28 de julho de 1908 – morre Guilherme Schüch, pai das telecomunicações

Guilherme_Schüch_-_Retrato

Há 111 anos morria no Rio de Janeiro Guilherme Schüch de Capanema, primeiro e único Barão de Capanema, engenheiro, pai das telecomunicações entre nós. Schüch trabalhou como naturalista, lente na Escola Militar, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), criador da iluminação pública a gás e do telégrafo no Brasil.

Guilherme Schüch nasceu em 17 de janeiro de 1824 em Timbopeba, município de Ouro Preto, Minas Gerais. Seu pai era o austríaco Rochus Schüch, bibliotecário e conservador do Gabinete de História Natural da Imperatriz Leopoldina, com quem se mudara ao Brasil em 1817. Sua mãe era a imigrante Josefina Roth,1 da colônia suíça de Nova Friburgo.

Em 1841, foi enviado para estudar no Kaiserlich-Königlich Polytechnisches Institut Wien [Instituto Politécnico Imperial e Real de Viena], após orientação com Carl von Martius e Johann Baptist von Spix em Munique. De volta ao Brasil em 1947, passaria a frequentar a Corte a pedido do Imperador D.Pedro II, que pretendia aperfeiçoar sua conversação na língua alemã. Por sugestão de José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho, prestou exames da Escola Militar do Rio de Janeiro, tendo sido aprovado após uma temporada de estudos numa fazenda da família Paes Leme, passando a lecionar física e mineralogia nessa instituição em seguida. Assumiria ainda a Seção de Geologia e Mineralogia do Museu Imperial e Nacional, fundando em 1850 a Sociedade Velosiana de Ciências Naturais.

No Museu e na Escola Militar, realizaria experimentos e desenvolveria diversas experiências que fariam avançar a tecnologia nacional. Em janeiro de 1851, produziu iluminação com gás de mamona no Laboratório de Física da Escola Militar, fornecendo parâmetros de contratação para a contratação de iluminação pública a gás no Rio de Janeiro. Naquele mesmo ano, juntamente ao coronel Polydoro Quintanilha Brandão, construiria um telégrafo elétrico com equipamentos franceses Bréguet dos próprios laboratórios da Escola, construiu um telégrafo elétrico, enviando uma mensagem de uma sala a outra.

Foi então encarregado pelo Ministério da Justiça de construção de uma linha telegráfica ligando o Palácio Imperial, da Quinta da Boa Vista, e o Quartel General do Exército, no Campo de Santana, com 4,3 quilômetros de extensão. Convém lembrar que a primeira linha de telégrafo elétrico no mundo, de Baltimore a Washington, fora inaugurada em 1844. Schüch assumiu então o cargo de Diretor Geral dos Telégrafos, no qual permaneceria até a proclamação da República, em 1889, sempre aperfeiçoando e desenvolvendo componentes para a rede.

Schüch adotaria o sobrenome de Capanema a partir de uma serra ouropretana assim chamada, supostamente em função da dificuldade dos brasileiros em pronunciar seu nome. Em 1881, receberia do imperador o título de Barão de Capanema (seria o único com tal alcunha), bem como as comendas da Imperial Ordem da Rosa e da Imperial Ordem de Cristo. Por sua vez, um município no Paraná adotaria o nome de Capanema a partir da intervenção de Schüch num conflito de divisas na região do Iguaçu.

Sua inventividade e engenho teriam uso nas mais diversas áreas. No campo bélico, logrou, na década de 1850 fabricar cartuchos de munição para os fuzis prussianos Dreyse – considerado um segredo militar germânico – trazidos pelos 1800 mercenários Brummer contratados para combater na guerra contra Oribe e Rosas, na região Platina. Realizaria ainda experimentos com vistas à fabricação de foguetes de Halle, que seriam usados pela artilharia brasileira no mesmo conflito, em 1952. Seria encarregado pelo governo de inspecionar a fundição Ypanema, em Sorocaba, em 1863, habilitando-a a fabricar armamentos capazes de suprir as forças brasileiras na Guerra do Paraguai.

Faria parte ainda da comissão encarregada de definir nacional e internacionalmente a adoção definitiva do Sistema Métrico Decimal, o que no Brasil resultaria na lei imperial de 26 de junho de 1862, com tal propósito.

Schüch teve ainda um pequeno jardim botânico de sua propriedade, tendo sido adotado como autoridade de descrição e classificação científica. Desenvolveu e comercializou o Formicida Capanema, considerado bastante eficaz em seu tempo. Criou a fábrica de papel Orianda, em Petrópolis, considerada “tecnicamente original” por ser movida a energia hidráulica obtida em quedas d’água naturais.

Casou-se com Eugênia Amélia Delamare, com quem teve três filhos. Um deles, pai do ministro da Educação e Saúde da Era Vargas, Gustavo Capanema. Reconhecido e homenageado em vida, Guilherme Schüch, o Barão de Capanema, foi um dos grandes artífices do avanço tecnológico em nosso país no século 19, colaborando para seu desenvolvimento e sua industrialização.


  1. Sacramento Blake diz ser Cecília Bors.