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As vesperas da Segunda Guerra

23/08/1939: Molotov-Ribbentrop, o acordo de Stalin com Hitler

O acordo entre a URSS e a Alemanha nazista, apesar de apresentado como genial por estalinistas, foi um grande erro de Stalin e mais uma derrota da classe operária mundial

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Molotov assina o acordo em Moscou. – Foto: Reprodução

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No dia 23 de agosto de 1939 a União Soviética e a Alemanha nazista, as vésperas no início da segunda guerra mundial, firmaram um acordo de não agressão, ele ficou conhecido pelo nome dos ministros que o assinaram, o Pacto Molotov-Ribbentrop. Apesar de ser considerado como mais um acerto genial de Josef Stalin por aqueles que acreditam nos mitos estalinistas, esse acordo mostra o nível de confusão que havia atingido a burocracia que dirigia a URSS e acabou se expressando como uma derrota do movimento operário internacional.

Para se compreender como se firmou um acordo entre comunistas e nazistas, inimigos mortais por natureza, é preciso avaliar a política do estalinismo nos anos antes de 1939. Em um primeiro momento dentro da disputa política na Alemanha na década de 1920 Stalin igualou o maior partido de esquerda do mundo, a Social Democracia, com os nazistas criando a teoria do Social-Fascismo. O Partido Comunista Alemão assim ao invés de atacar a direita passou a atacar a esquerda que estava no governo, chegando até a fazer alianças “táticas” com os nazistas!

Essa política desastrosa permitiu que Hitler tomasse o poder e esmagasse completamente a classe trabalhadora alemã. Assim a política de Stalin deu uma guinada de 180 graus e passou a se fazer aliança com os “democráticos”, isto é, a burguesia dos países não governados por fascistas, principalmente França e Inglaterra. Outra política completamente errada visto que a burguesia imperialista, com sua face democrática ou fascista, é a maior inimiga da classe trabalhadora internacional. O resultado dessa aliança foram as derrotas em 1936 na França e na tragedia de 1939 na Espanha onde o fascista Franco tomou o poder até 1973.

Percebendo que o fascismo avançava, que os países imperialistas não seriam uma força que iriam impedi-lo e com a ameaça iminente de guerra Stalin decide partir para um acordo direto com os nazistas, o Pacto de Molotov Ribbentrop. O acordo por si só já se apresentava como contra revolucionário por ceder uma parte da Polônia ao nazismo quanto tomar a outra parte militarmente. Apesar disso ele ainda poderia ter um aspecto estratégico visto que adiaria a guerra por algum tempo permitindo um maior preparo de defesa da URSS, o que foi o oposto do que aconteceu.

Stalin não se preparou para a invasão nazista e chegou mesmo a não acreditar quando recebeu a notícia em 1941, ele realmente confiou na palavra de Hitler! Na verdade o despreparo para a guerra vinha de antes de 1939, Trotski já havia previsto a invasão pouco após a ascensão no nazismo na Alemanha e a cada ano que se passava isso se tornava cada vez mais evidente. Os expurgos realizados em 1936-1938 decapitaram completamente o exército vermelho, os melhores oficiais, heróis da guerra civil de 1918-1922 que garantiram a existência da própria da URSS, foram presos ou assassinados.

Após a assinatura do acordo não se tentou restabelecer o exército vermelho e nem se fez um enorme investimento para transpor as industrias da URSS para longe das fronteiras com a Alemanha para que a economia não fosse destruída logo no início da guerra. O que de fato permitiu a vitória da URSS foi a resistência heroica tanto do povo soviético quanto de todos os povos ocupados pelos exércitos nazistas e fascistas, os trabalhadores organizaram guerrilhas que inviabilizaram completamente a ocupação militar e que e diversos países se tornaram verdadeiras revoluções socialistas ao fim da guerra.

Por fim o acordo teve outro impacto internacional, nos partidos comunistas de todo o mundo se passou a se alinhar com o nazismo contra o imperialismo democrático, obstruindo mais uma vez a luta contra o fascismo. A política estalinista é um exemplo a não ser seguido, como Trotski explicou, ante a revolução a burguesia lança suas duas ultimas armas, a frente ampla e o fascismo, contra a burguesia e sua a política é preciso realizar uma frente apenas com as organizações dos trabalhadores. A frente única da esquerda era a política correta a ser tomada nas décadas de 20 e 30 do século XX e segue sendo nas décadas de 10 e 20 do século XXI.

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