O modernista mais radical
Oswald de Andrade foi o principal nome do modernismo brasileiro, que trouxe uma enorme revolução à arte materializada na Semana de Arte moderna de 1922
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Oswald de Andrade | Foto: Reprodução

No dia 22 de outubro de de 1954 morria a maior expressão do modernismo brasileiro, o poeta, escritor, ensaísta e dramaturgo Oswald de Andrade. Ele foi um dos principais promotores da famosa Semana de Arte Moderna de 1922, foi casado com a pintora Tarsila do Amaral e com a escritora e militante trotskista Patricia Galvão, famosa Pagu. Escreveu o Manifesto Antropofágico e o romance Memórias Sentimentais de João Miramar dentre muitas outras obras. Foi ao mesmo tempo futurista, cubista, expressionista, dadá, surrealista e construtivista sem perder a sua busca incessante por uma expressão verdadeiramente nacional.

Oswald nasceu em 11 de janeiro de 1890 em uma família tradicional da burguesia cafeeira paulistana, começou seus estudos aos 10 anos de idade e com 15 começou a participar de uma roda literária com outros poetas. Oswald acompanhou de perto toda a enorme e rápida mudança que passou a cidade de São Paulo, com um crescimento da indústria, o amadurecimento do escritor se deu junto à formação da São Paulo do século XX que é a que existe até os dias de hoje. Andrade começou a trabalhar em um jornal e ingressou na faculdade de direito que não concluiria, a partir de 1910 começou seu período de viagens indo ao Rio de Janeiro onde presenciou a Revolta da Chibata, ali se formou sua visão crítica da política burguesa.

Iniciou sua primeira revista “O Pirralho” em 1911 com outros grandes poetas do Brasil, Washington Luiz, que seria derrubado pela revolução de 1930, financiou a revista por estar atacando o governo, que era de outra ala das oligarquias. Em 1912 foi para a Europa onde conheceu toda as inovações da arte moderna e viu de perto os países imperialistas entendendo, ao voltar, o verdadeiro atraso em que o Brasil se encontrava. Em 1915 se tornou amigo do poeta Olavo Bilac e foi se inserindo cada vez mais no circulo literário do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em 1917 inicia o núcleo que seria o principal proponente da semana de 1922, dentre o grupo estava Monteiro Lobato e Mario de Andrade, apesar do primeiro rachar com o grupo pouco tempo depois.

Neste 5 anos ele se tornou a principal figura do grupo e uma personagem conhecida publicamente já no ano de 1921. Em fevereiro de 1922 organizaram a Semana de Arte Moderna que apresentava o que havia de mais inovador na arte brasileira na música, na pintura, na escultura e na poesia com a presença do próprio Oswald, Villa Lobos, Brecheret, Anita Malfatti e muitos outros. O primeiro dia foi tão impactante que o público ficou escandalizado, no segundo dia o própria apresentação de Oswald foi vaiada. O ano de 1922 em si é muito interessante pois não só foi o ano de ruptura na arte com a intervenção dos modernistas, como foi o primeiro levante dos tenentes que eventualmente conseguiram derrubar a república velha, e o ano de fundação do PCB, uma ruptura com as ideias anarquistas que dominavam o movimento operário.

Ao longo da década de 1920 publicou suas mais famosas obras e participou de incontáveis importantes eventos tanto no Brasil quanto na Europa em companhia de sua esposa a pintora Tarsila do Amaral. No fim da década Oswald iniciou sua relação com Pagu, que era militante da tendencia trotskista do PCB, “oficializou” seu casamento em 1930, assim se aproximou da política e se tornou um militante ativo sendo escrito do jornal O Homem do Povo, um importante órgão em defesa da classe operária brasileira. Eventualmente seu relacionamento com Pagu terminou e em 1945 Oswald também rompeu com o PCB e nos últimos 10 anos de sua vida foi se tornando uma figura cada vez mais esquecida. Após a sua morte foi necessária uma década para que sua obra fosse resgatada como uma enorme riqueza nacional.

A obra de Oswald é muito extensa e impactante para ser toda abordada apenas em um artigo, mas certamente ele foi uma das figuras mais importantes da cultura nacional e provavelmente o maior poeta brasileiro do século XX. Em meio aos monopólios que controlam a cultura mundial e do Brasil a grandiosa obra de Oswald fica em geral restrita ao ambiente burocrático escolar que realiza a enorme façanha de transformar um dos maiores deleites da humanidade, que é a apreciação das grandes obras de literatura, em uma obrigação tediosa. Contudo nem o imperialismo nem o conservador sistema de ensino brasileiro consegue apagar a enorme estrela que foi Oswald de Andrade, o mais radical modernista brasileiro.

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