Fora Bolsonaro
Diante do coronavírus, as populações quilombolas estão totalmente expostas, sem politicas de saúde e segurança por parte dos governos o que se prevê é um genocídio em massa.
Marcha das mulheres quilombolas
Marcha das mulheres quilombolas. Foto: Ana Carolina Fernandes/Conaq. |

Segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), no Brasil tem mais de 6 mil comunidades quilombolas com uma população de aproximadamente 16 milhões de pessoas, pouco mais de 30%, são de idosos. Apesar de um terço da população ter mais de 60 anos e fazerem parte do grupo de risco do novo vírus Corona, as lideranças afirmam que não teve nenhuma ação efetiva do governo para o combate, nem informação e muito menos medidas de prevenção para com eles.

“Estamos preocupados com a vida dos nossos anciões. As políticas públicas não chegam nos quilombos. O pouco que chegou veio com o Mais Médicos, mas acabou quando os cubanos foram embora. As comunidades estão em regiões isoladas. Além disso, por conta dos recursos naturais, tem muita gente querendo expulsar os quilombolas que estão ali há 300, 400 anos”, disse Biko Rodrigues, liderança da Conaq, para o Yahoo Noticias.

A medida de isolamento social nos Quilombos na tentativa de combate ao vírus, não está permitindo que as populações frequentem suas roças, sem produzir o alimento não tem como sustentar as comunidades. Sem proteção e fiscalização muitos seguem trabalhando. A situação dos quilombolas em áreas urbanas o contexto é o mesmo, já que a maioria deles trabalham na construção civil, autônomos, empregadas domésticas, diaristas, ou atuam em trabalhos informais. Para eles o isolamento é uma farsa, pois nenhuma garantia de renda lhes foi assegurada.

Em uma carta assinada por mais de 20 comunidades quilombolas a Frente em Defesa dos Territórios Quilombolas do Rio Grande do Sul, ao lado de outras organizações denunciam o descaso e o abandono com os Quilombos e apresenta medidas efetivas para que sejam adotadas pelos governos em questão de urgência para garantir a sobrevivência das comunidades. No inicio do documento fica clara a denuncia, “Os governos nas três esferas de Estado estão conscientemente utilizando o coronavírus como arma biológica contra a maioria afro-indígena do país.”

De acordo com as lideranças até agora não houve nenhum pronunciamento da Fundação Palmares, do Incra, do Ministério da Saúde, ou de órgãos dos Estados e Municípios considerando as necessidades de saúde e direitos desses povos diante da pandemia. Além deste problema, centenas comunidades enfrentam ações de despesos, perseguição e violência por parte de latifundiários e especulação imobiliária que tem interesse financeiros nas terras ocupadas pelas populações quilombolas à anos.

Como o caso que aconteceu no Maranhão na última sexta-feira (27) em que uma resolução do governo federal, assinada pelo general Augusto Heleno publicada no Diário Oficial da União, afirma que o governo irá remover aproximadamente 800 familias do Quilombo Alcântara. A área ocupada pela comunidade irá servir para expandir o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Local este que foi entregue para os americanos sem receber nada em troca em um acordo do governo fraudulento e capacho de Bolsonaro com os Estados Unidos.

No entanto diante da situação de genocídio que se aproxima das comunidades quilombolas é necessário tomar medidas de organização e mobilização dessa população. É preciso formar conselhos populares nos Quilombos, sendo essa a única forma de organizar e lutar contra a omissão e descaso total dos governos neste momento em que povo pobre e preto está totalmente exposto a uma pandemia global que pode matar milhares nas regiões marginalizadas.

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