22 de agosto de 1981: Morre Glauber Rocha, grande expoente do Cinema Novo Brasileiro

Glauber Rocha

Glauber de Andrade Rocha nasceu no dia 14 de março de 1939, na cidade baiana Vitória da Conquista. Um dos principais diretores do cinema brasileiro começou sua carreira de cineasta quando cursava na Faculdade de Direito da Bahia, em 1959, quando filmou seu primeiro curta “Pátio“, primeiro dos diversos filmes que criou ao longo de sua trajetória.

Logo de início, as obras de Glauber Rocha foram influenciadas pela vanguarda cinematográfica da Nouvelle Vague francesa, que procurava uma nova estética, mais autoral, para o cinema, e do neorealismo Italiano, que procurava incluir diversos temas e críticas sociais nos filmes. Estes dois movimentos de vanguarda foram os principais influenciadores da nova geração de cineastas que estava surgindo no Rio de Janeiro, e que deu origem ao Cinema Novo brasileiro, que procurava criar um cinema explicitamente brasileiro, com temas de crítica social e políticos, e que expressassem a cultura popular do país.

Desta geração fizeram parte os principais cineastas brasileiros, como Cacá Diegues, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Ruy Guerra, Paulo Cesar Saraceni, Roberto Santos e obviamente o grande cineasta Nelson Pereira dos Santos, com quem Rocha filmou sua primeira longa-metragem “Barravento”, em que ele retrata a vida de uma aldeia de pescadores, alienada pela religião e o trabalho, que recebe a visita de Firmino, um antigo morador que se mudou para cidade e começa rapidamente a criticar os hábitos atrasados de seus conterrâneos.

A crítica social fica explícita então desde as primeiras obras de Glauber Rocha. Ao longo de sua carreira, Rocha foi inovando na estética cinematográfica e realizou obras com reconhecimento mundial, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, que fala sobre o cangaço e o sertão nordestino; Terra em Transe, um filme político em plena ditadura militar, em que são expostas diversas visões políticas da época e é retratada a luta política entre diversas classes sociais; e Idade da Terra, que revolucionou o cinema no sentido da narração e da estética.

Devido às condições da época, em que havia a forte censura da ditadura militar, que inclusive o forçou a se exilar do país, e pelo fato do cinema autoral brasileiro estar dando seus primeiros passos, a produção destes filmes era extremamente complicada, o que acabava afetando a qualidade do som e da imagem. Mas mesmo assim, Glauber Rocha se tornou um dos grandes expoentes do cinema mundial, podendo se comparar a outros como Jean-Luc Godard e Pier Paolo Pasolini, e um dos principais cineastas brasileiros de todos os tempos.

Seu cinema foi importante para o desenvolvimento da cultura nacional. Glauber Rocha morreu no dia 22 de agosto de 1981 de septicemia, deixando, junto com os outros cineastas do Cinema Novo, um gigantesco legado para o cinema nacional.