A escravidão continua
A 56 anos atrás, a população negra do Norte da Filadélfia se levantou contra a agressão policial, brutalidade que perdura até hoje e que cada vez mais enfrentará a mobilzação
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Avenida Columbia durante o levante na Filadélfia em 1964 | Foto: Reprodução

O Norte da Filadélfia, localizado na Pensilvânia nos Estados Unidos, já foi o centro da cultura negra na cidade. Em 1964, dos 600 mil negros de toda Filadélfia, 400 eram de lá. Assim, como sempre se aproveita o capitalismo de explorar e escravizar os mais oprimidos, era lá também onde os policiais fascistas mais agrediam a população.

 

Para os negros que sempre sofreram na mão da polícia e dos escravocratas, qualquer violência tomada a conhecimento pública era a gota d’água para um levante e para a autodefesa. Nesse sentido, o departamento policial da Filadélfia tentava encobrir seus atos criminosos com uma política demagógica: nas duplas de policiais, sempre deveria haver um negro junto de um branco, e muitas vezes eram acompanhados por um inspector civil.

 

Mesmo assim, o jornal Tribuno da Filadélfia denunciava recorrentemente a brutalidade da polícia contra a população negra. Por isso, o estopim do levante se deu no dia 28 de agosto de 1964, a 56 anos atrás. Odessa Bradford estava dirigindo seu carro e entrou em discussão com seu companheiro Rush e parou seu carro na interseção da avenida 23th com a avenida Columbia. O casal negro foi abordado por dois policiais e, uma vez que Bradford se recusou a sair naquele momento, Jonh Hoff, o oficial branco, tentou tirá-la de seu carro a força.

 

A discussão e a ação dos policiais logo juntou uma multidão de pessoas em torno da cena, inclusive, após um homem tentar ajudar Bradford atacando o policial ambos foram presos. Os rumores correram de que uma mulher negra grávida havia sido espancada até a morte por policiais, o que demonstra a radicalização do movimento e a visão que a comunidade negra tem do aparato repressivo do estado.

 

Seguiram-se com levantes por toda região não só na sexta-feira como em todo fim de semana. Os manifestantes invadiram e roubaram estabelecimentos de donos brancos, bem como protestaram de forma combativa contra a polícia. Essa, já famosa em toda cidade e outras regiões por plantar evidências, bater em pessoas inocentes, e realizar abordagens agressivas e aleatórias a negros, além dos negros terem piores punições e sentenças. A título de exemplo 18 % da população da Filadélfia era negra, mas representavam 40% da população carcerária da cidade. Portanto, o movimento também se espalhou para diversas regiões do estado e até do País.

 

Os protestos duraram 3 dias e tiveram 2 mortos, 350 feridos e os danos aos estabelecimentos chegaram a 4 milhões de dólares. Mais de mil pessoas foram presas e inúmeras foram agredidas pelos oficiais. Vale ressaltar que os líderes comunitários e religiosos tinham o mesmo discurso da esquerda pequeno burguesa de hoje, o do “pacifismo” contra a máquina assassina do estado burguês, e sua propaganda não impediu os levantes de acontecerem de forma combativa.

 

É inevitável fazer um paralelo da situação com o que acontece hoje em relação população negra dos EUA. Ao invés de 3 dias estão na rua a mais de 6 meses. Isso demonstra que os ataques não diminuíram, pelo contrário, neste momento de crise eles se aprofundaram, assim como a radicalização e a mobilização da população. O povo negro precisa lutar ao lado de toda classe trabalhadora para derrubar os governos genocidas e imperialistas que os escravizam de todos os dias. Floyd, o que representou Bradford, e todos os ícones da luta racial não podem ser honrados com a derrubada de estátuas e com manifestações pacíficas. É necessário devolver os ataques na mesma moeda! Pela dissolução da PM fascista no Brasil e em todo mundo!

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