Regime de terror
A Guatemala vive um clima de grande tensão. Com levantes populares de grande envergadura, os guatemaltecos têm se deparado com um regime de intensa repressão por parte do governo
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Manifestantes ateiam fogo no parlamento na Guatemala | Foto: Johan Ordonez/AFP

A Guatemala vive um clima de grande tensão. Com levantes populares de grande envergadura, os guatemaltecos têm se deparado com um regime de intensa repressão por parte do governo. Nessa quinta-feira, 17, a Unidade de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos da Guatemala (Udefegua) denunciou que durante 2020 houve 1.004 ataques contra defensores dos direitos humanos.

Segundo a entidade, o ano de 2020 foi o mais violento contra os defensores dos direitos humanos no país centro-americano. Além dos ataques contra defensores do território indígena, foram registrados pelo menos 15 assassinatos em diferentes departamentos do país e 22 tentativas de assassinato registradas. Ainda segundo a Udefegua, foram 530 ataques contra homens e 338 contra mulheres. Quanto às organizações, grupos e comunidades ligadas ao movimento popular, os números dão conta de 136 ataques. Dentre os departamentos com maior número de registros de violência, destaca-se Guatemala, tendo Izabal, Alta Verapaz, Quetzaltenango, Huehuetenango, Sololá e Chiquimula na sequência.

Com a crise econômica e institucional infladas pela calamidade relativa à pandemia, o governo encontrou na repressão o caminho mais curto para dar cabo ao descontentamento popular, promovendo prisões, assassinatos e perseguições contra os revoltosos. Segundo a Udefegua, a política de repressão contra as pessoas que defendem os direitos humanos foi uma política de Estado.

“Praticamente, o atual governo desmantelou todo o arcabouço institucional para a paz, os direitos humanos, bem como os poucos e fracos mecanismos de proteção existentes”, destacou a organização.

Dentre os 313 casos registrados de criminalização de defensores dos direitos humanos, um deles é a detenção arbitrária da comunicadora K’iche ‘Anastasia Mejía Tiquiriz em Santa Cruz del Quiché, que ainda está correndo na justiça. Para a organização, o aumento vertiginoso de atos violentos contra defensores neste ano é resultado direto da crise política do país, com mudança de governo e o impacto da pandemia Covid-19.

Diante desse descalabro, a Udefegua exige do governo o fim da política de repressão, criminalização e violência contra pessoas, organizações e comunidades que defendem os direitos humanos. Vale lembrar que recentemente o povo guatemalteco invadiu e incendiou o parlamento do país, revoltado contra a aprovação do orçamento para 2021, que retirava verbas para o atendimento aos serviços básicos para a população. Com o aumento da pobreza, do desemprego e a destruição dos direitos básicos, a população vive uma situação de grande desigualdade social, sendo estas o resultado direto das políticas neoliberais do governo fantoche do imperialismo.

Não é de hoje que a cartilha neoliberal dá o tom da política no país. Acumulando uma devastação econômica através de anos servindo como uma espécie de colônia dos EUA e atendendo aos interesses do imperialismo, os últimos anos forjaram o confronto inevitável que se pode ver atualmente. Basta lembrar da famosa caravana de imigrantes que partiu em 2018-2019 para os EUA, a fim de melhorar de vida. Essa caravana, por sua vez, chegou a ter 10 mil pessoas, provenientes de El Salvador, Honduras e justamente da Guatemala, o que mostra como o povo do país está desesperado.

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