pôr fim de uma vez por todas às atrocidades do capitalismo contra o negro.

A paz de Martin Luther King fracassou, não cometamos o mesmo erro deles, a luta agora tem que ser pela revolução.