FHC e Bolsonaro
Nesta coluna, procuro fazer uma comparação entre a crise em que o País se encontrava no final do governo FHC e a atual crise, consequência direta do golpe de Estado de 2016
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Destruidores do País | Foto: Reprodução

O apagão ocorrido no Estado do Amapá  na semana passada não foi um acidente de percurso, mas o prenúncio de uma gravíssima crise econômica e social que assola o Brasil e que, como uma bomba-relógio, está em contagem regressiva para explodir.

À semelhança com o que ocorreu em 2002, a deterioração dos indicadores econômicos e sociais oficiais em 2020 – mesmo sempre manipulados pelos governos de plantão – não consegue encobrir a realidade nacional. Para quem não se recorda ou não viveu a era FHC, depois de devastar o País o governo que aplicou a primeira onda neoliberal deixou o Brasil literalmente em frangalhos. Escalada da dívida pública, desemprego, fome e miséria, disparada do custo de vida, apagões de energia por todo o País.

Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), instituto oficial vinculado ao então Ministério do Planejamento, no ano de 2000, indicavam que 35% da população brasileira, ou 54 milhões à época, não tinha renda suficiente para comer. Na outra ponta da economia, o governo bancava a farra dos grandes capitalistas nacionais e internacionais. Nada menos do que 134 empresas do Estado foram vendidas a preço de banana à “iniciativa privada”.  Grande parte do setor elétrico, por exemplo, privatizado no final dos anos 90, rendeu aos cofres públicos 3,9 bilhões de dólares (Aloysio Biondi, O Brasil privatizado), o que corresponde a cerca de R$ 21,5 bilhões atualizados. Em julho de 2009, uma auditoria promovida pelo Tribunal de Contas da União (TCU), apontou que o apagão de 2001 custou aos cofres públicos R$ 45,2 bilhões, em valores atualizados com base no dólar, o que corresponde, hoje, a nada menos do que R$ 124 bilhões ou quase 6 vezes mais do que o governo arrecadou com a privatização, com o consumidor pagando cerca de 60% da conta por meio de aumentos tarifários (as tarifas médias tiveram aumento real de 43,2%, sendo 31,1% para a classe de consumo industrial e 64,1% para pessoas físicas em julho de 2001) e o governo arcando com o restante.

Muito ainda poderia ser dito sobre o governo FHC, mas o central é que todos os indicadores econômicos e sociais atuais comparando com 2002 (último ano do seu governo) e 2020, são muito mais graves.

Ao mesmo tempo em que agravou a crise no Brasil, a pandemia do coronavírus expôs de maneira muito evidente o crescimento exponencial da pobreza. Mais de 66 milhões de brasileiros receberam o auxílio emergencial da pandemia. Considerando as famílias, corresponde, segunda dados do próprio governo, a 126 milhões de pessoas ou 60% da população brasileira, sendo que outras milhões não receberam, por exclusão do próprio governo. Um outro dado alarmante, mais de metade da população economicamente ativa do País (com idade para trabalhar) não tem emprego, seja na economia formal ou informal. A inflação, sempre manipulada, disparou principalmente para os mais pobres. Segundo o IPEA, a inflação é dez vezes maior para esse segmento do que para os mais ricos, devido à explosão no aumento da cesta básica – arroz (41%), feijão (34%), leite (30%) e óleo de soja (51%), outubro/2020. Somam-se a esse filme de terror 1,8 milhão de trabalhadores na fila de espera pela aposentadoria, outro 1,7 milhão que o governo quer cortar o benefício previdenciário, quase 6 milhões de infectados e aproximadamente 165 mil mortes pelo coronavírus, em sua esmagadora maioria de pobres, entre muitas outras condições que colocam a população literalmente à beira do precipício.

Assim como na era FHC, na outra ponta da economia os grandes capitalistas ficam ainda mais ricos com a especulação financeira, a bolsa vai às alturas mesmo sem uma contrapartida no crescimento real da economia, mas, também aí, não há um “mar de rosas”. As disputas entre os diferentes setores da burguesia tornam o  governo Bolsonaro ainda mais frágil. A dívida pública beira os 100% (no final do governo FHC era de 57,4% do PIB), os grandes capitalistas, como aves de rapina, exigem que a conta seja mais apertada no lado dos trabalhadores.

Se na crise dos anos 2000 a saída da burguesia para conter a explosão social foi “permitir” a vitória eleitoral do PT, com Lula, depois de eleições seguidamente fraudadas para evitar sua vitória, os golpistas de hoje, que são os mesmos de ontem, manobram com a ajuda de setores da esquerda – usam Bolsonaro (seu candidato improvisado em 2018) como espantalho – na tentativa de recuperar o governo em 2022, via uma frente ampla, que já está sendo posta em prática nas atuais eleições municipais.

O que querem é mais do mesmo, ou seja, retomar as bases da política que ensejou o golpe de 2016. 

Para os explorados é um beco sem saída. Resta saber até que ponto a corda possa ser esticada. Mal comparando com os estertores do governo FHC, 2022 parece estar muito distante.

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