185 anos
Exemplo para o povo negro de como lutar contra o capitalismo
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Rischgitz / Getty Images |

No dia 24 de janeiro de 1835, se iniciou a chamada “Revolta dos Malês”, na cidade de Salvador, Bahia. Essa revolta, resultado da instabilidade do governo imperial brasileiro, é considerada uma das maiores revoltas da história do estado e se desencadeou por conta dos desdobramentos a partir dos anos de 1830.

A renúncia de Dom Pedro I (1831) e a Regência Provisória que duraria até 1840, quando Dom Pedro II recebe a Declaração de Maioridade e obtém, assim, o direito a se tornar o imperador do Brasil daquela época, abriu um período marcado por uma série de transformações sociais, econômicas e políticas. Diversas revoltas explodiram com o mesmo objetivo: derrubar o poder vigente e favorecer o movimento republicano. As principais foram a Guerra dos Farrapos (1835-1845), na Região Sul, a própria Revolta dos Malês (1835), na Bahia, a Cabanagem (1835-1840), na província do Pará, a Sabinada (1837-1838), também na Bahia e a Balaiada (1838-1841), no interior da província do Maranhão.

Especificamente sobre a Revolta dos Malês, nós temos a luta pela libertação do povo negro de sua condição de escravos e a garantia da liberdade religiosa. Os malês, termo usado no Brasil para designar os negros muçulmanos que sabiam ler e escrever em língua árabe, eram muitas vezes mais instruídos que seus senhores, e, apesar da condição de escravos, não eram submissos, mas muito altivos. Utilizavam a linguagem iorubá, de onde vem a palavra “malê”, direta de “imalê”, que significa “muçulmano”, mas tinham vindo diretamente da África. Na Bahia, eles eram conhecidos como “nagôs”.

O grupo de rebeldes contou com aproximadamente 600 homens, se rebelando na noite do dia 24, mas iniciando os ataques na manhã do dia seguinte. O prefeito de Salvador, Francisco de Souza Martins, recebe uma denúncia anônima sobre uma possível revolta planejada pelos escravos, avisando assim o chefe da polícia, Francisco Gonçalves, para dobrar a quantidade de patrulhas na região e que prendesse qualquer pessoa suspeita.

Ilustração sobre a revolta

Ao amanhecer do dia 25, a polícia tenta invadir uma casa suspeita, de onde saem 60 homens para se inicia uma batalha entre escravos e soldados do palácio. Os revoltos saem pelas ruas reunindo o máximo de escravos possível, enquanto outra parte de suas tropas vão em direção à Câmara Municipal para resgatar um dos líderes da revolta, Pacifico Licutan. A investida não funciona e esses são detidos, porém, a cidade se torna um palco de guerra. Outra líder importante do movimento foi Luiza Mahin, e de seu tabuleiro, eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes, liderando também a revolta Sabinada (1837-1838).

Os malês começam a ser derrotados, quando se depararam com o quartel da cavalaria na região de Água de Meninos. Característica fundamental dos opressores – e necessário para compreender a importância do armamento -, a repressão armada se torna ainda mais dura para acabar com a revolta e centenas são assassinados a sangue frio. Os sobreviventes receberam penas de diversos tipos, entre elas a deportação forçada ao continente africano, 16 condenações à morte e penas de açoites que podiam variar entre 300 e 1.200 chibatadas – uma crueldade sem tamanhos.

E apesar de ter sido derrotada, essa grande revolta que faz parte de nossa história, gerou um grande terror em Salvador, e esse clima de medo se espalhou por vários cantos do país. Repercutindo na imprensa da época, incentivou o surgimento de outras lutas do povo negro pela sua libertação, conquistando, de certo modo, um ponto de ameaça o regime político vigente naquele dado momento. Uma lição e tanto de insurreição popular.

Jogo
Jogo “Sociedade Nagô”

Um fato interessante dos dias atuais é o jogo criado sobre essa importante história. Lançado em 2018, o jogo ‘Sociedade Nagô – O Resgate’ retrata a Revolta dos Malês.

Para concluir, esse extermínio nas favelas por parte das forças repressivas do Estado burguês, a discriminação que é fruto do sistema capitalista, só podem ser superados através de uma política revolucionária. É através da organização e mobilização política que a população negra poderá superar as condições de miséria que ainda afeta esse segmento da sociedade. A escravidão continua atualmente com o próprio sistema capitalista e as favelas são a expressão maior de verdadeiras senzalas à céu aberto.

Que nunca se perca em nossas memórias e que esteja em nossas ações a Revolta dos Malés!

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