Há 105 anos
General centrista, “apolítico” e leal a Allende até o golpe, Pinochet liderou um dos mais violentos regimes de terror que recaíram sob a América Latina com o apoio do imperialismo
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"Amigo" do imperialismo | Foto: Reprodução

Nascido na cidade chilena de Valparaíso, em 25 de agosto de 1915, Augusto José Ramón Pinochet Ugarte era filho de um militar de origem francesa, porém, passaria à história como o general do exército chileno que assumiu a chefia de governo após um golpe de Estado, ocorrido em 11 de setembro de 1973, mergulhando o Chile em um sangrenta ditadura de 1973 a 1990 sob a tutela de um dos mais cruéis ditadores da América do Sul.

Tendo iniciado sua carreira militar aos 18 anos, quando entrou para a Academia Militar de Santiago do Chile, Pinochet seguiria galgando posições no Exército até setembro de 1973, quando o então Comandante em Chefe, Carlos Prats, renúncia após as pressões para que tomasse parte no complô golpista. Com a renúncia de Prats, Pinochet tornou-se o Comandante em Chefe do exército chileno, declarando então fidelidade ao presidente eleito, o social-democrata Salvador Allende.

Até então considerado um general leal a Allende, foi membro do gabinete militar do presidente, porém dias após assumir o cargo, chefiou a tropa que tomou o poder.

No Chile, o golpe se deu em meio a uma batalha com duração superior a três horas e que contou com o bombardeio do Palácio de La Moneda (sede do governo chileno), para o qual inclusive aviões da força aérea foram utilizados. O cerco ao La Moneda acabaria com o próprio presidente Allende morto.

Carlos Prats também acabaria morto, mesmo no exílio em Buenos Aires, vítima de um atentado a bomba feito pela Dirección de Inteligencia Nacional (DINA) a polícia secreta da ditadura chilena, na capital argentina em 1974. Sua esposa, Sofía Cuthbert, morreria no mesmo atentado.

Início do neoliberalismo na América Latina

Similar ao fenômeno verificado no Brasil após o golpe de 2016, a vitória do golpe de estado  produziu uma acentuada guinada na política econômica, com o país adotando o chamado plano “O Ladrilho”, preparado pela direita que havia sido derrotado por Salvador Allende nas eleições de 1973. Elaborada por economistas ligados ao imperialismo, estes seriam conhecidos na época como “os Chicago Boys“, devido ao fato de serem majoritariamente provenientes da Universidade de Chicago e atuarem sob a tutela do economista norte-americano Milton Friedman. Este documento continha os fundamentos do que, depois, viria a ser chamado de neoliberalismo.

Sob seu governo, uma ampla política de destruição da economia nacional seria levada a cabo, já sob a vigência do neoliberalismo, com medidas que incluíam o controle da inflação pela via do arrocho salarial e controle dos gastos sociais, dos quais o mais marcante, indubitavelmente foi a privatização da previdência social.

Ao final dos seus 17 anos de governo, o Chile viu a camada pobre da população saltar de 20% para 40%. A taxa de desemprego no Chile sairia de 4,3% para 22% dez anos após o golpe e o poder de compra dos salários caíram 40% durante a ditadura de Pinochet.

Regime de terror

Amplamente apoiado pelos Estados Unidos, o golpe liderado por Pinochet levaria pelo menos 80.000 pessoas ao cárcere, com 30.000 vítimas da tortura. Ainda segundo as duvidosas estatísticas oficiais, mais de três mil pessoas teriam sido assassinadas pelo governo Pinochet. O reino de terror atingiu tamanha magnitude que o Estádio Nacional precisou ser transformado em campo de concentração para abrigar os presos políticos.

Transformado em campo de prisioneiros um dia após o golpe, 12 de setembro, o estádio abrigaria pelo menos 40 mil prisioneiros, a maioria seria torturada e muitos assassinados. No campo, pessoas encapuzadas caminhavam entre os prisioneiros apontando militantes de partidos de esquerda, levando alguns a serem prontamente executados, à vista de todos, enquanto outros eram levados para lugares desconhecidos, sendo posteriormente assassinados conforme os relatos dos sobreviventes.

Seguindo a política de brutal repressão para apoiar a política econômica do imperialismo, os sindicatos foram postos na ilegalidade, o que contribuiu também para a privatização e das várias empresas estatais expropriadas pelo imperialismo. Além dos sindicatos, Pinochet colocou também na ilegalidade todos os partidos de esquerda que apoiavam o ex-presidente Allende.

Com o crescente repúdio do regime pinochetista, em 7 de setembro de 1986, o ditador sofre um atentado elaborado pela Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR). Pinochet escapou feridas leves porém cinco guarda-costas do ditador morreram e onze ficaram feridos.

Em resposta, as forças de repressão da ditadura mataram 12 membros do FPMR e três civis, vindo també a prender centenas de pessoas na chamada “Operação Albânia”, também conhecida como “a Matança de Corpus Christi”.

Da agonia do regime à prisão no país “amigo”

Em 1981, uma nova Constituição é elaborada, tornando Pinochet presidente do Chile por mais oito anos. A promulgação da Carta já marcava uma manobra para lidar com a crise crescente do regime político, já amplamente caracterizado pelo terror econômico e a brutal repressão policial.

A total debilidade pela crise do regime, Pinochet perde a eleição plebiscitária de 1988, que tentava lhe garantir mais um mandato. Um ano depois, ocorrem as primeiras eleições desde 1970, com a vitória do direitista Patricio Aylwin, presidente do Senado durante o período mais sangrento da ditadura pinochetista e eleito pelo Partido Democrata-Cristão. Após 1990, Pinochet é mantido no comando das forças armadas chilena, até março de 1998, quando ocupa o cargo de senador vitalício no Congresso chileno.

Preso em 16 de Outubro de 1998, em Londres, devido a um mandado de busca e apreensão internacional emitido por um juiz espanhol, uma campanha de libertação encabeçada por Margaret Thatcher levou uma junta médica britânica a declarar o ditador “mentalmente incapacitado”, levando-o a ser extraditado para o Chile. À época, Thatcher  referiu-se a Pinochet como “um amigo que ajudou a combater o comunismo”. Sob a ditadura do general, o Chile apoiara também a Inglaterra de Thatcher contra a Argentina na Guerra das Malvinas, numa clara violação do Tratado do Rio (1948), que prevê apoio mútuo dos países signatários da OEA mas apoiada pelo imperialismo americano.

Finalmente, em 10 de dezembro de 2006, morre após um ataque cardíaco, aos 91 anos. O governo chileno, chefiado pela socialista Michelle Bachelet, não deu honras de Chefe de Estado nem decretou luto oficial pela morte do ditador, fato que levou o neto de Pinochet, Augusto Pinochet Molina (também conhecido como “Pinochet III”), à época capitão do Exército, a discursar contra Bachelet e defender o golpe de 1973 e o governo ditatorial do avô, sendo por isso expulso do Exército.

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