Dia de Hoje na História
Agraciado como Portador da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa, o déspota permaneceria durante 23 anos como autocrata até ser derrubado pela revolução de fevereiro de 1917
nicolau ii
Último czar russo, Nicolau II. | Créditos: Divulgação/Klimblim

Último imperador da Rússia, Nikolái Alieksándrovich Románov, oficialmente chamado Nicolau II, também foi Rei da Polônia e Grão-Duque da Finlândia. Agraciado como Portador da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa, o déspota permanecera durante 23 anos como autocrata até ser derrubado pela revolução de fevereiro de 1917.

Responsável pelo massacre realizado no dia 22 de janeiro de 1905, conhecido como Domingo Sangrento, Nicolau II reprimiu ferozmente os manifestantes que caminhavam pacificamente pelas ruas transportando estandartes religiosos, bandeiras nacionais e até mesmo retratos do czar. A mando do imperador, avenidas e pontes estratégicas foram bloqueadas encurralando os manifestantes que se viram cercados pelos cossacos e hussardos. Sem quaisquer condições de reagir, a população foi massacrada com um total de 92 mortos e centenas de feridos. Aquela, sem dúvida, era uma tentativa de impor às massas o destino malogrado que o império russo havia tomado. A violência despudorada era traço de Nicolau II. O déspota, apoiado pela Igreja Católica, incitou o extermínio dos judeus através dos “pogroms” (1903-1906), utilizando-se de violenta e destruição dos ambientes ocupados pelos perseguidos. Sua coroação não poderia ter sido diferente, em evento na Catedral da Dormição, no interior do Kremlin, uma histeria coletiva resultaria na Tragédia de Khodynka, onde 1429 teriam morrido.

As derrotas sofridas pela Rússia na guerra Russo-Japonesa (1904-1905) só aumentava o descontentamento das massas que passavam fome ao mesmo tempo em que os soldados russos eram enviados às frentes de batalha para serem sacrificados. Com o recém criado Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), em 1898, o movimento das massas já não se dava de maneira desorganizada, havia um fio condutor capaz de conduzir a cinética dos acontecimentos. O Domingo Sangrento marcaria um avanço popular contra o regime autocrático de Nicolau II. Logo após o evento, a Duma Estatal foi aberta, permitindo a participação de deputados do POSDR. Uma sequência de eventos abalaria ainda mais a estrutura arcaica do império, colocando em xeque a dinastia Romanov.

Impulsionadas pela carestia, fome e o inverno severo, as massas não suportavam o encaminhamento para o matadouro. O império russo participava da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) malogrando derrotas e submetendo a população à penúria. As condições objetivas estavam dadas e ao final da Revolução de fevereiro de 1917, em 15 de março, ao tornar do quartel-general para a capital, Nicolau II teve seu trem detido, em Pskov – sendo obrigado a abdicar.

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