Racismo
É preciso colocar a questão do negro se organizar em torno das suas reivindicações mais sentidas, de maneira consequente, na luta pela tomada do poder
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Manifestação do povo negro | Johannes EISELE / AFP

O ano de 2020 foi um marco de um dos maiores ataques já sofridos pelo povo negro brasileiro. Antes mesmo da pandemia do coronavírus, a situação do povo já era drástica e, com a doença e a falta de política dos governos da burguesia, os indicadores sociais do povo negro se agravaram consideravelmente.

A repressão, ao contrário do que se poderia pensar, aumentou em todos os estados. Já é possível dizer que São Paulo e Rio de Janeiro vão bater o recorde de todos os tempos de pessoas assassinadas pela Polícia Militar. Nem na ditadura militar se viu tantas pessoas mortas, sem contar os torturados, desaparecidos, espancados e presos.

Por outro lado, ficou clara a funcionalidade para a burguesia de sua segurança privada, a milícia patronal, responsável pela morte de João Alberto, estrangulado por seguranças de uma rede de supermercados, algo que virou rotina no país. 

Ao mesmo tempo, fez-se surgir toda uma nova onda do identitarismo, política pequeno-burguesa que busca, a todo custo, uma adaptação ao regime golpista, um cargo, uma migalha caída da mesa dos racistas, que derrubaram o PT, Dilma Rousseff e mantiveram Lula preso por mais de 500 dias, para garantir a fraude eleitoral de 2018.

Esse setor, da esquerda pequeno-burguesa, é responsável por espalhar uma grande confusão no movimento negro, ao, resumidamente, inverter a luta contra o racismo, colocando os efeitos subjetivos resultantes da situação objetiva do negro como o alvo principal de ataque, e não combatendo as bases sociais e econômicas que servem para manter o negro no rodapé da sociedade. Tudo seria um problema de educação, por isso, também, a forte política de censura defendida por esse setor da esquerda, que cumpre, assim, um papel reacionário na luta política geral.

O caso de George Floyd, nos EUA, negro asfixiado pela polícia, com o joelho no pescoço, foi o estopim de uma crise que se arrasta na principal potência imperialista. O problema, finalmente, não é só a repressão policial, mas toda a situação social na qual se encontra o país, os trabalhadores, e, em especial, os negros norte-americanos. 

Em todos os casos, fica clara a necessidade de um partido, de um programa revolucionário, porque é somente ele que pode dar um caráter de luta pelo poder político, luta pela derrubada do regime golpista, além das lutas parciais, democráticas, que são estranguladas pelo regime, dia-a-dia.

É preciso colocar a questão do negro se organizar em torno das suas reivindicações mais sentidas, de maneira consequente, na luta pela tomada do poder, única solução real e completa para situação do negro. 

O movimento pelo movimento, a manifestação pela manifestação, não conseguem, por si mesmos, dar esse caráter revolucionário, não conseguem ultrapassar os limites que estas ações possuem, e nem poderia ser diferente. Não é possível esperar que um movimento consiga reverter o problema do negro, como já nos demonstrou a experiência de luta do povo até o momento. 

O partido é quem dá um caráter abertamente político, amplo, para a luta do negro, é quem demonstra a necessidade da unidade dos setores oprimidos em torno de suas reivindicações, pela derrubada da direita, da burguesia. 

Tudo demonstra que não é possível esperar mais, como quer a esquerda pequeno-burguesa, que quer aguardar eleições, que aguarda que o regime dos racistas resolva o problema do racismo, que tudo se resuma à forma que as coisas são ou deixam de ser ditas. 

É preciso uma luta real, definitiva, contra a burguesia racista, que oprime os negros e que deu o golpe de Estado. É preciso da luta política, em unidade com os trabalhadores e todos os setores oprimidos, para, da questão parcial, da questão democrática, se tirem as conclusões necessárias para a luta revolucionária.

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