Dia de hoje na História
O grande escritor Guimarães Rosa nascia há 112 anos
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Aspecto do sertão retratado por Guimarães Rosa. Travessia Sagarana até Morrinhos. | Circuito Fora do Eixo

Em 27 de junho de 1908 nascia em Cordisburgo, Minas Gerais, um dos maiores escritores do século XX no mundo, talvez o maior do Brasil.

Já desde pequeno se mostrou interessado pelo estudo de idiomas, tendo iniciado o francês antes de ter seis anos de idade. Depois de vários anos, ele afirmava que conhecia bem o português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto e um pouco de russo, além de conseguir ler outras línguas.

Mas a língua que ele mais sabia era a do povo do sertão de Minas Gerais, que ele estudava minuciosamente, anotando tudo, nas suas andanças a cavalo.

Formou-se médico e atendeu em Minas Gerais, tendo tido então o primeiro contato com os elementos do sertão e sua gente que entrariam em sua obra literária.

A sua atividade de médico lhe causava um certo desprazer. Ele não se julgava apto o suficiente e, considerando sua habilidade com línguas e ideias, decidiu entrar na carreira diplomática, tendo servido na Alemanha, Colômbia e França.

Cidadão do mundo, ele conseguiu fazer com que o sertão retratado em suas obras fosse o próprio mundo. Assim como as principais peças de Shakespeare são os dramas humanos na sua essência, podendo ser adaptados para várias épocas, o mesmo pode-se dizer de Rosa.

Suas obras principais, destacando-se o livro de contos Sagarana, que contém clássicos como “A hora e a vez de Augusto Matraga” e sua obra máxima “Grande Sertão: Veredas”, são exemplos dessa universalidade. A transformação revolucionária de Augusto Matraga é contada de forma que ninguém duvida dela, assim como o amor de Riobaldo por Diadorim no meio do fogo cruzado entre jagunços faz com que entremos na história, que poderia ter ocorrido nos dias de hoje em qualquer cidade violenta ou nas áreas rurais.

Além de toda essa habilidade narrativa, não podemos nos esquecer da forma de sua escrita. Como foi dito mais acima, devido a suas longas cavalgadas pelo sertão, além do tempo em que atendia como médico por aquelas bandas, ele acumulou um conhecimento das expressões e do pensamento de seu povo. Quem começa a ler “Grande Sertão: Veredas”, na extensa narrativa do sertanejo Riobaldo, sabe disso. A dificuldade é apenas no começo, mas logo nas primeiras páginas se ganha a recompensa de uma leitura saborosíssima.

Outras obras de Guimarães Rosa que se destacam são “Corpo de Baile”, “Campo Geral” e “Noites do Sertão”.

Morreu em 19 de novembro de 1967, no Rio de Janeiro, aos 59 anos.

Uma curiosidade a mais: quando serviu como diplomata na Alemanha nazista, sua subordinada e futura esposa, Aracy Moebius de Carvalho, contrariando as ordens do governo de Getúlio Vargas e com a discreta ajuda de Guimarães Rosa, ajudou na entrada de muitos judeus no Brasil.

 

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