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Por Antonio Eduardo Alves de Oliveira

 

Em 15 de setembro de 2008, o banco de investimento Lehman Brothers declara a sua falência. No dia seguinte, o Federal Reserve (EUA) realiza o resgate da seguradora AIG por 85 milhões de dólares. O colapso do mercado financeiro leva a queda das bolsas de valores do mundo inteiro, em seguida as operações de crédito dos bancos são abruptamente suspensas. Da mesma forma da crise de 1929, o pânico é o sentimento que melhor traduz a queda do índice Dow Jones.

A crise de 2008, com a falência dos mercados financeiros no mundo globalizado, provocou a destruição dos ativos financeiros.  A extraordinária quebra das bolsas de valores teve como motivação imediata o estouro da bolha imobiliária norte-americana, decorrente da explosão dos valores da dívida dos empréstimos Subprimes.

Entretanto, ao contrário, da visão propalada na época pelos economistas e pela imprensa especializada, que por sinal não foram capazes de produzir previsão sobre a crise econômica, a crise não era apenas decorrente das finanças ou falta de regulação do mercado financeiro, em especial dos ativos “tóxicos” do Subprimes.

A crise de 2008 que redesenhou a economia mundial tem um alcance histórico, não foi obra de um acaso monumental, que o “mercado” não previu. A crise de 2008 assinala  muito fortemente a exaustão das próprias bases de desenvolvimento capitalista.

Além do mais, a crise de 2008 está interligada com um conjunto de crises de diferentes portes que aconteceram desde do chamado fim dos “trinta anos gloriosos”, período do imediato pós-guerra até a crise do início dos anos 1970. A mais importante delas é a crise de 1973/74, com o fim do regime Bretton Woods, crise do petróleo, queda da rentabilidade e realização dos lucros e  a crise fiscal dos Estados. Nos anos 80, o desdobramento da crise foi a problemática das dívidas soberanas dos países em desenvolvimento, em especial, na América latina, com a explosão das dívidas externas, que drenava os recursos países devedores para os bancos e empresas imperialistas. Ainda tivemos a crise de 1994 no México, em 1997 nos chamados Tigres Asiáticos e logo depois em 1999 na Rússia. Além de crises na Bolsa Americana relativamente importantes devido a fraudes bancarias e bolhas construídas artificialmente.

Os antecedentes e os desdobramentos da crise de 2008 permite entender que a crise não pode ser tomada isoladamente, o que pese, o fato de que cada crise tem evidentemente marcos específicos.

Ao longo dos últimos 30 anos, o capitalismo com pretexto de combater a crise fiscal e os “privilégios” do período do “Estado do Bem Estar Social” estabeleceu uma política de ataque permanente contra os direitos sociais e as concessões as massas populares ( direitos estes que  variavam de país para país, com maior alcance nos países capitalistas centrais).

Essa política neoliberal procurou enfrentar a crise de produtividade e rendimento do capitalismo através de uma política de captura dos recursos públicos e com o aumento da exploração sobre os trabalhadores, através de flexibilização dos direitos trabalhistas, terceirização, e capitalização através da liquidação dos ativos públicos através das privatizações.

O neoliberalismo veio acompanhado em uma intensa política de quebra das fronteiras nacionais, e ampliação dos mercados mundiais, através do que se convencionou denominar de globalização. Nos países atrasados, em especial naqueles com uma industrialização recente designados de “em desenvolvimento”, os governos neoliberais realizaram uma verdadeira liquidação dos ativos nacionais em beneficio da “modernidade” e “ abertura” da globalização, na verdade uma grande negociata.

Durante o último quartel do século XX, aconteceram como já expomos crises agudas na periferia do sistema, em que economias da Ásia e América Latina enfrentaram ataques especulativos nas bolsas de valores como expressão da falência do modelo adotado. A crise de 2008, tem uma importância significativa por ter atingido o coração do sistema mundial capitalista, o principal motor do capitalismo: os Estados Unidos da América.

A crise de 2008 indica que os mecanismos artificiais de contenção da crise  econômica( e política) que tinham sido montados nas últimas três décadas em torno da política neoliberal demonstraram que não são uma saída ou alternativa, mas pelo contrário somente tem aprofundando o caráter sistêmico da crise do capitalismo.

O endurecimento dos mecanismos sociais de controle, com a ampliação e aprofundamento do próprio neoliberalismo após um breve período de contenção das medidas mais draconianas, voltou na agenda dos grandes grupos dominantes e dos governos em escala internacional.

O plano traçado não é uma grande novidade, é a aplicação de maneira ainda mais aprofundada da receita neoliberal adotada após a crise de 1974, ou seja, depositar nas costas dos trabalhadores o ônus da crise econômica. Como assinalou o  Informe sobre a situação política internacional do PCO( abril 2016). “ O imperialismo foi obrigado a fazer isso porque a crise colocava em pauta a necessidade de um novo ataque em profundidade contra as populações desses países (…) Essa política de austeridade visa salvar as empresas capitalistas em crise. Ou seja, trata-se de um plano de salvação dos grandes monopólios capitalistas internacionais, feito à custa de um ataque profundo, generalizado, contra os trabalhadores e as massas populares” https://pco.org.br/2016/04/11/informe-sobre-a-situacao-politica-internacional/

Do ponto de vista político, o imperialismo tem adotado como perspectiva estancar qualquer forma de participação popular nas decisões fundamentais. Na próxima semana, vamos analisar como foi criada a bolha imobiliária que levou a crise do subprimes e como o sistema financeiro e a economia mundial foram atingidos pela crise de 2008.

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