Dia de hoje na história
O maior pugilista de todos os tempos desafiou o imperialismo ao não se alistar para a guerra do Vietnã, declarando que não iria matar nenhum vietcongue
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Muhammad Ali nocauteia Sonny Liston em 1965 Foto: Neil Leifer
Muhammad Ali nocauteia Sonny Liston. Imagem: Neil Leifer |

Muhammad Ali é considerado o maior lutador de boxe que o mundo já viu e um dos maiores atletas de todos os tempos. Nascido com o nome de Cassius Marcellus Clay Jr., Muhammad se converteu ao islamismo no princípio da década de 60, fazendo parte do movimento político e religioso Nação do Islã, na época comandado pelo ativista político e defensor dos direitos dos negros e dos muçulmanos Malcom X, o que o levou a se tornar um dos primeiros esportistas a conciliar o esporte e a atividade política nos Estados Unidos.

No dia 28 de abril de 1967, em um período no qual a sociedade norte-americana começava a se organizar contra a Guerra do Vietnã, Muhammad Ali, que já era campeão olímpico e campeão mundial, foi convocado para servir os EUA na guerra imperialista e ajudar no genocídio contra o povo vietcongue. A resposta de Ali foi um sonoro não.

A Guerra do Vietnã, além de causar um dos maiores massacres da história contra uma população oprimida (apesar de também marcar uma das maiores derrotas do imperialismo em toda a história) também era responsável pela perda de inúmeras vidas da classe operária norte-americana, em especial, a vida dos negros, que eram utilizados massivamente na guerra.

A resposta de Ali foi extremamente importante para ajudar a derrubar a máscara do imperialismo na guerra, denunciando o caráter imperialista e genocida dos Estados Unidos, além de demonstrar como a população pobre do país mais rico do mundo estava sendo utilizada como bucha de canhão pelo país em prol dos interesses dos grandes capitalistas.

Em uma certa oportunidade, Muhammad Ali disse: “Por que me pedem para vestir um uniforme e me deslocar 10.000 milhas para lançar bombas e balas no povo marrom do Vietnam, enquanto os negros de Louisville são tratados como cachorros, sendo-lhes negados os mais elementares direitos humanos? Não, não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a assassinar e queimar outra nação pobre para que simplesmente continue a dominação dos senhores brancos sobre os povos de cor mais escura mundo afora. É hora de tais males chegarem ao fim”.

Fui avisado de que essa atitude me custaria milhões de dólares. Mas eu já disse isso uma vez e vou dizer de novo. O inimigo real do meu povo está aqui. Não vou desgraçar minha religião, meu povo ou a mim mesmo tornando-me um instrumento para escravizar aqueles que estão lutando por justiça, liberdade e igualdade…

Se eu pensasse que a guerra traria liberdade e igualdade a 22 milhões de pessoas do meu povo, eles não precisariam me obrigar, eu me juntaria a eles amanhã mesmo. Não tenho nada a perder por sustentar minhas crenças. Então, vou para a prisão, e daí? Nós estivemos na prisão por 400 anos.”.

O imperialismo norte-americano, após a negativa de Muhammad Ali em participar da guerra, demonstrou todo seu caráter “democrático”, suspendendo o direito de Muhammad lutar por 3 anos e retirando dele à força o cinturão de campeão mundial dos pesos pesados. Mesmo assim, Ali demonstrou como não era simples para o imperialismo o derrotar e voltou a vencer o campeonato mundial algumas vezes.

O pugilista foi uma das figuras mais marcantes de todo século XX, tanto por seu posicionamento político quanto por sua habilidade nos ringues. É possível ver toda sua grandeza no documentário “Quando éramos Reis”, que retrata a luta de Ali contra George Foreman no Zaire (atual República Democrática do Congo), em que além de derrotar Foreman — que era um direitista e apoiador da política imperialista — por nocaute, realizou um discurso em prol do movimento pan-africanista.

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