Dia de Hoje na História
O episódio foi um ajuste para pôr na coleira a ala radical da SA, evitando um desgaste com os interesses da burguesia
hitler
Adolf Hitler e Ernst Röhm | Foto: Reprodução

Na noite de 30 de Junho de 1934, a Alemanha assistia a um dos muitos episódios sangrentos da ascensão do nazismo. A execução de cerca de 85 membros do partido nazista, que ficaria conhecida como “Noite das Facas Longa”, foi um expurgo organizado e liderado por Adolf Hitler no processo de acomodação do nazismo no poder. Sua principal função foi aparar as rebarbas que opunham resistência a um acordo do nazistas com as elites tradicionais do país.

Hitler havia sido nomeado chanceler da Alemanha em Janeiro de 1933, chegando ao poder com considerável apoio da burguesia. Como é de conhecimento geral, Hitler usou de muita violência para chegar ao poder. Grande parte de suas ações violentas eram feitas por seu grupo de assalto, as SA (Sturmabteilung), conhecido como “camisas-pardas”.

Liderados por Ernst Röhm, as SA, das quais o próprio era cofundador, começaram a sair do controle de Hitler. Uma ala mais radical dentro do grupo se opunha à aliança forjada entre as lideranças nazistas e os políticos burgueses que haviam sustentado todos os regimes anteriores. Eram hostis, também, à relativa moderação das forças armadas alemãs, cujas lideranças não viam com bons olhos a existência das SA.

Àquela época, Hitler já havia usado seu poder político de chanceler para instituir o unipartidarismo, às custas de uma gigantesca violência, principalmente contra os membros do partido comunista e da partido da social-democracia. Entretanto, havia uma facção dentro do próprio nazismo, encabeçada por Gregor Strasser, que tensionava a unidade partidária ao defender uma radicalização do regime, com a continuação daquilo que chamavam de “revolução”. Tais ideias não eram do interesse dos grandes capitalistas que davam suporte ao regime de Hitler.

O método da falsificação, amplamente utilizado pela burguesia para fazer valer seus interesses, teve importância fundamental no evento das facas longas. Foi através de um dossiê sugerindo a participação de Röhm em um plano para depor Hitler, que o expurgo se justificou. Dias antes, já havia uma lista com o nome de todas os membros da SA e de outros grupos que poderiam atrapalhar o regime nazista.

Assim, aproveitando-se de um encontro marcado por Ernst Röhm com seus comandantes da SA em um hotel na Bad Wiessee (Baviera), Hitler foi pessoalmente ao local, entrou nos quartos do hotel onde muitos de seus oficiais já estavam adormecidos e os notificou de suas prisões. Em seguida, muitos deles foram executados.

O episódio é bastante esclarecedor quando demonstra que a burguesia usa a extrema-direita da forma que melhor lhe convém. Não há qualquer moral em suas atitudes, mas sim uma racionalidade bastante definida. Na noite das facas longas, membros da SA, antigos amigos de Hitler e correligionários foram mortos por não concordarem plenamente com os rumos do partido e com suas relações com as elites alemãs.

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