Dia de hoje na História
Adormecida por alguns anos, a tradição da elite e do imperialismo em golpear América Latina voltou com força após a derrubada de Lugo
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Fernando Lugo e Lula (2009)
Fernando Lugo com o ex-presidente Lula | Foto: Reprodução

Há oito anos, no dia 22 de Junho de 2012, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sofreu um processo de impeachment relâmpago, que resultou em seu afastamento. A manobra estreou uma nova onda de golpes na América Latina, que atingiu de formas diferentes muitos outros países, como a Argentina, o Brasil e a Bolívia.

Lugo foi eleito em um contexto regional bastante específico. A América Latina atravessava um período em que lideranças populares, como o ex-presidente Lula, chegaram ao poder de seus países de forma democrática, surgindo com força bastante para fazer frente às oligarquias locais, mas com pretensões estritamente reformistas. Não obstante o mérito de terem realizado programas sociais necessários, o acarretou a diminuição da pobreza em todo o subcontinente, esse grupo de políticos progressistas desmobilizou as organizações populares, confinando a atuação política basicamente ao campo eleitoral.

Assim, no refluxo da mobilização popular, Lugo sofreu um golpe relâmpago. O processo todo, da abertura ao afastamento, durou cerca de 17 horas. Dirigido pela oligarquia local, mas orquestrado por grandes empresas multinacionais, como Cargill, Dreifuss e Monsanto, o golpe teve como falso pretexto a desapropriação de uma invasão de sem-terras. A “vítima” da invasão era o direitista Blas Riquelme, antigo integrante do Partido Colorado. Os Colorado, por sua vez, governaram o Paraguai por décadas, impondo uma longa ditadura encabeçada pelo pedófilo militar Alfredo Stroessner (elogiado por Jair Bolsonaro em 2019).

A exemplo do ocorrido no Brasil, o golpe paraguaio precisou de uma conspiração interna para funcionar. O então vice de Lugo, o direitista Frederico Franco (Partido Liberal Radical Autêntico) tomou as rédeas do governo após o impeachment e se comprometeu a recompor a antiga política, com dominação da elite local, rompimento com o bloco progressista regional e submissão aberta aos interesses imperialistas.

O golpe paraguaio de 2012 guarda mais uma semelhança com o sofrido pela presidenta Dilma Rousseff quatro anos depois. Seu verniz de legalidade, com o qual os setores golpistas imprimiram uma certa “legalidade” à manobra, não foi feito para durar. Hoje, é consenso entre todos os que conhecem a história que a autonomia e a democracia do povo paraguaio – frágeis como todas as outras do continente – foram feridas profundamente com a derrubada do presidente Lugo.

Ao que tudo indica, o devaneio de promover uma América Latina autônoma e livre da interferência imperialista através de eleições burguesas, parece estar saindo do horizonte das forças progressistas. O próprio Fernando Lugo, em entrevista dada ao site “Brasil de Fato” seis anos após o golpe, admitiu que faltou uma organização popular de base capaz de resistir ao golpe. Declaração semelhante a de Evo Morales depois de ser derrubado na Bolívia em 2019. O único governo popular que permanece incólume é o da revolução bolivariana na Venezuela, que se armou para resistir contra os ataques do imperialismo.

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