Dia de Hoje na História
A Argentina sofreu com uma das ditaduras mais sangrentas da história de toda a América Latina, após um golpe de estado que depôs a presidente Isabelita Perón em março de 1976.
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Primeira mulher a alcançar o cargo de presidente, Isabelita Perón. Imagem: Cordon Press |

A Argentina havia acabado de sair de um período ditatorial entre os anos de 1966 e 1973, no qual vigorou o poder de uma junta militar no país. Após várias revoltas populares contra o período ditatorial, incluindo ai o famoso episódio que ocorreu na cidade de Córdoba em 1969, conhecido como cordobazo, e a mobilização da classe trabalhadora, o governo militar teve de sair de campo e dar lugar a eleições democráticas.

No entanto, uma exigência do governo militar (na verdade, uma exigência do imperialismo) era a de que Juan Domigo Perón não participasse das eleições, já que Perón era visto como um candidato da burguesia nacionalista, o que seria um entrave para os planos imperialistas da região.

As eleições portanto ocorreram como o planejado pelo imperialismo, porém, seu resultado não foi necessariamente o melhor, já que o candidato de Perón, Héctor Cámpora, ganhou as eleições com 49,5% dos votos. Após assumir a presidência, já sem o governo militar para colocar exigências, Héctor renunciou ao cargo de presidente, o que fez com que novas eleições fossem chamadas e Perón pudesse se candidatar.

Perón, que possui similaridades com a figura de Getúlio Vargas no Brasil, era fortemente apoiado por setores da burguesia nacional e por elementos da classe trabalhadora. Já havia sido presidente e havia implantado inúmeras leis trabalhistas favoráveis aos trabalhadores, assim como havia levado um projeto de desenvolvimento nacional. Havia também confrontado o imperialismo em projetos, que acabaram falhando devido a interferência externa, como a tentativa de desenvolver fissão nuclear no país.

Com todo esse currículo que se posicionava contra o imperialismo internacional, era evidente que os países que dominavam o planeta enxergavam em Juan Domingo Perón o inimigo número 1 dentro da Argentina e fariam de tudo para o tirar do poder. Assim, a imprensa burguesa martelava dia e noite os planos “soviéticos”, “esquerditas”, “populistas”, “ditatoriais” e é claro “corruptos” de Perón para a Argentina.

Acontece que após sua eleição, não passou nem mesmo um ano para que a saúde de Perón se esvaísse completamente, levando o presidente eleito a óbito em julho de 1974, apenas 8 meses após ter sido eleito. Quem assumiu em seu lugar foi sua terceira esposa, que também era sua vice-presidente, María Estela Martínez de Perón, mais conhecida por Isabelita Perón.

A política de Isabelita, no início, foi uma política de capitulação com o imperialismo. Porém, em seu segundo ano a frente da presidência, pressionada pela mobilização dos trabalhadores, Isabelita acabou por trocar o ministro de economia e optar por uma política mais alinhada ao desenvolvimento nacional e aos trabalhadores. Os salários foram aumentados, assim como todos os impostos sobre salários foram retirados. Houve uma política de incentivo a empresas nacionais e, em 1976, estabeleceu dias de descanso para mães que trabalhassem e o aumento do valor da aposentadoria.

Assim como Vargas, o peronismo na Argentina é complexo, pois abrangeu desde setores de esquerda até setores de extrema-direita. Foi assim que, logo em 1973, quando Hector Campora se tornou o presidente eleito do país, um dos homens de confiança de Perón, José López Rega, se tornou ministro do Bem-estar Social da Nação Argentina, cargo que ocuparia até o mandato de Isabelita. Rega era um fascista convicto. Detestava a classe operária e as políticas sociais e trabalhistas dos governos peronistas, das quais era opositor apesar de pertencer ao governo. Foi um dos considerados responsáveis pela emboscada junto da direitista CGT aos peronistas de esquerda, conhecidos como Montoneros, que tentavam organizar o recebimento de Perón na Argentina após o exílio, em um episódio que ficou conhecido como Massacre de Ezeiza. Foi Rega também quem, instruído pela CIA, criou o agrupamento fascista AAA, Alianza Anticomunista Argentina, responsável pela perseguição aos esquerdistas durante o governo de Isabelita, o que era um prenuncio do golpe de estado que estava por vir.
Com o desenvolvimento do governo de Isabelita, o imperialismo decidiu substituir seu governo. Para isso, utilizou da milícia criada por Rega para assassinar militantes de esquerda, utilizou a imprensa burguesa para culpar Isabelita de corrupção e armou um golpe de estado com os militares do país.

No dia anterior ao golpe, se iniciou com uma profunda propaganda por parte da totalidade da mídia burguesa em prol de uma ditadura militar. Eram exibidas imagens do exército em jornais e seu fajuto compromisso com o país era exaltado nas rádios.

Já na primeira hora do dia 24 de março de 1976, a presidente da Argentina foi presa por um destacamento em que estava presente o general José Rogelio Villarreal, que a avisou do golpe de estado. O país, então, mergulhou em uma ditadura das mais sangrentas de toda a história da América Latina, com pelo menos 30000 mortos desaparecidos, sequestro e tráfico de crianças, tortura e uma política de subserviência ao imperialismo. A figura mais conhecida do período foi Jorge Rafael Videla, que governou entre a data do golpe e o ano de 1981, sendo sucedido por Roberto Eduardo Viola. Isabelita foi solta e se exilou na Espanha, onde vive até hoje.

A ditadura foi também a responsável pela tentativa de retomar as Ilhas Malvinas em uma guerra no ano de 1982. Com sua derrota, a ditadura acabou por se enfraquecer, terminando oficialmente no ano de 1983.

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