Guerra do Pacífico
Entre 1879 e 1883 Chile, Peru e Bolívia entraram em guerra pelo domínio de terras. O resultado foi a vitória chilena e a perda de uma saída para o mar para a Bolívia
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Batalla_de_Chorrillos
O general chileno Maturana observa os mortos da batalha de Chorillos, 1881 | Foto: Reprodução Wikimedia Commons

No dia 20 de outubro de 1883 foi assinado o Tratado de Ancón, colocando um fim à Guerra do Pacífico, um conflito que aconteceu entre 1879 e 1883 confrontando o Chile, país vencedor, com as forças aliadas de Peru e Bolívia. Pelo tratado o Peru perdia a província da região de Tarapacá e a Bolívia entregava a província de Antofagasta, ficando sem uma saída para o mar.

A Guerra do Pacífico teve origem nas desavenças entre Chile e Bolívia pelo controle de uma parte do deserto do Atacama, uma região rica em nitratos, recursos muitos valorizados na época, minerais importantes para uso em fertilizantes e também na fabricação de explosivos.

As batalhas ocorreram no Oceano Pacífico, no deserto do Atacama, nos desertos peruanos e nas regiões montanhosas dos Andes. Nos primeiros cinco meses a batalha foi travada no mar, já que as regiões desérticas podiam ser alcançadas de maneira mais fácil pelo mar.

Os limites territoriais entre Bolívia e Chile eram uma disputa antiga, resultado do processo de descolonização da Espanha, o que fazia com que certas áreas não tivessem fronteiras bem delimitadas. A partir dos anos 1830 a região entre Chile e Peru começou a ser explorada por companhias chilenas de capital britânico. O Chile tinha uma economia mais robusta que a da maioria dos outros países latino americanos.

A grave depressão econômica que teve início no episódio conhecido como Pânico de 1873 acabou tendo consequências na economia chilena da época. Ela afetou as suas exportações de prata, cobre e grãos do país e fez com que a burguesia chilena procurasse explorar o novo interesse que havia no nitrato.

A Guerra do Pacífico

Em 1878 o presidente boliviano Hilarión Daza decretou um aumento de taxas sobre as companhias chilenas que exploravam o litoral boliviano, o que causou um protesto do governo chileno, do presidente Aníbal Pinto. Quando a empresa Antofagasta Nitrate & Railway Company (CSFA) se recusou a pagar a sobretaxa, o governo boliviano ameaçou fazer um confisco de suas propriedades. O Chile respondeu enviando um navio de guerra para o local em dezembro de 1878. A Bolívia fez o anúncio do sequestro dos bens da empresa e seu leilão em 14 de fevereiro de 1879. No dia do leilão, um batalhão de 200 soldados chilenos desembarcou e ocupou a cidade portuária de Antofagasta sem encontrar resistência.

Esta sobretaxa foi a desculpa perfeita para o início da guerra. A burguesia chilena pressionou o presidente Aníbal Pinto para isso, para proteger os interesses da CSFA. Vários integrantes do governo chileno eram também acionistas dessa empresa.

Desse modo no dia 1º de março de 1879 a Bolívia declarou guerra ao Chile. O país tinha uma aliança secreta com o Peru, o Tratado de Defesa de 1873, que previa uma aliança contra o crescente expansionismo chileno.

O início da guerra se deu pelo mar, sendo que o Chile tinha uma sólida frota de navios. O Peru e a Bolívia estavam totalmente despreparados para a guerra, ainda se recuperando da Guerra Hispano-Sul-Americana, que ocorreu entre 1864 e 1866, onde a Espanha tentou recuperar suas colônias perdidas, ocupando as Ilhas Chincha, de propriedade do Peru e que arrastou para a guerra vários outros países como Chile, Equador e Bolívia.

Em 1879, após a vitória chilena nos mares, a guerra prosseguiu, agora por terra. Em janeiro de 1881 os chilenos invadiram Lima, a capital peruana, saqueando e queimando subúrbios da cidade. Como espólio de guerra o Chile confiscou bens da Biblioteca Nacional Peruana levando-os para Santiago. A resistência peruana continuou por mais três anos. Finalmente em 20 de outubro de 1883 Peru e Chile assinaram o Tratado de Ancón.

Dentre os 14 artigos do tratado estavam o restabelecimento da paz; o Peru se comprometia a ceder em definitivo o domínio do departamento de Tarapacá e a entregar ao Chile por 10 anos as regiões de Tacna e Arica. Após este período deveria ser feito um plebiscito com a população local para saber se voltariam às mãos do Peru ou se continuariam com o Chile. Este plebiscito nunca foi realizado.

Consequências da guerra

Dentre as muitas consequências da guerra para o Chile estão o aumento do controle britânico sobre a economia chilena e o aumento de sua influência sobre sua política. Os lucros com o nitrato duraram apenas algumas décadas e caíram significativamente depois da Primeira Guerra Mundial. Depois disso o cobre se tornou uma das maiores riquezas do país, que se tornou primeiro alvo da política neoliberal.

Para os bolivianos ficou o trauma da perda da saída para o mar, algo que é um problema para o país até os dias de hoje. Em 1932 a Bolívia entrou em um conflito armado contra o Paraguai na Guerra do Chaco, sobre territórios que davam acesso ao Rio Paraguai, e por consequência para o Oceano Atlântico. Esta foi outra derrota humilhante para a Bolívia.

Para os peruanos a derrota na guerra levou a uma instabilidade social e política, com revoltas do povo indígena contra as classes dominantes e contra imigrantes chineses, que se juntaram às forças chilenas. O governo precisou fazer um extenso trabalho de reconstrução do país, sendo que a estabilidade política só chegou no início do século XX.

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