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30 de julho de 1784 – morre Diderot, organizador da Enciclopédia

Há 235 anos, morria em Paris Denis Diderot. Um intelectual de origem pequeno-burguesa que organizaria, junto com d’Alembert, a grandiosa Encyclopédie: repositório gigantesco do conhecimento filosófico, artístico e tecnológico ocidental em suas mais variadas nuances.

Nascido em 6 de outubro de 1713 em Langres, filho de um cuteleiro, Denis Diderot estudou em colégios jesuítas em sua terra natal e em Paris, obtendo o título de Mestre em Artes – espécie de ensino médio entre os jesuítas – em 1735. Após uma breve tentativa na carreira jurídica como estudante e auxiliar de um promotor, opta por viver de escrever, lecionar e traduzir. Casa-se em 1743 com a plebeia Antoinette Champion, com quem teria uma filha.

Seus primeiros trabalhos incluem uma tradução da História da Grécia (1743) do inglês Temple Stanyan, bem como do Dicionário medicinal (1746-48) de Robert James. Em 1745, publicaria ainda uma tradução da Investigação sobre a virtude ou mérito do Conde de Shaftesbury, com notas suas.

Em 1746, publica os seus Pensamentos filosóficos – oficialmente condenado e banido pelo parlamento francês – e em 1749 a sua Carta sobre os cegos para uso daqueles que vêm – em defesa do materialismo e do ateísmo. Tais abusos com a igreja lhe renderam o cárcere nas masmorras de Vincennes – onde escreveu comentários ao primeiro volume da História natural de Buffon e Daubetoun. Diderot jamais deixou de escrever e publicar nos mais variados gêneros: novelas, teatro, ensaios sobre artes plásticas, tendo se tornado protegido da imperatriz russa Catarina, a Grande. Suas obras sempre foram dotadas de agudo sentido crítico, para Engels, por exemplo, o diálogo filosófico O sobrinho de Rameau (1762, publicada em 1805) é uma “obra-prima de dialética”.

A Enciclopédia monumental que Diderot editaria entre 1751 e 1780, em 35 volumes in-folio, seria talvez a grande obra do Iluminismo francês. Organizada inicialmente em 1745 pelo livreiro e impressor André le Breton como uma tradução da Cyclopædia, ou Dicionário Universal das Artes e Ciências do inglês Ephraim Chambers, o projeto ganharia maior vulto ao ganhar apoio dos também livreiros Claude Briasson, Michel-Antoiine David e Laurent Durand. O grupo finalmente contrataria para editar a obra Jean le Rond d’Alembert – matemático e membro da Académie des Sciences – e Denis Diderot – sobretudo por seu bom trabalho de tradução.

O propósito da publicação ganhou, evidentemente, o espírito livre de seus editores. Se as enciclopédias medievais eram Livros de Segredos das corporações de ofício – e tal caráter se manteria em muitas obras editadas até do século 18 – o propósito de Diderot e d’Alembert não era agradar acadêmicos embolorados, mas sim multiplicar o conhecimento técnico e científico de modo a promover o desenvolvimento dos povos. Para tanto, além do evidente trabalho de pesquisa, tradução gerenciamento de colaboradores, foi necessária toda uma estruturação racional dos mais diversos ramos do conhecimento humano, hierarquizando-os e ordenando-os no que d’Alembert chamaria de Sistema figurado dos conhecimentos humanos. O primeiro volume teria a mesma folha de rosto dos sete seguintes, em que se lia:

Encyclopedie de DAlembert et Diderot Premiere Page ENC 1 NA5Enciclopédia, ou Dicionário fundamentado das ciências, das artes e dos ofícios, por uma sociedade de literatos. Organizado e publicado pelo Sr. Diderot, da Academia Real de Ciências e Belas-Letras da Prússia; e, na parte matemática, pelo Sr. d’Alembert, da Academia Real de Ciências de Paris e daquela da Prússia, e da Sociedade Real de Londres. Paris, Briasson, David laîné, Le Breton, Durand, 1751-57.

Seria a maior enciclopédia já realizada, com 17 volumes de texto e 11 volumes de ilustrações no corpo do trabalho; suplementados por mais quatro volumes de texto e um de ilustrações; com dois volumes de índices.

Seu impacto foi incomensurável e de certa maneira revolucionário. Rapidamente espalhou-se por todo o mundo. Volumes da Encyclopédie – ou de resumos e outras obras conexas – são encontráveis tanto nas bibliotecas dos reis ou das universidades quanto nas dos juristas do interior de Minas Gerais ou de São Paulo ainda no século 18 – inclusive nas dos inconfidentes mineiros (1789) ou dos conjurados baianos (1798). Os mecanismos, os princípios físicos, químicos e geométricos ali codificados, permitiriam a eclosão da indústria nos mais diversos rincões das colônias americanas.

Denis Diderot foi um dos gigantes do Iluminismo, seu pensamento materialista, sua visão de filosofia e de ciência foi um necessário degrau entre a elegância concisa do empirismo inglês e o vigor revolucionário do materialismo de Marx. Como Engels escreveria em seu texto Ludwig Feuerbach:

A convicção de que a humanidade, pelo menos atualmente, se orienta, em linhas gerais, num sentido progressista, nada tem a ver com a antítese entre materialismo e idealismo. Os materialistas franceses possuíam esta convicção em grau quase fanático, não menos que os deístas Voltaire e Rousseau, chegando por ela, não poucas vezes, aos maiores sacrifícios pessoais. Se alguém consagrou toda sua vida pela “paixão pela verdade e pela justiça” – tomando-se a frase no bom sentido – foi por exemplo Diderot.

 

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