Genocidio planejado
Bolsonaro e a direita “civilizada” são os grandes responsáveis pelo genocídio que está a ocorrer no país.
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Vala para enterro coletivo em Manaus. | Foto: Reprodução

Já é 2021 e as previsões mais otimistas sobre a pandemia mostraram-se completamente falsas. O que seria apenas dois ou três meses está a completar um ano. Neste ínterim, o país já enterrou 200 mil pessoas, a maioria trabalhadores e trabalhadoras, vítimas da COVID-19.

O número de 200 mil, entretanto, é mentiroso. É mais do que sabido, desde o início da pandemia no país, que o Brasil não testa sua população. Deste modo, o estado não tem nem a menor noção da quantidade de mortos no país. A tendência, segundo estudos recentes, é que o número já ultrapasse os 300 mil. Todavia, não é errado que os valores sejam ainda maiores.

A polêmica do isolamento

Em março, logo após o carnaval, quando a doença começou a se espalhar pelo país, trazida pela pequena burguesia, que foi tirar férias na Europa, já foi criado o primeiro ponto de polêmica. Enquanto governadores e prefeitos defendiam o chamado isolamento social, o presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro, se posicionava contra qualquer tipo de fechamento.

Diferente da visão religiosa do mundo, a qual a pequena burguesia se lambuza, onde tudo é uma luta entre o bem e o mal, o divino e o profano, o civilizado e o bárbaro, o científico e o vulgar, tanto Bolsonaro quanto governadores e prefeitos faziam apenas demagogia com a população.

Bolsonaro é o único nome na direita com alguma base social e é isto que ainda o mantém no poder. Esta base social está apta a aceitar todo tipo de insanidade e coisas como a negação da doença. O presidente fascista alimenta sua base com suas atitudes erráticas, genocidas e negacionistas. Além disto, Bolsonaro sabe que, além da sua base social, necessita atender aos interesses de seus principais financiadores, burgueses de menor envergadura e parcela expressiva dos latifundiários.

O governo fascista, durante estes meses, apostou fortemente em uma agenda de desvalorização do real, apesar da propaganda contrária do Ministro da Economia, Paulo Guedes. Latifundiários e especuladores ficaram ainda mais ricos.

Já os governadores e prefeitos não são, de modo algum, paladinos da ciência e da cultura, como tanto o dizem ser. Pelo contrário, estão na vizinhança imediata do bolsonarismo. Basta notar que a maioria destes foram grandes apoiadores do presidente ilegítimo em 2018. Entretanto, como enfrentam problemas diferentes de Bolsonaro, necessitaram de decisões diferentes.

Os governadores e os prefeitos tinham, como desafios, (1) travar a disseminação da doença na classe média e (2) criar condições mínimas para a campanha eleitoral de 2020.

A solução dos “científicos” foi a de implementar o fechamento dos comércios ditos “não essenciais”. Isto significou colocar uma parcela significativa da classe média em casa. Assim, seria possível retardar, ao máximo, a disseminação da doença na pequena burguesia.

Em contraste, a classe trabalhadora não teve os mesmos direitos. Trabalhadores de construção civil, indústrias, supermercados, limpeza pública, metrôs, ônibus, serviços de eletricidade, água e esgoto e telefonia e internet não tiveram direito algum a política de isolamento social. Pelo contrário, foram colocados em transportes lotados, mesmo com a doença avançando todos os dias. Um exemplo ocorreu em Salvador, onde o prefeito golpista, ACM Neto, reduziu a frota de ônibus a 30%, forçando a população a viajar em verdadeiras latas de sardinha.

Os que não puderam trabalhar, como ambulantes, pequenos comerciantes e outros que foram demitidos ou tiveram seus salários cortados, foram obrigados a ir às ruas para tentar sobreviver. O governo, com auxílio da sempre disposta “oposição”, aprovou um auxílio emergencial que, para quase toda a população, representou nada mais que uma esmola, devido a seu valor ínfimo.

Enquanto isto, os bancos receberam um aporte estatal de mais de 1,2 bilhão de reais. Um valor exageradamente maior que o que foi dado ao povo.

No fim das contas, como sempre, os mais pobres pagaram a conta, seja com seu dinheiro, seja com sua vida.

Sabão e álcool em gel

Um dos fatos marcantes da primeira fase da pandemia foi a falta de materiais como álcool em gel nos supermercados. Alguns comerciantes, menos escrupulosos, chegaram a aumentar o preço do produto em 1000%, um verdadeiro atentado à economia popular. Incentivo disto foi a falta de vontade governamental em prover à população estes produtos.

A classe média, em total histeria, foi aos supermercados e farmácias estocar produtos loucamente. Alguns, mais confusos, chegaram a sugerir que as pessoas estocassem alimentos. Uma verdadeira estratégia de “farinha pouca, meu pirão primeiro” e que revela o caráter egoísta da pequena burguesia.

Um fato um tanto escatológico, mas que mostra de maneira didática como a pequena burguesia é histérica e está disposta a cometer um verdadeiro arsenal de asneiras foi a alta procura por sabonetes antibacterianos. O que pode não parecer errado, não fosse o Coronavírus um vírus e não uma bactéria.

Em Salvador, capital da Bahia, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) trabalharam juntos para fazer demagogia com a população, ou seja, a frente ampla em seu estado definitivo. Enquanto o prefeito, como já citado, ordenava a redução da frota de ônibus municipais, o governador deixava diversos bairros da periferia da cidade sem água por um mês. Assim, combatiam as aglomerações e faziam com que as pessoas cultivassem bons hábitos de higiene…só que não.

Colapso da saúde em Manaus

A capital do estado do Amazonas, Manaus, foi palco de acontecimentos chocantes. O sistema público de saúde do Amazonas entrou em colapso, ou seja, não havia mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs). Para que um doente pudesse ser atendido, deveria esperar que outro morresse ou fosse curado.

Houve também o caso dos respiradores quebrados enviados ao estado pelo Ministério da Saúde , até então comandado pelo “científico” Mandetta. Um crime que sequer foi investigado a fundo.

Cenas como enterros coletivos foram corriqueiras no Amazonas e estão a retornar agora que o estado volta a ter um número de mortos. Um dos casos mais tristes foi o enterro de um senhor feito por seus dois filhos, pois, segundo eles, não havia coveiros disponíveis para fazer os enterros.

Lockdown, o novo estado sítio

Com a taxa de desemprego chegando a patamares não vistos na história recente do país, a população passando fome, o auxílio emergencial pequeno e de difícil acesso e a doença se espalhando rapidamente nos bairros operários, os prefeitos e governadores “científicos” tomaram a decisão de impor um estado de sítio, ao qual deram o nome estrangeiro de “lockdown”.

Os “civilizados” sabiam desde o início que a pandemia chegaria de maneira violenta à periferia. As condições urbanas dos bairros operários do Brasil são um verdadeiro atentado à população. Falta esgotamento, as casas são minúsculas para o abrigo de, em alguns casos, uma dezena de pessoas, entre outros. Além disto, como já dito antes, a classe trabalhadora não teve o direito de ficar em casa. Todas estas condições criaram um ambiente explosivo no país inteiro.

O lockdown, na prática, significou o uso do aparelho de repressão do estado contra a população mais carente. Os governantes, aproveitando-se do preconceito da pequena burguesia colocavam a culpa da disseminação das doenças em festas e nas pessoas “que não ficavam em casa”. Entretanto, não é preciso ter bola de cristal pra saber que a maioria das infecções se deu no ambiente de trabalho. Basta lembrar do altíssimo número de infecções nos frigoríficos na região sul. Algo semelhante ocorreu nas fábricas de empacotamento de carne no centro dos Estados Unidos, mostrando que não foi um fato isolado, mas uma tendência geral.

Hospitais de campanha e reabertura

Desde o início da pandemia, o Partido da Causa Operária (PCO), através das suas ferramentas de imprensa, deixou bem claro que, tanto do ponto de vista econômico, quanto social o isolamento prolongado, mesmo que restrito a apenas uma parcela minoritária da população, seria impraticável, criando um ciclo de aberturas e fechamentos até que alguma imunização fosse encontrada.

Sofrendo, ao mesmo tempo, a pressão das massas famintas, da burguesia e de aliados políticos interessados nas eleições, os governadores e prefeitos “científicos” tiveram uma ideia que espanta até o mais incrédulos, criar hospitais de mentira. Obviamente, o nome não poderia ser este, por isso o chamaram de hospital de campanha.

A inspiração da genial ideia foi na construção do hospital de campanha chinês em Wuhan, primeiro epicentro da doença. A diferença, é claro, para por aí, apenas no nome. No Brasil inteiro, o que se viu foi uma série de verdadeiros “paus armados” que custaram seu peso em ouro. Faltavam equipamentos, médicos, remédios e tantas outras coisas.

A tática dos “científicos” foi sutil, porém muito eficiente. A doença, no seu início, era mensurada pela virulência, ou seja, pela quantidade de novos infectados após contato com uma pessoa já infectada. Os governadores e prefeitos, adotaram, então, a taxa de ocupação de leitos de UTI como estatística preferencial.

Deste modo, poderiam pautar uma reabertura nesta taxa. Assim, do dia para a noite, foram criados milhares de leitos fantasmas no Brasil inteiro. Alguns destes hospitais de campanha nem sequer chegaram a ser usados, como ocorreu no Rio de Janeiro. Todavia, isto serviu para pautar a reabertura gradual do comércio.

No Amazonas, onde ocorreu o colapso do sistema de saúde, o governador Wilson Lima, pouco após o colapso, enquanto os corpos nem haviam sequer esfriado, já ventilava a ideia de fechar os hospitais de campanha, reabrir o comércio e o retorno às aulas presenciais. Um verdadeiro ato genocida e criminoso, digno da direita brasileira.

A reabertura ocorreu em todo país. Os testes, que já eram raros na primeira fase da pandemia, tornaram-se mais raros ainda. Era necessário dar um ar de normalidade para que as eleições ocorressem.

Os hospitais de campanha também não poderiam continuar existindo. Por isso, houve o máximo esforço em fechá-los tão logo fosse possível.

A última etapa seria a reabertura das escolas. Entretanto, esta medida é tão impopular que nem todos “civilizados” tiveram coragem para tal.

Eleições 2020 ou “a venda de ilusões”

As eleições municipais contaram com uma verdadeira operação da burguesia para fazer o povo esquecer a pandemia. A esquerda pequeno burguesa, desmoralizada pelo fracasso do “fique em casa”, saiu de boa vontade de casa para fazer campanha, ou seja, vender ilusões ao povo.

Os governadores e prefeitos, que de estúpidos nada têm, pararam de vez de testar a população. A direita, principalmente, sabia bem que as eleições estavam ganhas e fez de tudo para garantir que a pandemia não atrapalhasse isto. Pelo contrário, até a utilizou como apoio. Em Pernambuco e Bahia, o judiciário eleitoral, serviçal da direita, para garantir a vitória de seus candidatos, proibiu campanhas de ruas, especialmente quando a esquerda (PT) parecia ter alguma chance de incomodar os candidatos da direita.

Imediatamente após as eleições, o Coronavírus, que, segundo as estatísticas oficiais, parecia estar de férias, retornou com tudo. O governador de São Paulo, João Dória (PSDB), declarou isolamento social no estado inteiro e fechamento dos serviços não essenciais. Entretanto, um detalhe, agora, todo comércio é considerado essencial. Uma demagogia de proporção homérica.

Despejos e cortes

Ao contrário do que seria minimamente humano, a população mais pobre continuou sendo fortemente atacada. Os despejos tornaram-se ainda mais corriqueiros, especialmente no estado de São Paulo.

O aparelho repressivo de João Doria e do judiciário paulista não poupou esforços em colocar famílias no olho da rua, mesmo com a pandemia ceifando a vida de milhares Brasil a fora.

Os cortes de água e luz foram suspensos durante um período. Entretanto, tão logo foi acenada a reabertura das atividades, as cobranças e cortes de água e energia elétrica voltaram a ocorrer, como se a pandemia tivesse simplesmente passado.

A população, sem emprego e sem renda enfrenta o risco iminente de corte de água e luz, além da possibilidade real de despejo.

Fim do auxílio emergencial

O auxílio emergencial, abertamente criticado pelo PCO devido ao seu valor minúsculo e pelo fato de atender a uma parcela minúscula da população, foi alvo de demagogia por todos os lados.

O fascista Bolsonaro colocou-se como aquele que “deu” o auxílio. Já o “centrão”, que de oposição tem nada, e a esquerda pequeno burguesa também reivindicaram para si a “paternidade” do auxílio. O que fica claro é que tratou-se de um claro acordo entre o governo e a oposição. O governo ofereceu, inicialmente, o valor de R$300,00. Porém, ele mesmo sabia que este valor seria aumentado pela oposição. A oposição, especialmente a esquerda, que contenta-se com migalhas, conseguiu o “incrível” aumento para R$500,00. Por sua vez, o governo aumento para R$600,00 para sair por cima.

A população esperou meses para receber o auxílio. Muito por causa da demora tanto do governo quanto do Congresso, que faziam as mais diversas chicanas burocráticas para atrasar o auxílio. Pensavam que, talvez, a situação, por um passe de mágica, se resolveria e não seria mais necessário conceder o auxílio.

O povo foi obrigado a se sujeitar a filas homéricas nas agências da Caixa Econômica Federal e horas e mais horas frente ao aplicativo do governo. Uma situação de total humilhação.

Em contraste, tanto governo quanto oposição não tiveram problema algum para soltar cifras trilionárias aos bancos. Fica claro aos interesses de quem ambos os lados sempre darão prioridade.

Apesar do valor do auxílio ser digno de esmola, para muitas famílias, especialmente no interior do Brasil, representou um alívio. Em um cenário de desemprego e retração econômica, mesmo o pouco parece muito.

Como diz o dito popular que “alegria de pobre dura pouco”, o governo anunciou que para 2021 não haverá prorrogação do auxílio emergencial. Só receberão aqueles que ainda tem alguma parcela atrasada.

Se considerados o desemprego, a alta dos preços dos alimentos e o fim do auxílio, a população brasileira, logo, não terá dinheiro nem para “comer o pão que o Diabo amassou”.

Segunda onda e guerra da vacina

Diferentemente da Europa e de outros lugares, no Brasil não é possível dizer que há uma segunda onda. Nunca houve, de fato, uma diminuição real dos casos. O que ocorreu foi a política criminosa dos governos federal, estaduais e municipais em não testar a população, especialmente durante as eleições. Isto mostra que tanto Bolsonaro quanto os governadores e prefeitos “científicos” foram parceiros na política de matança da população.

Agora, que tornou-se impossível “tapar o Sol com a peneira”, os governadores e prefeitos ameaçam novas medidas de trancamento. Entretanto, desta vez, as condições são mais complicadas. O verão é uma das épocas onde diversas regiões tiram seu sustento através do turismo. Além disto, o setor do turismo e da hotelaria faz uma pressão imensa nos governos.

A tendência é que estados e municípios, especialmente os últimos, implementem novos estados de sítio e aumentem a repressão apenas em bairros operários, como fizeram antes. Os bairros turísticos permanecerão abertos.

Daqui a alguns meses, o número de 200 mil mortos oficiais parecerá pouco perto da grande catástrofe que se avizinha.

Outro ponto importante é a questão da vacina. A burguesia nacional e imperialista parece utilizar todo seu poderio para fazer da vacina, algo que deveria ser de monopólio estatal, um monopólio privado. Para isto, o governo Bolsonaro é um grande aliado, sabotando todo e qualquer processo de compra e aplicação de vacinas.

Apesar da propaganda, os governos estaduais e municipais nada tem de tão diferente do fascista Bolsonaro. É mais do que sabido que sua propaganda de compra de vacinas é pura demagogia, pois não conseguirão a quantidade necessária e muito menos possuem recursos o bastante para comprá-las. O objetivo destes é construir uma imagem positiva, de salvadores da pátria, para as eleições de 2022. Fica óbvio que a vacina para os mais pobres chegará quando já for muito tarde.

Para conseguir as vacinas, o governador de São Paulo, João Doria, extinguirá diversas autarquias e fundações estaduais, além de ter aumentado o valor do ICMS dos alimentos. Seu objetivo é conseguir capital para pagar pelas vacinas, mesmo que isto signifique destruir órgãos importantes do estado, como a autarquias que cuidam do transporte, habitação e urbanismo e meio ambiente, e fazer com que o povo, especialmente os mais pobres, pague mais caro pela comida.

A única saída é a mobilização popular

Fica claro que a única saída para combater, de fato, a pandemia é a mobilização popular contra os genocidas que comandam o país. A esquerda, os sindicatos e as organizações populares, que estão em um verdadeiro isolamento social desde 2015, devem organizar a população para lutar contra os golpistas.

Este ano de 2021 tem de ser um ano de luta. Sem um combate incisivo, a direita golpista e genocida continuará seu plano de ataque aos trabalhadores.

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