Sangue, suor e lágrimas
Há 51 anos assumia o governo da ditadura o tenebroso general Médici, responsável pelos “anos de chumbo” e pela farsa do “milagre econômico”.
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O general sanguinário Emílio Garrastazu Médici, responsável pelos "Anos de Chumbo". | Arquivo Agência Estado

No dia 30 de novembro de 1969, isto é, há 51 anos atrás, assumia o governo militar o general Emílio Garrastazu Médici. Seu governo foi o mais repressivo de todos os 20 anos da tenebrosa ditadura militar brasileira, tanto que o período chegou a ser conhecido como os “anos de chumbo”.

Médici nasceu no dia 4 de dezembro de 1905, no município de Bagé, no Rio Grande do Sul. Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e posteriormente tornou-se oficial na Escola Militar de Realengo, no Rio de Janeiro dos anos 20. Tendo alcançado após algumas décadas o posto de general de brigada em 1961, Médici tornou-se um adido militar nos Estados Unidos logo no início da Ditadura Militar. No entanto, Médici manteve-se relativamente retraído nos Estados Unidos devido ao fato de ser um monoglota, ou melhor dizendo nem isto, uma vez que o general mal sabia falar o português.

No entanto, o período nos Estados Unidos teve muita importância em sua trajetória política. Ao retornar ao Brasil, Médici substitui em 1967 o também famigerado Golbery do Couto e Silva, chegando ao comando do monstruoso órgão de repressão da ditadura, o Serviço Nacional de Informação (SNI). Tendo ficado neste posto por dois anos, Médici seria posteriormente escolhido como o novo presidente pela junta militar que assumiu o comando do país quando Costa e Silva foi afastado devido ao derrame que sofreu.

Embora o famoso Ato Institucional Número Cinco (AI-5) tenha sido decretado ainda no governo de Costa e Silva em 1968, foi no governo de Médici que a repressão política da ditadura alcançou seu apogeu. O endurecimento do regime se deve em grande medida à imensa crise política da época, uma vez que o ano de 1968 foi o palco de mobilizações estudantis que ameaçavam a ditadura. Quaisquer manifestações políticas contrárias ao regime eram duramente censuradas e reprimidas. Engana-se quem pensa que apenas as obras culturais como peças, músicas e livros ‘comunistas’ eram censurados. Os tentáculos da ditadura se estendiam a diversas obras que sequer tinham um caráter político explícito. É seguro dizer que se tratou de uma tentativa de asfixiar completamente a mera atividade de pensamento e reflexão. 

Como consequência de toda esta opressão e da conjuntura política internacional, seu governo teve que lidar com guerrilhas urbanas e rurais, que foram respondidas com mortes, tortura e desaparecimento de presos políticos. Entretanto, mesmo com toda a repressão e a crise, o governo Médici conseguiu se segurar, sendo inclusive responsável por um dos maiores estelionatos políticos da história brasileira, o período conhecido como “Milagre Econômico”, uma janela temporal muito reduzida que veio a se fechar com a crise econômica de 1974.

Sobre a farsa do chamado ‘milagre econômico’ é preciso dizer que ele teve basicamente três pilares: o confisco da renda dos trabalhadores, a importação de capitais e a enorme quantidade de importações feita pelo Brasil neste período. A importação de capitais era na realidade uma imposição do imperialismo, uma vez que ao final da década de 1960 o mundo vivia a fase terminal do período de crescimento econômico do pós guerra. Desta forma, os países imperialistas empurraram o excedente de crédito existente na forma de empréstimos para os países atrasados.

Se por um lado a importação de capitais gerou grandes taxas de crescimento econômico, sabe-se que foi a partir da década de 1960 que o salário mínimo começa a sofrer uma perda significativa em seu poder de compra. Isto é, embora a economia do Brasil tenha crescido, através de obras enormemente superfaturadas como a construção da ponte Rio-Niterói e da Transamazônica (isto para não falar do número de trabalhadores mortos nestes empreendimentos, que até hoje é desconhecido) a renda dos trabalhadores foi cada vez mais confiscada a partir deste período. Para a economia nacional o saldo não foi menos pior: a dívida brasileira explodiu, passando de 4 bilhões de dólares para 90 bilhões de dólares apenas nesta fase ‘milagrosa’, e finalmente após a já citada crise de 1974 o país entrou em uma espiral de hiperinflação.

Em 15 de março de 1974 chega ao fim este que seguramente foi um governo digno de filme de terror. O aprofundamento da repressão e da censura, que levou os brasileiros a terem medo até de pensar, o duro esmagamento da reação popular sob a forma de guerrilhas urbanas e rurais e um crescimento econômico que aumentou ainda mais a exploração dos trabalhadores brasileiros favorecendo apenas os grandes capitalistas, e que no final das contas levou o país a uma bancarrota econômica. Este é o legado da ditadura militar: sangue, suor e lágrimas para o povo brasileiro.

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