A grande fraude stalinista
Um processo vergonhoso e completamente fraudulento, que resultou na execução da grande maioria dos velhos bolcheviques, lideres da Revolução de 1917
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Stalin, o contrarrevolucionário | Foto: Reprodução
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Stalin, o contrarrevolucionário | Foto: Reprodução

Os Processos de Moscou ou Julgamentos de Moscou foram uma série de julgamentos de líderes da Revolução Russa de 1917,  opositores da burocracia controlada por Josef Stalin, ocorridos entre 1936 e 1938 na União Soviética, durante o Grande Expurgo

Aconteceram três “julgamentos”, sendo o primeiro no Caso do Centro Terrorista Trotskista-Zinovievista (Julgamento de Zinoviev-Kamenev ou “Julgamento dos Dezesseis”; 1936); o segundo no Caso do Centro Trotskista Anti-Soviético (Julgamento de Pyatakov-Radek; 1937); e o terceiro no Caso do Bloco de Direitistas e Trotskistas anti-soviético (Julgamento de Bukharin-Rykov ou “Julgamento dos Vinte e Um”; 1938).

Na esteira da 46ª Universidade de Férias do PCO e da AJR, que vem tratando do “Stalinismo”, precisamos falar aqui desse processo vergonhoso e completamente fraudulento, que resultou na execução da grande maioria dos velhos bolcheviques, lideranças do partido nos tempos de Lenin, com exceção de Kalinin, somados aos dois membros da “troika” que governou a URSS entre 1923 e 1925, Grigori Zinoviev e Lev Kamenev, e o próprio Stalin. Resumindo a obra genocida do “Homem de Aço”, todos os revolucionários que construíram o partido desde 1900, ombro a ombro com Trotsky e Lenin,  foram executados pela burocracia mediocre que ali começou a tomar o poder e destruir o poder soviéticos do povo.

É preciso ressaltar aqui, brevemente, que após a morte de Lenin, Kirov – assassinado anos depois, quando se cria toda perseguição contra a Oposição de Esquerda -, apoiou lealmente  Stalin enquanto líder do Partido Comunista, o que lhe valeu, em 1926, a nomeação para liderar a seção do partido em Leningrado

Esses processos ficaram famosos pelas “confissões” arrancadas dos acusados sob tortura, coerção e chantagem, bem como, pela falsificação dos fatos em torno de Kamenev e Zinoviev, sobre o caso de Kirov, em um “compleo contra-revolucionário”, organizado por uma outra figura, Nikolaevich, que teria se unido a figuras do Exécito Branco. 

Sob estes métodos, a maioria dos acusados “confessou” conspirar contra a Revolução de Outubro

 

Discurso de Trotsky sobre a situação naquele momento:

 

 

Acusações stalinistas e a defesa de Leon Trotsky:

 

Por se tratar de um tema polêmico, que gerou um número de publicações muito grande de defensores (funcionários) de Stalin, vamos trazer aqui parte de um texto de um desses defensores de Stalin no Brasil -com  os tais “indícios” de uma conspiração contra o Estado soviético pela oposição -, demonstrando em seguida a defesa de Trotsky feita à época, nos principais pontos. 

Inicialmente, é preciso ver se existia de fato uma ação conspirativa do líder e criador do Exército Vermelho, ainda aos tempos da chamada “era Lenin” e até mesmo antes, no POSDR, para ser o “Napoleão Vermelho” – como os stalinistas gostam de chamar o cabeça da Insurreição de 1917. 

Neste sentido, diversos textos dizem que as divergências históricas de Lenin com Trotsky, admitidas pelo trotskista, Isaac Deustcher, são, de fato, as principais provas das intenções do líder vermelho, autenticando os depoimentos dos espiões estadunidenses e britânicos na Rússia e na futura URSS. E, partindo-se destes “indícios”, e de uma pequena análise de sua autenticidade acerca da suposta “coerência comparativa” deles diante de outras “provas”, se desvendaria o que de fato originou – e justificou – os grandes expurgos na URSS, mais precisamente, o assassinato de Sergei Kirov. 

Das ditas evidências da Colaboração da 5ª coluna soviética para o assassinato de Kirov — o presidente do PCUS em Leningrado e uma das pessoas mais importantes do comitê central do PCUS —, no dia 1 de Dezembro de 1934, surgiu uma grande “revelação” da existência de um grupo que conspirava pela posse da direção do PCUS e do Estado através de violência. Segundo os stalinistas, a luta política perdida em 1927, tentava, novamente, retornar de outra forma, mas agora, não mais pelo método de luta interna pacífica pelo centralismo democrático, mas pela violência racionalizada contra o Estado.

Trotsky fala sobre isso em sua defesa, no texto “O assassinato de Kirov”, em dezembro de 1934:

Agora é amplamente sabido, com base em revelações dos arquivos soviéticos desde a queda da URSS, que Kirov foi morto pela GPU por ordem de Stalin – que se sentiu ameaçado pela popularidade de Kirov. No 17º Congresso do Partido em fevereiro de 1934, Kirov recebeu apenas 3 votos negativos na eleição para o Politburo, o menor de todos os candidatos, enquanto Stalin recebeu 267 votos negativos – o máximo.

Isso não só teria marcado Kirov como um rival perigoso aos olhos de Stalin, mas também convencido Stalin da deslealdade do partido para com ele e pode explicar não apenas o assassinato de Kirov, mas o uso dele como pretexto para o Grande Expurgo, que viu a remoção de 850.000 membros do Partido, ou 36% de seus membros, entre 1936 e 1938. Muitos desses indivíduos foram executados ou morreram em campos de prisioneiros. Os “velhos bolcheviques” que haviam sido membros do Partido em 1917 foram os alvos especiais. Os gatilhos adicionais para o expurgo podem ter sido a recusa do Politburo em 1932 em aprovar a execução de MN Riutin, um Velho Bolchevique que havia distribuído um panfleto de 200 páginas pedindo a remoção de Stalin e sua recusa em 1933 em aprovar a execução de AP Smirnov, que era membro do partido desde 1896 e também estava agitando pela remoção de Stalin. O fracasso do Politburo em agir impiedosamente contra os anti-stalinistas do Partido combinou na mente de Stalin com a popularidade crescente de Kirov para convencê-lo da necessidade de agir decisivamente contra seus oponentes, reais ou percebidos, e destruí-los e sua reputação como um meio de consolidando Stalin e o poder da burocracia sobre o partido e o estado.”

Portanto, a burocracia, sem investigação real alguma, chegou a conclusão rapidamente de que esta tal organização terrorista tinha reticulares apoios no PCUS, em todos os níveis: exército, aparelho estatal, indústria, comércio, relações internacionais, até mesmo em setores literários, artísticos e demais setores em todo o país, sendo as características mais importantes de sua atuação: sabotagem industrial, terrorismo e corrupção. E assim, Trotsky foi acusado como o principal mentor da oposição que coordenava as ações do exterior e conseguia fundos e contatos para tal, pois o ataque à indústria causava prejuízos terríveis ao estado e ao povo soviético, um custo econômico gigantesco como, por exemplo, novos meios de produção que se estragavam sem reparação com qualidade baixa, e grande baixa na produtividade nas minas e fábricas.  

Vamos analisar mais uma argumentação e defesa – medonhas – dos stalinistas e depois, a defesa genial de Trotsky:

“Importante observar o eixo central do raciocínio elaborado por Stalin, em março de 1937, que marcou parte do processo de depuração, nesse texto, Stalin esboça a ideia de que vários dirigentes do Partido estavam desprevenidos. Mas não só os dirigentes, as autoridades em geral estavam surpresas, o que levou alguns historiadores a demonstrar que não houve qualquer envolvimento do comitê central, e muito menos de Stalin, na morte de Kirov. 

“O celerado assassinato do camarada Kírov foi o primeiro aviso sério de que os inimigos do povo fariam um jogo duplo e que, para isso, iriam disfarçar-se de bolcheviques, como membros do Partido, para ganhar a confiança e abrir caminho para si nas nossas organizações. (…) “O processo do “bloco zinovievista — trotskista” alargou as lições dos processos anteriores, mostrando com clareza que os zinovievista e os trotskistas congregam em seu torno todos os elementos burgueses hostis, que se converteram em agentes de espionagem e de diversão terrorista da polícia política alemã, que a duplicidade e o disfarce constituem o único meio dos zinovievista e dos trotskistas para infiltrarem as nossas organizações, que a vigilância e a perspicácia política constituem o meio mais seguro para a prevenção de tal infiltração (…).”

“Quanto mais avançarmos, quanto mais êxitos tivermos tanto mais se exasperarão os restos das classes exploradoras derrotadas, tanto mais depressa caminharão para formas de luta mais agudas, tanto mais danos causarão ao Estado soviético, tanto mais se aferrão aos meios de luta mais desesperados como os últimos meios dos condenados.”

Stalin segue correto em afirmar o despreparo do partido, que se refletiu de modo geral, nos demais órgãos do poder Estatal Soviético. Esse despreparo era cristalino e sonoro para todos que tivessem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Nesse sentido, como já mencionado, podemos ainda ver que esse despreparo é objeto de debate na historiografia como um todo. Esse debate revela a impossibilidade de Stalin estar à frente junto do Estado Soviético, em uma farsa, pelo assassinato de Kirov, como a oposição costuma argumentar. Isto porque o despreparo revela sinais de falta de premeditação justamente das instâncias mais altas do Partido e mais íntimas de Stalin.

Muitos comentaram a reação incomum e imediata de Stalin ao tiroteio. Como observado, ele e outros membros do Politburo correram para Leningrado para supervisionar a investigação. Horas após o crime, o Comitê Executivo Central, por sugestão de Stalin, emitiu uma ordem extraordinária que acelerou a investigação, sentença e execução de pessoas acusadas de crimes terroristas e negou os apelos de tais condenações. O tiroteio foi certamente um golpe extraordinário para o governo soviético, e as reações sugerem pânico. O assassinato foi percebido como o primeiro tiro de um golpe contra a liderança. Tais medidas de guerra não são realmente surpreendentes e teria parecido incongruente se a liderança não tivesse reagido dessa maneira. Por fim, a “Lei de 1º de dezembro de 1934” (que Stalin atacou após o tiroteio) foi subsequentemente raramente usada.10 Outras circunstâncias que cercam o assassinato apontam para longe do envolvimento de Stalin. Quando o assassino foi preso segundos depois do tiroteio, ele estava carregando um diário que não incriminava ninguém e afirmava que estava agindo sozinho Se Stalin tivesse organizado o assassinato para culpar a oposição, um diário incriminador teria sido uma prova valiosa por escrito, e, se Nikolaev não o mantivesse, certamente poderia ter sido fabricado um documento apropriado. Se o assassinato tivesse sido planejado por Stalin ou por um de seus apoiadores, um diário tudo teria sido melhor do que alguém exonerando a oposição. Por fim, se Stalin tivesse planejado esses eventos, dificilmente teria permitido que esse diário “sem saída” fosse mencionado na imprensa. Isso apenas enfraqueceu uma acusação contra a oposição. As circunstâncias sugerem que Stalin e seus partidários não estavam no controle dessa situação.

A resposta oficial imediata ao assassinato foi pontualmente confusa, mostrando poucos sinais de planejamento. Nos dias seguintes ao assassinato, o governo identificou Nikolaev de várias maneiras como um assassino solitário, uma ferramenta da conspiração da Guarda Branca e, finalmente, um seguidor das oposições de Zinoviev-Kamenev em Moscou e Leningrado. Não foi até 18 de dezembro que o regime sugeriu que a oposição de Zinoviev poderia estar envolvida. Cinco dias depois, a polícia secreta anunciou que Zinoviev, Kamenev e treze de seus associados haviam sido presos de fato em 16 de dezembro. Mas “na ausência de provas suficientes para colocá-los em ação de julgamento”, eles deveriam ser exilados administrativamente na URSS. Foi apenas um mês depois, em 16 de janeiro, que um anúncio oficial disse que Zinoviev e Kamenev deveriam ser julgados por manter um” centro “oposicionista secreto que indiretamente influenciou o assassino a cometer o crime. As mudanças e contradições na caracterização oficial do assassino sugerem que nenhuma história estava pronta para ser entregue e que as autoridades estavam reagindo a eventos de uma maneira confusa. (Scarmeloto, Klaus; SET, 2020)

Vamos ao líder bolchevique:

“Um Grandioso Amálgama.

O assassinato de Kirov permaneceu um mistério completo por várias semanas. A princípio, o despacho oficial referia-se apenas à execução – como uma medida repressiva imediata – de algumas dezenas de terroristas entre emigrados Brancos que chegavam via Polônia, Romênia e outros países fronteiriços. A conclusão que se tirou naturalmente foi que o assassino de Kirov pertencia à mesma organização terrorista contra-revolucionária. Em 17 de dezembro, foi emitido um despacho declarando pela primeira vez que Nicolaiev havia pertencido ao grupo de oposição de Zinoviev em Leningrado em 1926. O despacho em si revelou muito pouco. Toda a organização de Leningrado do partido, com apenas algumas exceções, Fez parte da oposição de Zinoviev em 1926 e foi representado no 14º Congresso do Partido por uma delegação composta total ou quase inteiramente por antigos zinovievistas que hoje estão presos. Posteriormente, todos eles capitularam com seu líder à frente;

Ficou claro, no entanto, que esta informação relativa ao “grupo Zinoviev” não foi emitida por acidente; não poderia implicar outra coisa senão a preparação de um “amálgama” jurídico, isto é, uma tentativa conscientemente falsa de implicar no assassinato de indivíduos e grupos Kirov que nada tinham e não podiam ter nada em comum com o ato terrorista. Este não é um método novo. Recorde-se que já em 1927 a GPU enviou um dos seus agentes oficiais que lutou no exército Wrangel a um jovem, desconhecido de todos, que distribuía os documentos da Oposição. E então a GPU acusou toda a Oposição de manter relações … não com o agente da GPU, mas com um “Oficial Wrangel”. Jornalistas contratados imediatamente transmitiram esse amálgama à imprensa ocidental. No momento, o mesmo procedimento está sendo empregado,

Em 27 de dezembro, a TASS [Agência Telegráfica da União Soviética] abriu amplamente o parêntese do amálgama, transmitindo fatos de caráter particularmente sensacional. Além dos desconhecidos levados à justiça em Leningrado pelo ato do terrorista Nicolaiev, quinze membros do antigo grupo “anti-soviético” de Zinoviev foram presos em Moscou em conexão com o mesmo caso. A TASS mesmo aqui afirma, é verdade, que relativamente a sete dos detidos não existem “factos suficientes para os entregar à justiça”, pelo que foram entregues ao Comissariado da Corregedoria para efeitos de repressão administrativa

Assim, entrou em colapso a primeira versão segundo a qual Nicolaiev foi apresentada ao público leitor como ligada à organização de emigrados da Guarda Branca que estão enviando terroristas por meio da Polônia e da Romênia. Nicolaiev se torna o agente terrorista de uma oposição interna ao partido, à frente da qual se encontravam o ex-presidente da Internacional Comunista, Zinoviev, e o ex-presidente do Bureau Político, Kamenev, ambos colegas de Stalin em a “troika”. Pode-se ver claramente porque chamamos o envio da TASS de uma sensação colossal. Agora podemos chamar isso de mentira colossal”.  (Trotsky, Leon; DEZ, 1934)

Voltando ao stalinista:

“Stalin não precisaria do assassinato de Kirov para justificar esse tipo ou nível de repressão. Embora Zinoviev e Kamenev tenham sido presos após o assassinato e condenados à prisão, seu crime envolveu apenas “cumplicidade moral”. Levaria dezoito meses até o primeiro grande julgamento dos líderes da oposição e as primeiras prisões em massa de opositores de nível médio. Os principais líderes da oposição (como Piatakov, Radek, Bukharin e Rykov) continuaram trabalhando sem ser molestados até 1936. Nenhuma menção foi feita aos principais conspiradores da oposição na imprensa após 18 de janeiro de 1935, e nenhuma campanha se seguiu.19 A violência da Yezhovchacina, com seu espanto, medo da guerra e campanha para desmascarar traidores, foi daqui a dois anos; e a calmaria sugere que os linha-dura eram politicamente despreparados para usar o assassinato de Kirov. Quando eles finalmente puderam usar o assassinato contra a oposição, seria com base nos novos materiais da NKVD obtidos em 1936. “Ninguém foi capaz de capitalizar a situação em 1934-35 atacando a oposição enquanto o ferro estava quente. Nem as fontes, circunstâncias nem consequências do crime sugerem a cumplicidade de Stalin. A falta de qualquer evidência de disputa política entre Stalin e Kirov, discutida anteriormente, parece refutar qualquer motivo para Stalin matar seu aliado […]. (Scarmeloto, Klaus; SET, 2020)

Não é mais necessário continuar com as colocações dos stalinistas após todo esse trabalho medíocre de acusação visto acima. Vamos seguir com a defesa de Leon Trotsky, afinal, tanto o líder vermelho é confiável na clareza do debate e argumentação – diferente do que foi visto na argumentação obscura dos stalinistas -, quanto confiamos na intelectualidade dos leitores para tirar suas conclusões:

Znoviev e Kamenev são terroristas?

Não há a menor razão ou motivo para defendermos as políticas ou reputações pessoais de Zinoviev, Kamenev e seus amigos. Estavam à frente daquela facção que inaugurou a luta contra o internacionalismo marxista sob o nome de “trotskismo”; eles foram posteriormente empurrados contra a parede burocrática erguida com seus próprios esforços e sob sua própria liderança; assustados com a própria obra, juntaram-se à Oposição de Esquerda por um breve período e revelaram as fraudes e falsidades utilizadas na luta contra o “trotskismo”; assustados com as dificuldades da luta contra a burocracia usurpadora, capitularam; reintegrados ao partido, eles substituíram a oposição de princípio, as maquinações secretas; foram novamente expulsos – capitularam pela segunda vez.

Eles repudiaram a bandeira do marxismo e se camuflaram, na esperança de ganhar um lugar no partido que havia sido corrompido e estrangulado pelo aparelho. Tendo geralmente perdido a estima e a confiança, e mesmo a possibilidade de travar uma luta, eles se viram, no final, cruelmente punidos. Não é nossa tarefa defendê-los!

Mas a burocracia stalinista não os está julgando por seus verdadeiros crimes contra a revolução e o proletariado, vira-casacas, indivíduos camuflados e carreiristas prontos para tudo. Mais uma vez, a burocracia deseja transformar seus chefes depostos em bodes expiatórios para suas próprias transgressões. Zinoviev e Kamenev careciam de caráter; mas ninguém os considerou tolos ou bufões ignorantes. Os outros treze bolcheviques acima mencionados viveram as experiências do partido bolchevique por 25 a 30 anos ou mais. Eles não poderiam se voltar repentinamente para a crença na utilidade do terror individual para mudar o regime social, mesmo que admitissem por um único momento o absurdo de que eles pudessem realmente ter aspirado a “restabelecer o regime capitalista”. Da mesma forma, eles não poderiam ter pensado que o assassinato de Kirov, que, além disso, não desempenhava nenhum papel independente, poderia levá-los ao poder. Os trabalhadores americanos podem entender mais facilmente o quão insana é essa ideia se imaginarem por um momento a oposição de esquerda nos sindicatos decidindo assassinar algum braço direito de Green, com o objetivo de … tomar a liderança do sindicatos!

O próprio despacho da TASS admite, pelo menos no que diz respeito a sete dos detidos – Zinoviev, Kamenev, Zalutsky, Yevdokimov, Feodorov, Safarov e Vardin – que na realidade não tinham qualquer ligação com o caso Nicolaiev. Mas essa admissão é feita de tal maneira que só se pode chamar de descarada. O próprio despacho fala de “falta de prova” – como se geralmente pudesse haver qualquer prova de uma acusação intencionalmente tão falsa e improvável quanto é esta acusação por sua própria essência. Ao fazer uma divisão artificial em dois grupos dos velhos bolcheviques presos em Moscou e ao declarar que para um deles as provas são insuficientes.

No que diz respeito aos reais motivos e circunstâncias do crime de Nicolaiev, agora aprendemos com o envio da TASS tão pouco quanto sabíamos antes. A implicação de que Kirov pode ter sido vítima de vingança por privar Zinoviev de cargos de liderança em Leningrado é manifestamente absurda. Oito anos se passaram. Zinoviev, ele mesmo e seus amigos tiveram tempo suficiente para se arrepender duas vezes; as “queixas” de 1926 há muito empalideceram em face de eventos de importância infinitamente maior. É claro que deve ter havido circunstâncias muito mais recentes que levaram Nicolaiev à estrada do terrorismo, e que deve ter havido razões muito sérias que impeliram Stalin a se aventurar em um amálgama monstruoso que – independentemente de ter sucesso imediato ou não atingir seu objetivo prático – compromete cruelmente o grupo soviético no poder.” (Trotsky, Leon; DEZ, 1934)

Segue o link para os leitores que quiserem entender melhor o caso dos Processos de Moscou e toda sua farsa Histórica. No site Marxists, há toda uma gama de textos de Trotsky sobre o desenrolar destes processos.

https://www.marxists.org/archive/trotsky/1934/12/kirov.htm

 

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