Golpe de Estado
Há catorze anos os EUA executaram o líder nacionalista do Iraque como parte do golpe de Estado que destruiu o País
Saddam Hussein capturado
Saddam Hussein quando capturado por soldados do imperialismo norte-americano | Foto: Reprodução
Saddam Hussein capturado
Saddam Hussein quando capturado por soldados do imperialismo norte-americano | Foto: Reprodução

Há 14 anos, o imperialismo norte-americano executava o líder nacionalista Saddam Hussein, como parte do golpe de Estado dos EUA, que invadiram e bombardearam o Iraque, utilizando a acusação de que haviam armas químicas no País para se apoderar de boa parte das suas riquezas, sobretudo do petróleo.

Em março de 2003, uma coalizão de países imperialistas liderada pelos EUA e pela Inglaterra invadiu o Iraque para depor Saddam Hussein, após o então presidente norte-americano George W. Bush acusar o líder nacionalista iraquiano de possuir armas de destruição em massa e de ter ligações com a Al-Qaeda.

A invasão do Iraque foi um verdadeiro golpe de Estado, que resultou na dissolução do Partido Baath de Saddam e na imposição da “democracia” imperialista, que impôs um governo postiço, que teve como objetivo liquidar o governo Hussein e promover a entrega das riquezas do País para os países imperialistas.

Com a invasão e o conflito estabelecido, Hussein foi capturado em 13 de dezembro de 2003, como parte de Operação Red Dawn e foi levado a julgamento que ocorreu sob o governo golpista interino. Foi condenado em 5 de novembro de 2006 por acusações datadas de 1982, supostamente relacionadas ao assassinato de 148 xiitas iraquianos, uma farsa judicial que teve o objetivo de condená-lo à morte por enforcamento. Saddam Hussein foi executado de forma bárbara em 30 de dezembro de 2006.

Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti nasceu em Ticrite – capital da província de Saladino, a aproximadamente 170 km da capital Bagdá – em 28 de abril de 1937. Ele foi presidente do Iraque de 16 de julho de 1979 a 9 de abril de 2003, período em que também acumulou o cargo de primeiro-ministro de 1979 a 1991 e de 1994 a 2003.

Líder do Partido Baath

No início dos anos 1970, Hussein nacionalizou o petróleo e outras indústrias e levou o Iraque a um desenvolvimento sem precedentes no Oriente Médio. Promoveu ativamente a modernização da economia iraquiana. Acompanhou de perto a administração dos programas de bem-estar social.

Após a nacionalização e a crise do petróleo nos anos 70, os preços mundiais subiram drasticamente, como resultado da crise energética de 1973 e as receitas do país cresceram assustadoramente. Isto permitiu ao governo nacionalista uma expansão extraordinária.

Dentro de apenas alguns anos, o Iraque estabeleceu a “Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo”, que foi controlada por Hussein. Bem como a campanha de educação obrigatória gratuita, com o governo estabelecendo educação gratuita universal até os mais altos níveis de educação, nas universidades. Isto promoveu a alfabetização de centenas de milhares nos anos seguintes ao início do programa.

Além disso, o governo iraquiano apoiou famílias dos soldados, concedeu hospitalização gratuita para todos, deu subsídios aos agricultores e conquistou um dos mais modernizados sistemas de saúde pública no Oriente Médio, que rendeu a Saddam Hussein um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Com base na exploração do petróleo, Hussein aplicou uma campanha de infra-estrutura nacional a fez grandes progressos na construção de estradas, na promoção da mineração e no desenvolvimento de outras indústrias, com a eletricidade sendo levada para quase todas as cidades no Iraque.

O desenvolvimento do Iraque se deu em tal ritmo na década de 1970 que dois milhões de pessoas de outros países árabes, e até mesmo a Iugoslávia, trabalharam no Iraque para satisfazer a crescente demanda de emprego.

As mulheres conquistaram mais liberdades e alto nível de empregos no governo e na indústria. Hussein criou um sistema jurídico no estilo ocidental, fazendo do Iraque o único país na região do Golfo Pérsico não governado de acordo com a lei islâmica (Sharia).

O papel de Biden e os interesses do imperialismo na região

Em 2002 o então senador democrata Joe Biden votou a favor da invasão do Iraque. Logo em seguida, Biden se tornaria vice-presidente dos EUA durante os dois mandatos de Barack Obama e exerceria funções de Estado muito importantes, como em assuntos de política externa e de segurança nacional do governo Obama.

Neste período, os EUA tiveram um papel de dominador mundial tão ou mais agressivo do que durante o governo do republicano fascista George W. Bush. Biden fez uma gestão como segundo no comando, marcada por intervenções militares no próprio Iraque, na Síria, Afeganistão e na Líbia, para citarmos apenas as mais importantes e de maior repercussão.

Tudo isso para que os países imperialistas, especialmente os EUA, mantivessem o controle do petróleo na região mais produtiva do mundo e impedissem que um País atrasado, como o Iraque, pudesse se libertar da opressão do capitalismo monopolista.

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