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tonelero
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Era madrugada quando Carlos Lacerda, líder da direitista UDN, desembarcava de um carro em sua casa, na rua Tonelero, Copacabana, Rio de Janeiro. Lacerda voltava de um comício no pátio do Colégio São José, acompanhado de seu filho Sérgio, de 15 anos, e do major-aviador Rubens Florentino Vaz, que fazia sua segurança. Das sombras, uma pessoa abriria fogo contra os três e fugiria. Lacerda foi atingido no pé, e o major Vaz, atingido por dois projéteis calibre 45, morreria a caminho do hospital. Com o atentado, o país de via na iminência de um golpe de Estado comandado pelo Imperialismo e capitaneado pela UDN contra o governo de Getúlio Vargas, eleito em 1950. A crise só teria fim com o suicídio do presidente no dia 24 de agosto de 1954.

A tentativa de golpe de Lacerda guardou muitas semelhanças com o golpe bem-sucedido ocorrido no Brasil em 2016, e se alinhava com uma série de outros golpes em toda a América Latina. Assim como recentemente, o modus operandi foi combater a popularidade do governo de tipo nacionalista burguês de Vargas imergindo-o num suposto mar de lama envolvendo pessoas próximas ao Presidente. À exceção do jornal Última Hora de Samuel Weiner, todos os grandes órgãos de imprensa colaboraram para a desestabilização do governo com uma intensa campanha de propaganda.

À semelhança de Aécio Neves e o PSDB no golpe de 2016, Lacerda e a UDN eram histriônicos em seus ataques ao governo, colaborando decisivamente para sua desestabilização desde o período eleitoral. É de Lacerda a famosa expressão sobre Getúlio, comparável a vários discursos de Aécio após sua derrota em 2014, e que daria o tom para a prisão de Lula: “Esse homem não pode ser candidato; se candidato não pode ser eleito; se eleito não deve tomar posse; se tomar posse não deve governar”.

Evidentemente, no caso do atentado, o inquérito policial implicaria de modo célere pessoas próximas a Vargas. Três dias, depois, Gregório Fortunato – o Anjo Negro da segurança do presidente – confessaria misteriosamente ter sido o mandante do atentado, levando à prisão do também segurança Climério Euribes de Almeida e do pistoleiro Alcino João do Nascimento e de outro integrante da guarda presidencial. Julgados e condenados, Gregório e Climério seriam mortos no cárcere poucos anos depois, enquanto Alcino sobreviveria a duas tentativas de assassinato.

Com a crise instalada, formou-se uma gigantesca crise no governo, com a oposição udenista bradando pela renúncia de Vargas, com apoio de um setor das Forças Armadas. Getúlio entraria no seu quarto afirmando: “Só morto sairei do Catete!”, suicidando-se em seguida com um tiro no peito.

Desnecessário apontar a semelhança do atentado fajuto e do amadorismo dos pistoleiros com o caso da suposta facada desferida por Adélio Bispo em Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. Nesse caso mais recente, em que misteriosamente os seguranças do candidato permitiram a aproximação de um agressor durante uma passeata, nem Bolsonaro nem o Ministério público sequer se deram ao trabalho de recorrer da sentença judicial recente que inocenta Adélio por insanidade mental.

Assim como em 1954, um atentado suspeito contra o líder da direita foi usado como alavanca para promovê-lo. Lacerda conspiraria contra a posse de Juscelino Kubitschek, seria eleito deputado e em seguida Governador da Guanabara. Apoiaria o golpe militar de 1964 e seria descartado pelo Imperialismo e pelos militares. Não houve eleições em 1966, Lacerda seria cassado e preso em dezembro de 1968. Morreria no ostracismo em 1977, provavelmente assassinado pela repressão, na mesma época em que Juscelino e João Goulart também morriam misteriosamente.

 

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