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A esquerda desorientada
2019: qual é o balanço da luta política
O “balanço” da esquerda não aponta qualquer perspectiva de superação da política de derrotas, justamente por não apresentar as razões do fracasso da luta contra Bolsonaro
Fora bozo
A esquerda desorientada
2019: qual é o balanço da luta política
O “balanço” da esquerda não aponta qualquer perspectiva de superação da política de derrotas, justamente por não apresentar as razões do fracasso da luta contra Bolsonaro
“Foto – Reprodução” – Só há uma perspectiva: Lutar pelo “Fora Bolsonaro”
Fora bozo
“Foto – Reprodução” – Só há uma perspectiva: Lutar pelo “Fora Bolsonaro”

Embora imerso em contradições e sem ter saído das urnas legitimado, em números absolutos, pela maioria dos votos do eleitorado, o repudiado governo Bolsonaro, durante todo o ano de 2019, ousou em sua ofensiva contra os explorados e as massas populares, levando adiante uma ofensiva sem precedentes, que atacaram duramente as condições de vida da maioria da nação, os trabalhadores em geral, assim como vilipendiou, de forma nunca antes vista a soberania nacional, submetendo os interesses estratégicos do País ao grande capital e ao imperialismo.

No que diz respeito ao balanço que os diversos setores da esquerda nacional deveria fazer em relação ao primeiro ano do governo de extrema direita, chama a atenção o fato de não haver qualquer mínima avaliação séria e consequente por parte destes, a não ser a velha e já desgastada (e também inútil) lamentação, onde muito se reclama das maldades do governo contra o povo, mas muito pouco ou quase nada se fez para enfrentar de forma decidida e resoluta o governo fascistóide, apoiado pelos grandes capitalistas, a burguesia, a extrema direita e o imperialismo.

Durante todo o ano de 2019 a esquerda se limitou a realizar movimentos tímidos e inócuos no âmbito das instituições do Estado (parlamento, tribunais), sem qualquer resultado prático e que apontasse uma via para a luta das massas. O resultado inevitável desta política não poderia ter sido mesmo outro senão derrotas e mais derrotas, que cumpriram o nefasto papel de desmoralizar a luta das massas populares, que em diversos momentos se mostraram dispostas a lutar, não encontrando, todavia, um canal de expressão para levar adiante seu enfrentamento contra os ataques e a ofensiva por parte do Estado capitalista e o governo burguês fascista de extrema direita.

Neste sentido, o “balanço” da esquerda não dá conta de nada, não vai além de uma avaliação e um balanço puramente administrativo, pois não entra no problema principal, na luta de classes, na luta de partidos, nas causas da derrota, não avalia o verdadeiro problema que marcou a sua inoperância política, que foi exatamente a ausência de luta, a paralisia, a aposta na estratégia fracassada de lutar pela derrota pontual (a “luta” no varejo) dos ataques bolsonaristas – e mesmo estas não se mostraram eficazes, como foi o caso do projeto de reforma da previdência, onde não houve nenhum chamado à mobilização – e não a organização da luta de conjunto pelo “Fora Bolsonaro”, pela derrota total do governo fascista, de extrema direita. O resultado desta política fracassada, de prostração e de derrotas é que a esquerda encontra-se completamente desarmada para enfrentar os ataques do governo; desarmada diante da ofensiva neoliberal do ministro Paulo Guedes e do grande capital.

Em outro terreno também igualmente fracassado e sem perspectivas, setores da esquerda voltaram-se para articular uma tal “frente ampla”, na vã tentativa de formar um bloco de “oposição” ao bolsonarismo que juntasse todos os setores descontentes, contrários e que se opõem aos desvarios do presidente direitista, defensor da tortura e fascista. Neste grande “frentão” – de acordo com os estrategistas da esquerda – cabem todos, inclusive os que apoiam os projetos de Bolsonaro e Paulo Guedes dentro do parlamento, como o DEM, o PSDB, o PMDB e o “Centrão”. Uma completa inutilidade, pois estes “opositores” do bolsonarismo não têm vida extra-parlamentar, não têm autoridade nenhuma sobre o movimento de massas, sobre as organizações de luta dos trabalhadores, sua atuação se restringe ao balcão de negócios do parlamento, à política do toma lá, dá cá; portanto, mais uma iniciativa onde não há qualquer mínima possibilidade de vitória.

Também no limitado e controlado terreno das eleições municipais de outubro, não há nada o que esperar a não ser mais derrotas, pois as eleições, além de se darem na alçada municipal, não são capazes de oferecer qualquer mínima perspectiva para enfrentar e derrotar Bolsonaro e seus ataques contra a população. Isto porque a esquerda não irá comparecer às eleições para fazer desta um momento de enfrentamento ao bolsonarismo; de defesa de um  programa que faça evoluir a consciência dos trabalhadores, mas a julgar pelo que (não) fez durante todo o ano de 2019, não deverá ir além da defesa de um programa vulgar, burguês, de se apresentar como alternativa para uma administração eficiente dos municípios.

Para superar o fracasso, as lamentações e a choradeira inútil, o que está mais do que colocado para este segundo ano de Bolsonaro é não perder um só minuto na decisão de levar adiante um amplo movimento nacional que agrupe todos os mais importantes setores, que necessariamente sairão em luta contra o governo dos banqueiros e do imperialismo.

A única ferramenta eficaz de luta contra o governo de extrema direita, fascista, é a intervenção independente das massas no cenário político, na conjuntura, colocando na ordem do dia o fim do governo, o “Fora Bolsonaro”, a derrubada do governo pela mobilização popular.