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Arte

2020: pandemia resultou em mortes de importantes artistas

A pandemia, criação do sistema capitalista totalmente podre, leva também setores da intelectualidade

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Aldir Blanc se tornou símbolo dos artistas que morreram em 2020, vítimas do covid-19. – Foto: Reprodução

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O setor da cultura foi um dos mais afetados pela questão da pandemia, economicamente pela questão dos fechamentos, muitos foram a falência enquanto os capitalistas seguiam embolsando, expondo a desigualdade do sistema podre e decadente; tal miséria também foi exposta com o número de artistas, grandes setores da intelectualidade nacional que perderam as vidas com o coronavírus, vítimas de uma doença criada pelo capitalismo.

Figuras que são a expressão das angústias e alegrias do povo brasileiro morreram porque o atual regime não conseguiu lidar com o problema da pandemia, ou pelo próprio caos do regime golpista, o que pra falar a verdade dá na mesma. São grandes nomes como Aldir Blanc, Flávio Migliacci, Nicette Bruno, Moraes Moreira, Zé do Caixão, Paulinho, Vanusa, entre muitos outros.

Aldir Blanc

Um dos mais importantes compositores brasileiros da trilha sonora contra ditadura, Aldir Blanc, se tornou símbolo da luta a atual destruição da cultura nacional, após falecer de coronavírus, uma expressão da negligência do atual governo fascista com os artistas brasileiros, a desvalorização da arte e cultura nacional de conjunto.
Letrista, compositor e cronista, Blanc teria completado 74 anos em setembro, mas partiu no mês de maio, na cidade do Rio de Janeiro.

Com o clássico “Bêbado e a Equilibrista” em uma parceria inesquecível com Elis Regina, que se tornou o hino informal da Lei da Anistia de 79 e foi responsável por trazer de volta alguns dos brasileiros exilados pelos militares.

Teve 50 anos de atividade como compositor e letrista, com mais de 600 canções de sua autoria e entre seus parceiros, teve cerca de cinquenta em sua carreira, destacando-se, além de Bosco, Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos, Maurício Tapajós e Carlos Lyra. Uma carreira em que é perceptível elementos da existência de uma tradição de luta e de movimentos que ficaram registrados por alguém que representava os gritos que vinham dos porões do DOPS e do DOI-CODI

Flávio Migliaccio

Um caso muito triste, porque não foi uma morte diretamente devido ao coronavírus, e sim um suicídio, um ato desesperador que ilustra o estado mental em que o artista se encontrava, sem luz no fim do túnel. Ele deixou um bilhete, uma carta de despedida melancólica, onde expõe o fascismo crescendo no país, ele diz:

”Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje! Flávio.”

Como ator, produtor, diretor e roteirista, foi um grande nome do cinema e teatro político. Em 1962 ajuda a criar a organização Centro Popular de Cultura (CPC) associada a União Nacional de Estudantes (UNE), um grupo intelectual de esquerda, com intenção de criar uma forma de engajamento político com uma “arte popular revolucionária”, que foi extinto pelo golpe militar no Brasil em 1964.

Em 1º de abril de 1964, apoiadores do Golpe Militar incendiaram a sede da UNE (União Nacional dos Estudantes), aonde funcionava o CPC e Flávio Migliaccio estava lá. Conta o ator, que houve a notícia de que naquele dia, as armas estavam para chegar e eles tinham que resistir. Conta também que todos que ali estavam, lutaram contra a ditadura. Conta, que na época, alguns foram revolucionários mesmo e dentre eles, alguns foram mortos, outros presos, outros se esconderam.

Moraes Moreira

O cantor e compositor foi um dos fundadores dos Novos Baianos, uma das mais influentes bandas da música brasileira com sua mistura de ritmos, do rock ao samba e baião.

O corpo de Moraes foi encontrado no apartamento em que morava sozinho no Rio de Janeiro, no bairro da Gávea. Aos 72 anos, ele deixou dois filhos, Maria Cecília e Davi Moraes, também músicos e dois netos, Alice e Francisco.

Moraes esteve ativo até o final de sua vida. No carnaval deste ano cantou no Pelourinho, mesmo já aparentando estar debilitado. Desde março ele estava recolhido à sua casa por causa do coronavírus, mas ainda compondo e escrevendo. Uma de suas últimas obras era um cordel, que falava do Covid-19, mas também de Marielle Franco.

Quino

Morreu aoos 88 anos. Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino, considerado um dos maiores quadrinistas do mundo foi o autor da personagem Mafalda, a garotinha de sete anos mais amada dos quadrinhos e com o QI mais alto do que de Jair Bolsonaro e seus filhos.

A simpática personagem, que originalmente foi criada para a publicidade, terminou fazendo um enorme sucesso e até hoje continua sendo a história em quadrinhos latino-americana mais vendida do mundo. “A sua validade é algo que não consigo compreender”, confessou em 2014, após receber o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades.

Sua obra é importante especialmente no sentido de que em um mundo onde é necessário mais garotinhas, como a personagem de Quino, de 7 anos de idade, do que de velhos reacionários como Trump e Bolsonaro.

2020: ainda bem que acabou!

As mortes de grandes nomes da arte e cultura seja por coronavírus ou não mostram o quanto este ramo ainda não é valorizado em uma sociedade capitalista em que os lucros valem mais do que uma expressão interior verdadeiro dos artistas, que a grande maioria acabam morrendo em anonimato sem mostrar seu talento para a sociedade.

O capitalismo é um grande entrave para o desenvolvimento humano, e isso passa naturalmente pelo meio das artes e da cultura de conjunto. Somente com um governo controlado pelos trabalhadores da cidade e do campo é que as artes estarão devidamente valorizadas.

Até lá, caso nada mude, provavelmente no final de 2021, teremos outro artigo mostrando as personalidades e talentos que o regime ceifou, pela doença ou não!

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