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Há 26 anos, pouco antes de meia noite, os ocupantes de dois Chevettes com placas cobertas desciam dos veículos em frente à Igreja da Candelária e abriram fogo sobre 50 de moradores de rua que dormiam no local – a maioria adolescentes – matando oito deles, seis menores de idade. No processo, foram indiciadas sete pessoas – a maioria policiais ou ex-policiais militares, milicianos, membros de um grupo de extermínio.

O crime é similar a tantos outros que ocorrem no campo e nas periferias de nossas metrópoles, em que os pobres e miseráveis são vítimas de todo tipo de arbítrio por parte da classe dominante e das forças de repressão a seu favor, mas tornou-se célebre por sua crueldade e por sua futilidade. Os jovens dormiam na região para fazer uso da água dos chafarizes.

Um dia antes do ataque, as crianças reagiram contra a prisão de um dos meninos, cujo crime fora passar uma lata de cola de sapateiro a um companheiro. Revoltados, os jovens atiraram pedras contra a viatura policial. Dois foram perseguidos pelas ruas adjacentes e também alvejados.

Um desses últimos, o morador de rua Wagner dos Santos, sobreviveu e foi testemunha-chave da acusação, que resultou no indiciamento de sete pessoas – sendo vítima de novo atentado no ano seguinte. Três foram condenadas mas foram beneficiadas por indulto ou estão em liberdade condicional: Marcus Vinicius Emmanuel Borges (ex-policial militar), Nelson Oliveira dos Santos (policial), Marco Aurélio Dias de Alcântara (policial). Foram inocentados Cláudio dos Santos (policial), Marcelo Cortes (policial), Jurandir Gomes Grança (policial). Arlindo Afonso Lisboa Júnior (policial) ainda não foi julgado.

As milícias do Rio de Janeiro são o subproduto dos esquadrões da morte criados durante a ditadura militar para exterminar inimigos do regime. Com o tempo, passaram a servir primeiro aos senhores do jogo do bicho, depois aos traficantes e hoje funcionam como poder autônomo, a serviço da extrema-direita. São eles a base fundamental de apoio da família Bolsonaro, como se sabe – daí o alto índice de fraude eleitoral no próprio Rio de Janeiro, em favor do fascista.

Muito se falou e se fala sobre o massacre. Mas a verdade é que os mesmos fascistas que defendem que bandido bom é bandido morto, gente como o governador Wilson Witzel que metralha a população pobre de helicóptero, são os que produzem, cevam e acobertam os assassinos daquelas crianças. A burguesia é pródiga em “denunciar” essa barbaridade, tirar matérias na mesma imprensa que apoia Bolsonaro, se dizer “escandalizada” pelo crime, mas sequer teve a dignidade de acolher os sobreviventes ou de prestar-lhes apoio. Um deles, Sandro do Nascimento, seria morto pela polícia após protagonizar o igualmente célebre sequestro do ônibus 174.

A verdade é que, ao colocar Jair Bolsonaro no poder, a burguesia entregou o país nas mãos dos assassinos da chacina da Candelária.

 

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