Mulheres são mais vulneráveis
Mulheres serão mais afetadas pelas demissões e outros problemas causados pela crise econômica e do coronavírus que os homens
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Operárias - Foto: Arquivo Fotográfico CME |

Os grupos sociais mais vulneráveis são aqueles que sofrem mais as consequências nos momentos de crise. Não será diferente neste momento de crise econômica e do coronavírus. Como no sistema capitalista o Estado existe em função dos interesses da classe dominante, a burguesia, as classes trabalhadoras sofrem ainda maior abandono por parte do poder público, que nesses momentos investe todos seus esforços para salvar o sistema que se encontra em estado de agonia. 

Assim, se a sociedade como um todo amarga os efeitos da pandemia, maior ainda é a agonia a que estão sujeitos os pobres de um modo geral, os negros, os Lgbts e as mulheres.

Análise feita por economistas do Citigroup, apresentada na página Money Times da internet, calcula que, em todo o mundo, mais de 220 milhões de mulheres estejam empregadas nos setores mais vulneráveis a cortes de empregos durante a pandemia do novo coronavírus. 

Nesses setores existe o risco real de ocorrer, pelo menos, a perda de 44 milhões de empregos. Sendo que as mulheres contabilizariam mais de 70%, com o número estimado em 31 milhões de novas demissões, contra 13 milhões de homens desempregados nesses ramos mais vulneráveis. Concluindo, portanto que “globalmente, mulheres são mais vulneráveis a perder o emprego durante a crise”. Com essas demissões em massa de mulheres, o PIB global encolheria cerca de 1 trilhão de dólares, segundo o mesmo levantamento.

A própria análise prevê que esses números devem ser muito maiores, pois a China, segunda maior economia do mundo, não foi incluída no estudo.

No final do mês de março último, a ONU divulgou um outro relatório, intitulado “Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19”, onde a conclusão também é de que as mulheres correspondem ao segmento social mais afetado pela crise do coronavírus.

Segundo o documento divulgado pelo órgão, são vários os fatores que tornam as mulheres mais vulneráveis neste momento crítico em todo o mundo:

  • As mulheres correm mais riscos de serem infectadas porque correspondem a 70% dos trabalhadores de saúde em todo o mundo. No Brasil elas correspondem a 80% da força de trabalho na área de enfermagem, 45,6% dos médicos e 85% dos cuidadores de idosos.
  • Como já foi denunciado várias vezes aqui no Diário Causa Operária, com o isolamento social, os índices de violência doméstica e feminicídio têm aumentado no mundo todo.
  • Entre os idosos, há mais mulheres vivendo sozinhas e, geralmente, com baixos rendimentos.
  • Em vários setores da economia informal, como empregadas domésticas, diaristas e cuidadoras de idosos, as mulheres são a maioria. Setores bastante afetados pelo desemprego.
  • As mulheres que sempre sofreram com a jornada tripla de trabalho (trabalho assalariado e doméstico), são obrigadas a se dividir ainda mais entre as tarefas impostas pelo confinamento durante a pandemia, além do emprego e do trabalho doméstico: como as escolas estão fechadas, mais cuidados com os filhos e educação escolar em casa, além de serem as principais responsáveis pela assistência aos idosos da família.
  • Antes da Covid-19, mulheres desempenhavam três vezes mais trabalhos não remunerados do que os homens; com o isolamento, a estimativa é que este número triplique.
  • Mulheres não estão na esfera de poder de decisão na pandemia: elas são apenas 25% dos parlamentares em todo o mundo e menos de 10% dos chefes de Estado ou de Governo.
  • As mulheres são três quartos dos trabalhadores no setor têxtil mundial, um dos mais afetados da indústria em todo mundo.
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