5 coisas que mostram que o julgamento de Lula no STF é uma farsa

Alexandre de Morais

Só sendo muito ingênuo ou direitista incorrigível para considerar “normal” o julgamento de Lula no STF.  Numa rápida passada de olhos, vários fatores no mínimo estranhos podem ser aventados como comprometedores da lisura do processo. Os advogados de Lula pediram num recurso ao STF que sejam suspensos os efeitos de sua condenação. Com isso, a prisão do ex-presidente poderia ser revogada e ele poderia registrar sua candidatura, pois não estaria mais enquadrado na Lei da ficha Limpa.

Lula foi detido no dia 7 de abril e desde então cumpre pena em uma sala na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. A prisão dele foi autorizada pelo próprio pleno do Supremo, que negou um habeas corpus preventivo do ex-presidente no dia 5 de abril e abriu caminho para que ele fosse para a cadeia. No julgamento, que terminou com 6 votos a 5 contra o habeas corpus, os ministros do STF ratificaram a possibilidade de que réus condenados em segunda instância, como Lula, podem ser presos para cumprir pena.

1 – Em primeiro lugar, o fato de que, desde a origem do processo, nenhuma prova material do suposto “crime” foi apresentada.

2 – A celeridade incomum do julgamento por parte do TRF 4, que além do mais rejeitou o recurso da defesa pela liberdade de Lula.

3 – O fato de que a prisão em segunda instância fere uma cláusula pétrea da constituição.

4 – O fato do ministro Edson Fachin ter remetido o recurso da defesa ao plenário, o que implicou um adiamento da decisão sobre a liberdade de Lula até o período das eleições.

5 – A escolha do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como relator do recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a decisão do ministro Edson Fachin. Como todo mundo sabe, Moraes tem íntimas relações com o PSDB.

Todos esses fatos são indicadores suficientes de que a prisão de Lula é na verdade uma prisão política, de que houve uma politização do judiciário e que agora a única forma de reverter o quadro é passar à ofensiva. É preciso ganhar as ruas. Exigir a liberdade de Lula e sua plena elegibilidade, é hoje a melhor maneira de se combater o golpe de estado.