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Sierpieñ 1980, Gdañsk
Pierwsze dni strajku w Stoczni Gdañskiej im. Lenina - t³um mieszkañców Gdañska przed bram¹ nr 2 do stoczni..
Fot. Tomasz Michalak, zbiory Oœrodka Karta
[Sierpieñ 1980, robotnicy, Solidarnoœæ]
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Um grande exemplo da capacidade mobilizadora dos trabalhadores foi dada no dia 27 de março de 1981. Em um caso que rememora o estúpido morticínio de Saco e Vanzetti, a revolta causada nos trabalhadores poloneses pelo espancamento infligido a vários membros do Solidariedade (sindicato polonês) durante os eventos de Bydgoszcz (sessão do Conselho Nacional da Voivodship em 19 de março de 1981, para discutir a greve em execução em Bydgoszcz).

Aumentou a reação dos operários à violência estatal, o posicionamento dado pela República Popular da Polônia que cinicamente alegou que um dos ativistas espancados havia sofrido “um acidente de trânsito”. Criando uma revolta ampla em toda população polaca e levando ao agendamento de uma greve geral para o dia 30. Diante da iminente mobilização, o vice-primeiro-ministro Mieczysław Rakowski, do Partido dos Trabalhadores Unidos da Polônia, chamou Lech Wałęsa, líder do Solidariedade para negociações, que se mostraram infrutíferas. Dois dias depois ocorreu a greve de advertência com duração de 4 horas, entre as 8 e as 12 horas, no dia 27, considerada a maior greve do bloco soviético, também a maior greve já registrada na Polônia, levando na manhã daquela sexta-feira algo entre 12 e 14 milhões de poloneses a ocuparem as fábricas e ruas do país.

As demandas dos grevistas eram:

1-A imediata punição ou suspensão de agentes considerados responsáveis ​​pelo incidente de Bydgoszcz;
2-Permissão para os camponeses formarem seu próprio sindicato: Solidariedade Rural;
3-Segurança para os sindicalistas e ativistas em suas atividades e o direito dos sindicatos de responder a qualquer crítica ao seu trabalho (este direito deveria ser exercido através da mídia);
4-Anulação de uma diretriz do governo dando apenas metade do pagamento aos grevistas;
5-O fechamento de todos os processos pendentes contra pessoas presas por oposição política ao governo entre 1976 e 1980, “mesmo se, à luz das leis existentes, suas atividades constituíssem ofensas”.

Logo vieram três instruções do Solidariedade aos trabalhadores:

1-No caso de uma greve geral. Especificou-se uma greve de ocupação em todo o país, onde as guardas de trabalhadores estariam em vigília por 24 horas, proibindo a posse ou o consumo de qualquer bebida alcoólica;
2-Em caso de estado de emergência. Especificou-se as medidas a serem tomadas em caso de militarização de fábricas, exortando a formação de comitês de greve velados;
3-No caso de uma intervenção estrangeira. Sugeriram possíveis meios de resistência passiva (nada curioso dada a origem do Solidariedade) às tropas estrangeiras em caso de invasão.

Além do Comitê Nacional de Greve, vários Comitês de Fundações Interfábricas (MKZ) foram criados nas principais cidades. Por questões de segurança, esses comitês foram transferidos para grandes fábricas ocupadas, até o momento da greve.

Uma mobilização impressionante não só pelos seus números mas pela capacidade de organização do Solidariedade que naquele momento possuía 9 milhões de membros e conseguiu mobilizar mais 3 – 5 milhões de pessoas. Deixando claro que os preparativos da greve refletiram um nível de planejamento sem precedentes, de forma que, as fábricas se tornaram fortalezas operárias, patrulhadas por guardas escalados para a autodefesa da greve 24 horas por dia. Diante de tal demonstração de força o governo polonês simplesmente empacou.

O rescaldo de tal demonstração de força se deu posteriormente, onde os dirigentes pelegos do Solidariedade, abriram mão da greve do dia 30, pois essas elevariam o risco de uma mobilização desse nível se transformar em uma guerra civil, assim como, as implicações geopolíticas destas que possibilitariam uma intervenção estrangeira.

Por fim, no dia 30 de março de 1981, o governo polonês entrou em acordo com o Solidariedade, que capitulou vergonhosamente em troca de um pedido de desculpas pelo incidente de Bydgoszcz, o estado permaneceu firme, negando-se a regularizar o Solidariedade Rural, assim como a garantir anistia aos prisioneiros políticos. Em 13 de dezembro de 1981 as autoridade polacas impuseram a lei marcial, reprimiram o Solidariedade que foi levado a clandestinidade, prenderam componentes e Lech Wałęsa permaneceu preso por 11 meses. Posteriormente veio a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1983. A ilegalidade dos sindicatos foi mantida até 1988 e revertida por meio de greves.

Atualmente pode se verificar os laços de dirigentes do sindicato com a Igreja Católica e mesmo com a CIA, o que explicaria uma capitulação tão vergonhosa após porem o estado em xeque pela mobilização revolucionária do operariado polonês. Por fim, o dirigente sindical Lech Wałęsa veio a se tornar presidente da Polônia em 1989 sob o slogan “não quero concorrer, mas sou obrigado”, guiando a Polônia através de um processo agressivo de privatização e desregulamentação neoliberal.

Cabe aqui lembrar, que a constituição dos comitês operários nas fábricas não servem somente contra a reação da burguesia, mas também como forma de se precaver contra elementos vacilantes e infiltrados. Constituem corpo permanente para que o militante e o dirigente operário implementem o democratismo socialista, impedindo que a pressão da escravidão capitalista sobre um sindicato de um país atrasado, somadas à esperteza conciliatória dos elementos oportunistas no topo das organizações populares, ardil de quem afirma a toda ocasião que simplesmente não podem escapar, à necessidade de fazer concessões contra um perigo maior, sempre levando à espoliação, à mentira, venham a culminar na exclusão dos trabalhadores da administração superior de seus próprios organismos.

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