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Para onde vai o movimento?

Rui Pimenta no 247: antecipação dos atos gera insegurança

Presidente nacional do PCO denuncia reuniões clandestinas, convites para que a direita participe dos atos e vários outros ataques à mobilização

Ato em São Paulo – Foto: Diário Causa Operária

Em sua tradicional participação no programa Análise Política, na TV 247, que vai ao ar todas as terças-feiras às 16h, o presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, destacou como principal tema da semana a antecipação dos atos contra o governo Bolsonaro. No último sábado, (26), as manifestações, agendadas para outra data, foram antecipadas para o dia 3 de julho.

Rui Pimenta iniciou sua análise sobre a antecipação das manifestações destacando sua preocupação com a condução irresponsável da coordenação dos atos. Conforme já denunciado em outros momentos pela imprensa do PCO, Rui Pimenta chamou a atenção para o fato de que a coordenação em si — chamada de “operativa” — é “misteriosa”. Isto é, não é formal, não é clara sobre seu funcionamento e sobre seus integrantes. Disse ele:

Rui Pimenta lembrou que, antes de antecipar o ato para o dia 3 de julho, a “operativa” já havia marcado a manifestação para o dia 24 de julho, que estaria mais de 40 dias distante do último ato, e explicou porque essa decisão teria sido profundamente errada:

“Você tem um movimento que está ganhando um ímpeto, aí você marca uma manifestação para 40 dias depois. Isso permite todo tipo de acontecimento. Inclusive, como nós temíamos aqui, um grupo tentou marcar um uma outra manifestação (…). Quer dizer, se você não tem uma orientação firme nisso daí você dá margem aos pescadores d águas turvas. O pessoal vê aquela confusão e vai procurar tirar proveito”.

O grupo que tentou, sem sucesso, se aproveitar da decisão absurda de esperar 40 dias para realizar o próximo ato foi a articulação autodenominada Povo na Rua, comandada pela UP, pelo PCB e por setores do PSOL, sobretudo o MES. O grupo é marcado pela sua posição claramente antipetista e antipetista, o que, neste momento, significa uma defesa do regime político. O Fora Bolsonaro junto ao antipetismo não pode levar a outro resultado que não a desmobilização e o caminho aberto para que a burguesia execute qualquer manobra, como fez no Chile com a Constituinte.

Mesmo sendo muito negativo para o movimento o hiato de 40 dias, o PCO, naturalmente, decidiu não chamar outra manifestação, pois isso causaria uma confusão extraordinária. Afinal, os que chamaram um ato para preencher esse intervalo são uns meros aventureiros, não têm qualquer compromisso verdadeiro com as massas: querem apenas faturar em cima do movimento para levantar a bandeira do antipetismo. Após reunião de sua direção, o PCO decidiu convocar plenárias para organizar o movimento, discutindo o caráter antidemocrático da coordenação dos atos e preparando um grande bloco vermelho que combatesse as tentativas da burguesia de sequestrar as manifestações.

Eis que, no entanto, no sábado, o jornal golpista Folha de S.Paulo ventilou que haveria uma nova reunião, dessa vez com o objetivo de antecipar o ato marcado para 24 de julho. Por causa da pressão do PCO, a reunião acabou sendo mais ampla do que a reunião anterior, da qual quase ninguém havia ficado sabendo — o próprio PCO não havia participado por não ter sido avisado em tempo hábil.

Rui Pimenta classificou a antecipação do ato como se a “operativa” estivesse “complementando um erro com outro erro”. Afinal, 3 de julho já é na próxima semana, não há como preparar de fato um ato de massas em tão pouco tempo. O editor do Brasil 247, Leonardo Attuch, que participou do programa, concordou: ” a gente teve a mesma impressão, antes estava longe demais, agora está perto demais”.

O que ficou claro na reunião é que a antecipação do ato responde não a uma necessidade real, mas sim ao interesse de alguém que está envolvido na chamada CPI da Covid. Isto é, como se houvesse alguma expectativa de que o Congresso Nacional ou mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) estivesse à beira de tomar alguma decisão importante contra o governo federal. Quanto a isso, Pimenta criticou a política da esquerda da seguinte maneira:

“Me parece que eles entrar em um oba oba dentro do Congresso Nacional e começam a brincar com um movimento que envolve mais de um milhão de pessoas”.

E não é só isso que é muito preocupante. Os mesmos que querem colocar o movimento a reboque da suposição de que alguma coisa que o Congresso venha a fazer, e não de um calendário de lutas com um objetivo bem definido, está articulando um “super pedido” de impeachment, a ser entregue nesta quarta-feira (30). O gesto é meramente simbólico, não vai mudar em nada o fato de que já há dezenas e dezenas de pedidos empilhados. Mas a sua verdadeira intenção foi revelada na reunião de preparação desse “super pedido”: convidaram bolsonaristas como Joice Hasselmann e Alexandre Frota para assiná-lo. É, portanto, uma maneira de tentar impor ao movimento que está nas ruas a “frente ampla” na sua forma mais canalha: a frente tão ampla que cabe até mesmo os bolsonaristas.

A coordenação misteriosa

Na reunião em que foi definida a antecipação dos atos, ficou claro que a maioria dos “organizadores” são membros do PT, do PCdoB e do PSOL. No entanto, não se trata, formalmente, de uma coordenação formada por esses partidos. Conforme denunciado por Rui Pimenta:

“O pessoal parece que vem com uma proposta pronta, que foi cozinhada sabe-se lá Deus onde, e eles colocam a proposta e cada um desses grupos inscrevem para falar umas 40 pessoas, que repetem tudo o que foi falado antes, de tal forma que não há debate”.

Não tem debate. É uma sequência de pessoas que falam visivelmente com a intenção de impedir qualquer debate, para garantir que a proposta passe de qualquer maneira.

O método de colocar 40 pessoas para falar, inviabilizando o debate, já é, em si, uma fraude. Mas não é só isso. Os partidos não estão representados por suas figuras públicas. O PT, por exemplo, não foi representado na reunião por sua presidenta nacional, Gleisi Hoffmann: “são pessoas das quais a gente nunca nem ouviu falar”.

É uma coisa confusa e antidemocrática. Ao abordar este ponto, Rui Pimenta comparou a “operativa” com o funcionamento dos esquemas antidemocráticos praticados no interior do movimento estudantil: “parece aquelas reuniões de centro acadêmica onde o pessoal fica puxando um o tapete do outro sem público”.

Como fica o manifestante?

Há quem alegue que o próprio PCO faz parte da coordenação dos atos. Mas isso não é fato, pois a coordenação não é formal — tanto que o Partido sequer foi avisado das duas últimas reuniões. A “operativa” é um grupinho de pessoas que simplesmente decidiu tomar para si o papel de “dono” do movimento. Nem mesmo João Pedro Stédile (MST), nem o ex-presidente Lula, que é o maior líder de massas do País, nem Sérgio Nobre (CUT), que dirige a maior central operária da América Latina, participam da coordenação. Independentemente de sua política, essas são figuras públicas, conhecidas, que representam organizações importantes.

Se o manifestante, que apoia o movimento, quer criticar o movimento, fazer uma sugestão, protestar contra uma determinada decisão, ele não pode, porque simplesmente ignora quem seja a coordenação. O adiamento absurdo para o dia 24, por exemplo, ocorreu sem que ninguém pudesse protestar de fato contra seus coordenadores — afinal, contra quem exatamente protestar?

A coordenação, neste sentido, deveria ser formal, com a participação de um representante de cada partido político e de cada organização geral, como a CUT, a CMP, a UNE e o MST. Junto a isso, seria necessário que as reuniões fossem públicas, tanto a sua convocação, como a sua transmissão em si, e que fossem estabelecidas reuniões estaduais.

A realização de plenárias também são uma questão fundamental para evitar que o movimento caia nas mãos de um grupinho de oportunistas:

“Hoje em dia, por exemplo, você pode chamar uma plenária nacional com duas mil pessoas, onde as pessoas podem se expressar, onde você enquanto dirigente pode sentir a preocupação das pessoas que estão participando desse movimento, o que é uma coisa muito importante. E depois deveria ter o mesmo procedimento em esfera estadual e municipal”.

Uma sensação de insegurança

A direção do movimento não pode transmitir aos participantes uma sensação de desorganização, que gera todo tipo de insegurança:

“Por exemplo, nós temos o ato do dia 24. Você é jornalista, tem um papel a cumprir nisso daí, vai divulgar, vai entrevistar as pessoas, vai falar que é dia 24, mas e se mudar no meio do caminho? Agora imagine uma organização sindical grande, por exemplo. Ele vai na base, tira um panfleto, faz assembleia na porta das fábricas, fala que é dia 24. Aí o pessoal, sem explicação nenhuma, muda para o dia tal. E você vai para os trabalhadores e fala: ‘agora não é mais no dia 24, agora é dia tal’. Isso daí vai desorganizar o movimento, evidentemente”.

Qual o verdadeiro motivo da antecipação dos atos?

Conforme dito por Rui Pimenta, “quando você toma uma decisão que envolve a ação de centenas de milhares de pessoas, você tem que explicar bem a sua decisão (…), ninguém é um robô”. E se tem uma coisa que faltou nas 40 falas e nos milhares de tuítes comemorando a antecipação é explicação.

Ao que parece, a decisão vem da própria burguesia. Há um setor da burguesia que acha que a melhor maneira de resolver a crise política atual seria o impeachment de Bolsonaro para, logo em seguida, promover um candidato da direita que derrote Lula e seja o novo presidente. Esse setor, no entanto, é, ao que tudo indica, minoritário e quer, finalmente, apenas uma maneira de reduzir a turbulência para aprofundar o golpe de Estado. Não é à toa que também impõe o verde e amarelo às manifestações: só está disposto a levantar o Fora Bolsonaro se houver alguma garantia de que o movimento possa ser sequestrado pelo PSDB ou por algum outro partido do regime.

O PCO e o “super pedido” de impeachment

O PCO vai participar de todos os atos, incluindo o próprio ato da quarta-feira (30), que será acompanhado do “super pedido” de impeachment. No entanto, Rui Pimenta deixou claro: “a nossa participação é contra a participação dessa gente aí”. Isto é, dos golpistas. E o presidente nacional do Partido ainda complementou:

“Muita gente não tem estômago para isso. Chega na hora, o povo sobe em cima do carro de som e termina em uma tragédia. (…) Se o pessoal [a direita] for falar, nós vamos acompanhar o protesto de todo mundo que já está irritado”.

Lula e os atos

Diante dessa clara tentativa da direita de apresentar os atos pelo Fora Bolsonaro como uma espécie de continuação dos “coxinhatos”, como se fosse o mesmo movimento que derrubou um governo de esquerda, a participação de Lula nos atos é ainda mais decisiva. Porque com ele nas manifestações, não tem como apresentá-las como manifestações da “terceira via”: são manifestações contra o golpe e que querem que o governo caia pelas mãos da esquerda.

“Lula deveria ir ao ato, deveria se consagrar como grande líder da manifestação. (…) Lula é um cidadão brasileiro, ele tem direito de ir aonde quiser. Como eu, se eu quiser ir ao ato, eu vou. (…) Lula é a ala esquerda da eleição, não é ‘terceira via'”.

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