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O imperialismo norte-americano está levando a cabo uma nova investida golpista contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, com graves ameaças de invasão militar para derrubar o presidente legítimo e afogar em sangue a organização da classe trabalhadora venezuelana.

Entretanto, o povo venezuelano está mobilizado e preparado para defender o país de uma intervenção imperialista. São 1,6 milhões de milicianos pertencentes à Milícia Nacional Bolivariana, e esse número irá chegar a 2 milhões em abril. Trata-se de uma organização composta por trabalhadores, camponeses e moradores dos bairros populares, que se armam com fuzis para proteger o movimento popular.

Desde o último domingo (10), está sendo realizado o mais importante exercício cívico-militar da história da Venezuela, segundo Maduro. Cívico-militar, porque não é apenas a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) que participa, mas também os civis, os cidadãos, que vão aprender a manejar armas e se preparar para a guerra. A milícia também tem um papel ativo nesses exercícios.

A Venezuela deve seguir o exemplo de outros países que conseguiram vencer a invasão imperialista. A seguir, listamos esses exemplos:

1. Rússia Soviética

Em 1917, os operários russos realizaram, sob a direção do Partido Bolchevique de Lenin e Trótski, a maior revolução da história da humanidade, e primeira revolução proletária que abriu o caminho e inspirou o movimento popular desde então.

A Rússia dos sovietes expropriou a propriedade privada, nacionalizou a terra e saiu da Primeira Guerra Mundial. Devido a isso, e ao exemplo que poderia ser seguido pelo resto do proletariado europeu, as potências imperialistas não poderiam permitir que o maior país do mundo – com fronteiras na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, permanecesse sob o controle dos trabalhadores na construção de um Estado Operário.

Então, logo após a Revolução de Outubro, em 1918 começou a chamada “guerra civil” russa, quando o Exército Vermelho protegeu a Revolução da contrarrevolução, cujo elemento principal era o Exército Branco. Com o fim da Guerra Mundial, houve a intervenção direta de 14 exércitos imperialistas contra o Estado Soviético, para esmagar a Revolução.

Iniciando pelo extremo-oriente russo, as tropas pertenciam aos seguintes países imperialistas e seus fantoches: Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Índia, França, Itália, Japão, Romênia, Sérvia, Polônia, Grécia, Tchecoslováquia.

No entanto, o Exército Vermelho, liderado por Leon Trótski e formado por operários, camponeses e soldados revolucionários, alcançou uma vitória gloriosa e que só foi possível porque era um exército verdadeiramente popular, composto pela vanguarda da Revolução de 1917. Foi a primeira grande derrota militar do imperialismo, e demonstrou como a força da classe trabalhadora pode derrotar qualquer inimigo se organizada por um partido operário e revolucionário.

2. Coreia

Os russos conseguiram derrotar o imperialismo porque o Partido Bolchevique foi, em toda a história, o partido mais preparado na luta de classes, inclusive militarmente. Após ele, nenhum outro partido conseguiu tamanha organização e rigor.

Na Coreia, o movimento de independência contra o Japão se iniciou no início da década de 1920, com o despontamento da liderança de Kim Il Sung. Ele elevou adiante a guerra de libertação contra os colonialistas japoneses, que uniu ao longo do tempo amplas massas trabalhadoras e camponesas até finalmente libertarem o país em 1945.

Logo após isso, percebendo que os comitês populares – uma espécie de sovietes coreanos – tomariam conta de toda a península e fariam uma revolução em toda a Coreia, os Estados Unidos (que haviam ocupado o Japão, rendendo o inimigo no final da Segunda Guerra Mundial) invadiram a parte Sul da Coreia e dividiram o país em dois.

Em 1950, os imperialistas provocaram uma guerra a fim de ocupar todo o território coreano – incluindo o que estava sob o domínio comunista de Kim Il Sung e do Partido do Trabalho. Após o Exército Popular Revolucionário do Norte chegar ao extremo-sul da Península, impondo uma derrota parcial aos Estados Unidos, estes aproveitaram que a União Soviética estava ausente do Conselho de Segurança da ONU e aprovaram uma resolução que permitia a intervenção militar de Washington e de seus capachos.

Os EUA empurraram o exército norte-coreano até o extremo-norte da Península e chegaram a ocupar Pyongyang. Na Coreia do Norte, desferiram uma série de bombardeios que devastaram o país. A China, que acabara de ter uma revolução vitoriosa, saiu em socorro dos norte-coreanos e enviou milhões de voluntários, que expulsaram os norte-americanos de sua fronteira e, junto com o exército norte-coreano, conseguiram fazer os imperialistas recuarem até a fronteira entre Norte e Sul. Em 1953, foi assinado um tratado de armistício que não colocou fim à guerra, mas que demonstrou que o imperialismo norte-americano não tinha condições de guerrear para invadir a Coreia do Norte. Assim, os coreanos do Norte expulsaram o imperialismo e libertaram o país, com a ajuda importante de seus aliados chineses.

3. Cuba

A ilha caribenha foi outro país invadido pelos Estados Unidos porque realizou uma revolução social. A Revolução Cubana de 1959 foi o mais duro ataque aos interesses imperialistas na América Latina, por isso o imperialismo percebeu que deveria derrubá-la.

Por isso, em abril de 1961, o governo dos Estados Unidos organizou uma operação de invasão militar a Cuba, fazendo uso principalmente de mercenários da burguesia e pequena burguesia, cubanos emigrados para Miami após a Revolução e que queriam retornar o país aos tempos de servilismo, quando Cuba era um bordel dos EUA e esses mercenários conseguiram grandes privilégios.

As tropas realizaram uma incursão na Baía dos Porcos, em Playa Girón, no oeste de Cuba. Fidel Castro, o líder revolucionário que já era, na prática, o comandante da ilha, liderou ele mesmo a resistência militar dos cubanos, indo com o exército popular até o local para impedir a invasão.

A chamada Batalha de Girón durou apenas dois dias, uma vez que a pequena ilha, recém-iniciada a Revolução, espantou os invasores contrarrevolucionários, revelando que o imperialismo estava em uma profunda crise já naquela época e não conseguia nem mesmo recuperar um território perdido para o povo daquele país. Ainda mais porque Cuba não recebeu o apoio de nenhum outro país, venceu o imperialismo norte-americano sozinha.

4. Vietnã

Foi também na mesma época da invasão fracassada da Baía dos Porcos que o imperialismo norte-americano organizava uma outra empreitada, desta vez do outro lado do globo. Em 1961, já era preparada a invasão do pequeno Vietnã.

A Ásia estava em uma profunda convulsão social, com movimentos de libertação nacional e comunistas brotando por todos os lados, fruto da crise imperialista aberta pela Segunda Guerra Mundial e o exemplo vitorioso das revoluções chinesa e coreana. O Estados Unidos não podiam admitir a perda tão grande de influência na região.

O Vietnã acabara de derrotar os imperialismos japonês e francês, mesmo sendo divido em dois – um governado por um regime nacionalista e popular, outro que não passava de um fantoche dos capitalistas. Assim, em agosto de 1964 os Estados Unidos fabricaram o chamado incidente do Golfo de Tonkin, que deu início à agressão, colocando a culpa do afogamento de um barco norte-americano no governo da República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte).

Isso foi seguido por uma gigantesca operação militar, na qual um grande contingente de forças norte-americanas foi mobilizado para atacar o Vietnã do Norte, e também o Vietnã do Sul, que tinha a famosa guerrilha comunista conhecida como Vietcong. Essa guerrilha era acusada pelo governo reacionário do Vietnã do Sul e pelo imperialismo de ter ligação com o governo norte-vietnamita, do líder Ho Chi Minh.

Foi um dos maiores crimes contra a humanidade, crimes de guerra, perpetrados na história. Uma invasão que destruiu o Vietnã, suas plantações, suas cidades, assassinou populações imensas. Mesmo assim, os vietnamitas, sem 1% do poderio militar norte-americano, sob o comando bélico do general Giap e a doutrina da guerra de todo o povo, finalmente conseguiram derrotar o imperialismo e, em 1975, obrigaram os EUA a se retirarem, alcançando a reunificação sob o governo do Vietnã do Norte, fundando assim a República Socialista do Vietnã.

5. Síria

O exemplo mais recente de derrota do imperialismo norte-americano é a atual guerra na Síria. Em 2011, em meio à Primavera Árabe, o governo de Bashar al-Assad viveu um momento de grande desestabilização, com ondas populares pedindo a sua renúncia.

O imperialismo aproveitou a situação para impor a sua política, ao estilo do que fez na Líbia no mesmo ano. Assim, com a guerra civil síria dividindo o país entre apoiadores do governo e o Exército, de um lado, e rebeldes muitas vezes armados por países como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Turquia, o imperialismo viu uma chance de conquistar o território sírio, rico em petróleo e localizado em uma região estratégica.

Os Estados Unidos estiveram envolvidos desde 2011, mas a partir de 2014 criaram uma coalizão internacional com mais 70 países para intervirem diretamente na Síria tentando derrubar o governo.

De lá para cá, foram centenas de bombardeios e ataques aéreos a diversos locais do território sírio controlados pelo Estado Islâmico mas também pelas tropas do governo. A desculpa, como sempre, é combater o terrorismo, mas também há o objetivo declarado de derrocar Assad.

Na última segunda-feira (11), por exemplo, essa força imperialista causou a morte de ao menos 70 civis no sudeste da Síria.

Outra forma de intervenção, além dos bombardeios e do apoio a grupos opositores armados, é a ocupação territorial militar, na zona do Curdistão sírio. Lá, os EUA criaram uma zona em que formaram bases militares de ocupação, ilegais, obviamente, e por lá continuam.

No final de 2018, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que o país irá iniciar a retirada de suas tropas. Uma ala do imperialismo percebeu que não adiantou todo o dinheiro gasto na deposição de Assad e domínio da Síria, especialmente porque esta recebeu fundamental apoio da Rússia e do Irã, que têm sustentado Assad há anos diante do ataque imperialista. Esta é uma humilhante e certa derrota do imperialismo, que já não domina (direta ou indiretamente) quase nenhuma parcela do território sírio.

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