O poeta da inconfidência
No dia 23 de maio de 1789, o Poeta Tomás Antonio Gonzaga foi preso, por participar ativamente na Inconfidência Mineira, uma importante revolta pela independência do Brasil.
Tomás Antônio Gonzaga
Gonzaga participou da Inconfidência, também referida como Conjuração Mineira. Foto: reprodução |

No dia 23 de maio de 1789, o Poeta Tomás Antonio Gonzaga foi preso, por participar ativamente na Inconfidência Mineira, uma importante revolta pela independência do Brasil. Ele cumpriu uma pena de três anos na Fortaleza da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, e teve os bens confiscados. Tomás Antônio Gonzaga, nasceu na cidade do Porto, em Portugal no dia 11 de agosto de 1744. Era filho de João Bernardo Gonzaga e de dona Tomásia Isabel Clark.

Gonzaga era poeta e, aos 40 anos, dedicava poesias a Maria Doroteia Joaquina de Seixas, de apenas 17 anos, que fariam parte do livro “Marília de Dirceu”. Considerado o mais proeminente dos poetas árcades, é ainda hoje estudado em escolas e universidades por seu “Marília de Dirceu”. A família da moça, muito tradicional, opunha-se ao romance, mas aos poucos a resistência foi cedendo. Tomás Antônio Gonzaga, cujo nome arcádico é Dirceu, escreveu poesias líricas, típicas do arcadismo, com temas pastoris e de galanteio, dirigidas à sua amada, a pastora Marília.

Escreveu as “Cartas Chilenas”, que correspondem a uma coleção de doze cartas, poemas satíricos que circularam em Vila Rica, poucos antes da Inconfidência Mineira. O poeta é patrono da cadeira número 37 da Academia Brasileira de Letras.

Gonzaga participou da Inconfidência Mineira, também referida como Conjuração Mineira, foi uma conspiração de natureza separatista que ocorreu na então capitania de Minas Gerais, Estado do Brasil. Entre outros motivos, contra a execução da derrama e o domínio português, sendo reprimida pela Coroa portuguesa em 1789.

Gonzaga sofreu as duras penas imposta por D. MARIA I, rainha de Portugal. Sob seu reinado tramou-se a insurreição, prontamente abortada, que passou à História com o nome de Inconfidência Mineira (1789). Coube-lhe determinar as penas a serem impostas aos conjurados.

“A Rainha louca”, como ficou conhecida, em 1808 chegava a terras brasileiras, acompanhando o Príncipe Regente D. João, que fugia à invasão de Portugal pelos franceses. De fato morreu louca, ainda no Brasil.

Gonzaga foi exilado na África, em Moçambique, onde se casou com Juliana de Sousa Mascarenhas, filha de um rico comerciante de escravos, e teve um casal de filhos. Faleceu no exílio em dia desconhecido, no mês de fevereiro de 1810.

No Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meirelles, podemos ler os versos ao preso chamado Gonzaga:

Quem sabe o que pensa o preso

que todas as leis conhece,

e continua indefeso!

 

AQUELE magistrado

que digno fora, e austero,

agora te aparece

criminoso. E pondero:

Tudo no mundo mente.

(Daqui nem ouro quero. . . )

 

Pode ser que assim falasse

e pode ser que corressem

lágrimas, por sua face.

 

No remoto Passado

fica o semblante vero,

do que hoje aqui padece.

Mas não me desespero,

que a vida é sem Presente.

(Daqui nem ouro quero. . . )

 

Mas eram falas perdidas,

que havia léguas e léguas

de sua vida e outras vidas. . .

 

Inocente, culpado?

Enganoso? Sincero?

Por muito que o confesse,

o amor não recupero.

No entanto, ó surda gente,

daqui nem ouro quero…

 

 

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