Integralismo
Um verdadeiro oportunista político com princípios bem definidos: ser um inimigo da classe operária!
AIB3
Plínio Salgado, líder do integralismo, ao centro. | Foto: Reprodução/FIB
AIB3
Plínio Salgado, líder do integralismo, ao centro. | Foto: Reprodução/FIB

Plínio Salgado nasceu em São Bento de Sapucaí (SP), no dia 22 de janeiro de 1895. Filho do coronel Francisco das Chagas Salgado, que tinha como função o cargo de farmacêutico e chefe político da região, e da professora Ana Francisca Rennó Cortez, que atuando como professora  lhe ensinou as primeiras letras.

O avô paterno de Plínio, foi Manuel Esteves da Costa, de origem portuguesa, e de origem em São Pedro do Sul, distrito de Viseu. Fato interessante, foi que suas ideias tradicionalistas, acabaram fazendo com que fosse perseguido, fugindo, assim, para o Império do Brasil. A família de D. Mariana Salgado Cerqueira César, avó de Plínio, esteve entre as mais antigas e tradicionais da região do Vale do Paraíba, sendo descendente de bandeirantes.

Sobre os estudos secundários de Plínio, em 1911, foram interrompidos devido à morte de seu pai. Esse triste acontecimento fez com que ele retornasse a São Bento do Sapucaí para cuidar de sua mãe e irmãos. D. Ana Francisca que já lecionava em uma escola somente para meninas criada nos fundos de sua casa, também usou outro espaço da residência para que Plínio abrisse uma escola apenas para meninos. Pode concluí-lo s no Externato São José, que contava com o Professor José Calazans Nogueira como dirigente.

Formado, Plínio se dirigiu para Pouso Alegre, no Estado de Minas Gerais, onde, no tradicional Ginásio Diocesano São José, estudou humanidades.

Em 1916 começou suas atividades na imprensa no semanário Correio de São Bento. Nessa época dedicava-se ainda ao magistério, e em suas leituras predominavam filósofos materialistas. Em 1918 entrou na política, participando da fundação do Partido Municipalista, que reunia líderes de municípios do Vale do Paraíba. Realizava, então, conferências em defesa da autonomia municipal. Ainda em 1918, casado há pouco mais de um ano,  sua esposa vem a falecer poucos dias após o nascimento de sua primeira filha. Plinio entra para a religião, dedicando-se à leitura dos pensadores católicos Raimundo Farias Brito e Jackson de Figueiredo.

Através de seus artigos no Correio de São Bento, Salgado se tornou conhecido entre os jornalistas da cidade de São Paulo, fato que levou-o a ser convidado para trabalhar no Correio Paulistano

Assim, em 1920, Plínio Salgado mudou-se para São Paulo e ingressou no jornal Correio Paulistano – órgão oficial do Partido Republicano Paulista (PRP). Fez amizade com Menotti del Picchia, o redator-chefe do jornal. Durante a década de 1920, passou a se dedicar a literatura, período que o tornou conhecido como escritor. 

Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, a princípio mantendo uma  posição cautelosa diante do movimento modernista, com uma participação discreta. Entrevistado sobre a Semana de 22, movimento artístico no qual tomou parte, em 1972, Salgado destacou seu discurso no Tiro de Guerra, em que fazia apologia à Ordem, à Hierarquia e à Autoridade.

Em 1924, deixou o Correio Paulistano e empregou-se no escritório do advogado e empresário Alfredo Egídio de Souza Aranha, com quem manteria vínculos duradouros. No mesmo ano, também foi um dos ideólogos da tendência nacionalista do Modernismo, denominada Movimento Verde-Amarelo, em oposição à corrente primitivista lançada pelo Manifesto pau-brasil, de Oswaldo de Andrade.

Em 1926, Plínio Salgado estreia na literatura com o livro O Estrangeiro, um romance ideológico de técnicas vanguardistas, que narra a vida de um jovem anarquista que emigra da Rússia pré-revolucionária e vem tentar vida nova no Brasil.

Na companhia de Cassiano Riardo, Menotti del Picchia e Cândido Mota Filho, se alinhou ao movimento Verde-Amarelo, vertente nacionalista do modernismo. No ano seguinte, ao lado de Ricardo e del Picchia, fundou o Grupo da Anta, que dizia exaltar os indígenas, em particular os tupis, como verdadeiros portadores da identidade nacional brasileira. Ainda no mesmo ano, lançou Literatura e política, livro no qual defende ideias nacionalistas de cunho fortemente anti-liberal e pró-agrário, inspirado nas obras de Alberto Torres e Oliveira Viana. No livro, se declara anticosmopolita, defensor de um Brasil agrário e contrário ao sufrágio universal. Essa sua guinada à direita fez com que Ricardo fundasse, em 1937, ao lado de del Picchia, o Grupo da Bandeira, um resposta social-democrata ao Movimento Verde-Amarelo e ao Grupo da Anta. 

Em 1928, se elegeu deputado estadual, em São Paulo, pelo PRP. Em 1930 apoiou a candidatura situacionista de Júlio Prestes à presidência da República, contra o candidato da oposição, Getúlio Vargas. Após isto, sem terminar seu mandato de deputado, viajou para o Oriente Médio e para a Europa como preceptor do filho de Souza Aranha. Na Itália, ficou impressionado com o fascismo e com Mussolini.

Regressando ao Brasil no dia 4 de outubro de 1930, exatamente um dia após o início da revolução que derrubaria Washington Luís, escreveu dois artigos no Correio Paulistano em defesa do governo. Com a vitória dos revolucionários, logo passou a apoiar Vargas, tendo inclusive redigido o manifesto da Liga Revolucionária de São Paulo, organização liderada por Miguel Costa e João Alberto em apoio ao novo regime. Desenvolve uma intensa campanha contrária à constitucionalização do país, a ponto da sede do jornal ser incendiada pouco antes da Revolução Constitucionalista de 1932. Em fevereiro, faz parte da criação da Sociedade de Estudos Políticos (Sep), reunindo intelectuais simpáticos ao fascismo. Alguns meses depois divulgou o Manifesto de Outubro, no qual apresenta as diretrizes básicas de uma nova agremiação política, a Ação Integralista Brasileira (AIB). 

No ideário da AIB, estão nitidamente expostos os fundamentos do fascismo italiano e em seus similares europeus,  valorizando uma série de rituais e símbolos, como a utilização da expressão indígena Anauê como saudação, a letra grega sigma e os uniformes verdes com os quais seus militantes desfilavam pelas ruas. Já em fevereiro de 1934, no I Congresso da AIB, em Vitória (ES), Plínio confirmou sua autoridade absoluta sobre a entidade, da qual recebeu o título de “chefe nacional”. O integralismo também  tinha como lema “Deus, Pátria e Família” e como símbolo o sigma – letra do alfabeto grego, assim representada: (Σ).  

Um episódio que vale lembrar em meio a esta breve matéria, é a conhecida Batalha da Praça da Sé. Está, foi um conflito entre antifascistas e integralistas no centro da cidade de São Paulo no dia 7 de outubro de 1934. A Ação Integralista Brasileira (AIB) havia marcado para aquele dia um comício em comemoração aos dois anos do Manifesto Integralista, e, tão logo souberam dessa intenção, os antifascistas da capital paulista se organizaram para impedir a realização do evento. Ainda que sem uma direção centralizada, todas as forças da esquerda paulista participaram do conflito, que resultou em sete mortos — entre eles um estudante antifascista, três integralistas, dois agentes policiais e um guarda civil — e cerca de trinta feridos.

Nos anos que se seguiram a AIB cresceu significativamente, promovendo manifestações em vários pontos do país. Chegando em 1937, Plínio lança sua candidatura à eleição presidencial marcada para janeiro do ano seguinte. Percebendo a intenção de Vargas de cancelar a eleição e continuar no poder, resolve apoiar a opção golpista do presidente, esperando fazer do integralismo a base doutrinária do novo regime. 

Em reunião com líderes militares golpistas, o próprio Vargas, teria lhe prometido o Ministério da Educação no novo governo. Em novembro retirou sua candidatura a presidente e, dias depois, aplaudiu a decretação do Estado Novo. Porém, Vargas decretou o fechamento da AIB, dando o mesmo tratamento dispensado às demais organizações partidárias.

No ano seguinte, militantes integralistas tentam promover levantes para depor Vargas duas vezes, nos meses de março e maio.. Essas tentativas fracassaram e, em ambas, Plínio negou ter tido qualquer participação. Permaneceu livre ainda por um ano, apesar de muitos integralistas terem sofrido perseguições imediatas. Em maio de 1939 foi finalmente preso e, um mês depois, enviado para um exílio de seis anos em Portugal. Nesse período, procurou obstinadamente recompor suas relações diante do governo brasileiro, a quem elogiou em diversos manifestos, inclusive quando da declaração de guerra do Brasil à Alemanha e Itália.

Voltou ao Brasil em 1945, com a redemocratização do país. Aproveitando, reformulou a doutrina integralista, e fundou o Partido de Representação Popular (PRP). Em 1955 lançou-se candidato à presidência da República, obtendo 714 mil votos (8% do total). Em seguida, apoiou a posse do presidente eleito Juscelino Kubitscheck, contestada pela União Democrática Nacional (DN), e foi nomeado para a direção do Instituto Nacional de Imigração e Colonização.

Em 1958 elegeu-se deputado federal pelo Paraná, reelegendo-se em 1962, desta vez por São Paulo. Em 1964 foi um dos oradores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, contra o presidente João Goulart para o Golpe de Estado. Apoiou o golpe militar e, com a extinção dos antigos partidos, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), frente partidária criada para auxiliar na sustentação ao novo regime. Por essa legenda obteve mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1966 e 1970. Um verdadeiro oportunista político com princípios bem definidos: ser um inimigo da classe operária!

Morreu em São Paulo, em 1975, sem conseguir ser o duce do fascismo brasileiro. 

Relacionadas
Send this to a friend