Luta pela terra
Os dados apresentados revelam que 2019 é o ano mais violento em relação aos cinco anos anteriores apesar da queda drástica de acampamentos e ocupações.
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ocupação terra
Trabalhadores sem-terra ocupando latifúndio no Amazonas. Imagem: reprodução. |

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta sexta-feira (17/04), sua 34° edição do relatório de “Conflitos no Campo Brasil 2019” e os dados apresentam um aumento significativo da violência no campo, principalmente em relação aos povos indígenas.

Os dados apresentados revelam que 2019 é o ano mais violento em relação aos cinco anos anteriores e sempre é importante lembrar que os dados de violência vêm aumentando cada vez mais após o golpe de Estado em 2016.

A CPT registrou apenas 43 ocorrências de ocupações de terras em todo o território nacional no ano de 2019, envolvendo 3.476 famílias, sendo o menor número dos últimos 10 anos. Apesar da diminuição brutal nas ocupações de terras, os conflitos aumentaram 23% em relação a 2018. Foram 1.833 conflitos no campo, o número mais elevado dos últimos cinco anos.

Esse aumento vai na contramão do número de ocupações e formação de novos acampamentos, pois foram 43 Ocupações e Retomadas, 70% menos que em 2018 e apenas 5 novos acampamentos, uma redução de 71%.

Outros dados apresentados foram de assassinatos. O relatório mostra que em 2019 o número de assassinatos chegou a 32, o que representa quatro casos a mais do que no ano anterior e aumento do número de ameaças de morte, que subiram 22%, com o aumento de 165 em 2018 para 201 casos em 2019.

O nº de Ocorrências em 2019 foi o maior registrado para a categoria em toda a série histórica documentada pela CPT com uma média de 3,3 conflitos por dia. Outro número que surpreende é o tamanho da área envolvida nos conflitos, 53.312.543 ha, a maior em toda a série histórica documentada e 35% superior à de 2018, que já tinha sido 6% maior que em 2017.

O número de indígenas assassinados também surpreende, num total de 9, que corresponde a 28% do total de pessoas assassinadas em decorrência de conflitos por terra, sendo que sete eram lideranças.

A violência aumentou, apesar da decisão das lideranças da luta pela terra e da esquerda de não se chocar com o governo Bolsonaro. números de novas ocupações foram os menores dos últimos anos, fato que contribuiu para o avanço da extrema direita e da violência, visto que não havia uma resposta a essa violência.

Um fato interessante é que apesar da decisão de não se chocar com Bolsonaro, os números de manifestações aumentaram bastante, mostrando uma grande tendência a mobilização. O número de manifestações ocorridas em 2019 foi o maior dos últimos dez anos. Foram 1.301 manifestações realizadas em todo território nacional, com 243.712 pessoas envolvidas.

Esses números revelam que há uma disposição dos trabalhadores do campo a lutarem contra o governo Bolsonaro e que a política de recuo da esquerda diante do governo fascista de Bolsonaro e de evitar confrontos se mostrou um enorme erro e permitiu um avanço da extrema direita no campo, através de violência, despejos e retirada de direitos.

É preciso reverter esse quadro e essa política de não dar uma resposta as ações dos latifundiários. Fica evidente a necessidade de colocar Bolsonaro e todos os golpistas para fora do governo e lutar por um governo dos trabalhadores, ainda mais nessa situação de crise financeira e de saúde publica agravada pelo coronavírus.

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