Dia de hoje na história
Sua importante participação política na França se deu com a obra Geminal que retrata a luta de trabalhadores das minas e a carta “J’accuse” de denúncia à fraude do no caso Dreyfus
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Emile_Zola_1902
Escritor francês Émile Zola | Foto: reprodução

No dia 29 de setembro de 1902 morria na França o escritor e romancista francês Émile Zola aos 62 anos de idade, vítima de um envenenamento. Émile-Édouard-Charles-Antoine Zola nasceu em Paris em 2 de abril de 1840 e em sua vida adulta se dedicou à carreira de jornalista e escritor, tendo sido a maior expressão da escola literária naturalista. Zola também teve importante participação política na França sobretudo com a sua obra que retrata a luta de trabalhadores das minas chamada Geminal e a carta aberta intitulada “J’accuse” (eu acuso) que publicou em um jornal francês denunciando a fraude do estado francês no caso Dreyfus.

Em 1885 foi publicado o romance histórico Geminal, escrito por Émile Zola e considerada sua obra máxima. Geminal aborda a vida e a luta dos trabalhadores da mina Voreux na França onde os mineiros após entrarem em contato com os ideais socialistas que circulavam entre os operários por toda a Europa passaram a travar uma luta por diversas reivindicações o que culminou em uma greve geral. Geminal é uma obra de grande valor histórico para o trabalhador dentro da luta de classes.

Zola descreveu em seu romance diversas dificuldades enfrentadas pela classe trabalhadora e até hoje estão presentes na vida dos operários. O escritor inclusive trabalhou por alguns meses na mesma mina de carvão, tendo participado da greve promovida pelos trabalhadores contra seus patrões, e conviveu com os mineiros no seu dia a dia, sentindo na pele as condições desumanas de trabalho nas minas onde era comum que os trabalhadores morressem, os baixos salários, a fome, a precariedade de habitação, dentre outras mazelas sofridas pela classe trabalhadora como resultado direto da exploração capitalista.

Outro ponto importante na vida e atuação política de Émile Zola foi o artigo “J’accuse“, em português “Eu acuso”, publicado pelo escritor no jornal parisiense L’Aurore em 13 de janeiro de 1898 em formato de carta para o então presidente Félix Faure. A publicação é uma denuncia contra o estado francês no caso Dreyfus, onde Zola defende a inocência de militar francês diante de uma fraude montada pelas autoridades francesas e impulsionada pela direita antissemita para culpar Dreyfus de traição contra a França.

Dreyfus foi acusado de passar informações importantes das forças armadas francesas para a Alemanha. A França alegou que haveriam diversas provas contra o militar judeu, mas a única de fato conhecida seria a  bordereau, carta supostamente escrita por Dreyfus para um militar alemão, quando na verdade a carta foi escrita por Walsin-Esterhazy, tendo ele próprio contado a um jornalista inglês que era o autor do bordereau, tendo forjado a letra de Dreyfus por ordem de um coronel e ano depois da morte de Dreyfus a França voltou atrás e reconheceu sua inocência.

O caso Dreyfus se torna ainda mais importante porque foi usado pela extrema direita para ganhar força em sua campanha antidemocrática principalmente com a questão do antissemitismo. A denúncia de Zola no caso é sobretudo um enfrentamento desta extrema-direita e da burguesia que controlava o país. Pela publicação Émile Zola foi processado por difamação e condenado a um ano de prisão, a qual não cumpriu pois se refugiou na Inglaterra e só retornou à França quando não poderia mais ser penalizado.

No entanto a retaliação à denuncia feita pelo escritor veio quatro anos depois, em 1902, quando Zola foi envenenado por inalação de monóxido de carbono que foi depositado na lareira de sua casa, e embora não tenha ficado formalmente comprovado o assassinato é forte a possibilidade de ter sido assassinado por inimigos políticos relacionados por sua atuação no caso Dreyfus.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas