Assassinato político
Após três anos do assassinato, assassinos e mandantes continuam impunes

Por: Redação do Diário Causa Operária

Completou-se ontem, 14 de março, três anos do assassinato da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro Marielle Franco. Até hoje não se tem a informação de quem foi o mandante do atentado, nem se encontrou a arma utilizada no crime. 

Para relembrar, a vereadora foi executada com três tiros na cabeça e um no pescoço após sair de uma atividade social. Seu motorista também foi morto no atentado. 

O Ministério Público denunciou dois policiais militares como executores do crime, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que estão presos e vão a juri popular ainda não marcado. 

A operação da Delegacia de Homicídios e do Ministério Público não encontraram a arma utlizada. Há, no entanto, investigações que apontaram que os assassinos jogaram a arma no mar. A Marinha, em tese, fez buscas no oceano, na Barra da Tijuca, mas não encontrou nada. 

Na realidade, a investigação do atentado se tornou uma grande confusão. Começando por um depoimento de um Policial Militar, Rodrigo Jorge, em que acusava o então vereador Marcello Siciliano (PHS-RJ) e outro PM, que é envolvido com a milícia, como mandantes. Já a Policia Federal negou esse depoimento afirmando que era uma história inventada pelo policial para prejudicar o vereador e seu colega de corporação. Ele acabou preso posteriormente por envolvimento com milícias na cidade carioca.

Em 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) uma denuncia contra cinco pessoas que estariam influenciando as investigações. Seriam eles, Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; um funcionário do gabinete dele; um policial militar; a advogada dele; e um policial federal.

Ocorre que até o presente momento, apesar dos zigue-zagues, não se tem a informação de quem foi o mandante do assassinato. 

Apesar da investigação, pessoas ligadas a Marielle vivem ainda hoje com ameaças de assassinato. A deputada federal  Talíria Petrone (PSOL-RJ) foi oficialmente informada pela Polícia Civil de que existiam planos de seu assassinato. Renata Souza, ex-chefe do gabinete de Marielle também recebe ameaças de morte através das redes sociais. Já Anielle Franco, irmã de Marielle e criadora de um instituto que leva o nome da vereadora assassinada, também recebeu diversas ameaças por e-mail e pelas redes sociais. 

Não há dúvidas de que o assassinato de Marielle teve motivação política e que a falta de informações após três anos do ocorrido também é proposital. Não é de interesse da Justiça descobrir os verdadeiros mandantes do caso, puniu apenas dois policiais, mas não puniu quem comandou a operação. 

Há ainda a suspeita de que o assassinato tenha envolvimento da família Bolsonaro. 

Essa suspeita somada com a participação de vários policiais militares no caso comprova que o assassinato tem ligação com a direita brasileira e com o aparato repressivo estatal e paraestatal.

Demonstrou que a intervenção militar no Rio de Janeiro, deve-se recordar que em 2018 o Exército interveio na cidade, facilitou a execução da vereadora com o aumento em larga escala da repressão contra o povo pobre e trabalhador das favelas. 

É evidente que há um esforço para encobrir a verdade dos fatos e a ligação do crime com o presidente da República, mesmo existindo fotos dos supostos assassinos com Jair Bolsonaro, que o suposto atirador reside no mesmo condomínio luxuoso em que o presidente também reside.

E ainda, também veio à tona o verdadeiro arsenal com 117 fuzis de alto valor, isto é, cerca de R$40 mil cada um, que estariam de posse de um dos PMs presos, mas que prova que o caso não foi um fato isolado, nem de um único mandante, mas de uma operação com diversos elementos ligados ao aparato repressivo e com a direita brasileira, ou seja, elementos ligados ao golpe de Estado no Brasil, que tomaram de assalto o governo brasileiro.  

Esse caso apresentou apenas que existe uma verdadeira máquina de perseguição e assassinato dos trabalhadores e suas lideranças políticas. 

Questão que ocorre diariamente em outras partes do País, principalmente nas áreas rurais, em que o latifúndio coloca seus jagunços para perseguir e assassinar trabalhadores sem terra, indígenas e outros.

Da parte da esquerda também não houve grande contestação, nem mobilização. O próprio PSOL, partido em que Marielle era filiada, e que buscou tirar dividendos eleitorais do ocorrido, em anos anteriores, não realiza mais efetivas mobilizações em torno do caso, o que causou apenas facilita que o caso fosse ocultado de forma mais fácil. 

Restando apenas a homenagem demagógica, como da Prefeitura do Rio de colocar o nome da vereadora em ruas enquanto tem grande ligação com a mesma organização que executou Marielle e outras direções políticas de esquerda.

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